Seu desenvolvimento foi um dos mais simultâneos aos do Primeiro Mundo de que se tem notícia: o Ka chegava ao Brasil em março de 1997, apenas seis meses depois da apresentação mundial em Paris. A Ford brasileira diz ter-se envolvido já no projeto do modelo europeu, em parceria com as unidades alemã e britânica da marca. O robusto monobloco definido em testes no Brasil acabou por ser adotado também na Europa. Como lá, o objetivo da Ford aqui era o de ocupar um nicho de mercado abaixo do grande segmento de carros pequenos, não o de disputar em volume com modelos da mesma faixa de preço. Esta missão continuaria a cargo do Fiesta. Com isso, o Twingo podia ser considerado seu único concorrente direto.

"Três Luízas" ou bebê de fraldas: o bom humor do brasileiro não perdoou a traseira do Ka, lançado aqui apenas seis meses depois da Europa

Nosso Ka era praticamente igual ao europeu: as diferenças resumiam-se a detalhes como lanternas traseiras (com luzes de ré nos dois lados, por não haver luz de neblina à esquerda), altura de rodagem 24 mm maior, pneus de perfil mais alto (145/80-13 ou 165/70-13, conforme a versão, em vez de 165/65-13), tratamento contra poeira e alguns itens eliminados do interior, como ajuste de altura do banco do motorista.

Aqui como lá, suas linhas modernas e irreverentes chamavam a atenção e o diferenciavam na paisagem das ruas. Mas os bem-humorados brasileiros não poderiam deixar de fazer piadas com o desenho da traseira, considerado muito acanhado em relação ao restante da carroceria. Em meio a apelidos impublicáveis havia comparações nada abonadoras. Dizia-se, por exemplo, que o pára-choque rechonchudo lembrava a vista por trás de um bebê de fraldas. Surgiu também a piada das "três Luízas", segundo a qual o Ka se parecia com três mulheres famosas com esse nome: de frente, belo como Luíza Brunet; de lado, ainda charmoso como Luíza Thomé; mas nem tanto de traseira, associada a Luíza Erundina...

O antiquado motor Endura-E, que destoava do projeto moderno do Ka, vinha em duas cilindradas: 1,0 e 1,3-litro, a primeira exclusiva do modelo nacional

Duas versões eram oferecidas: básica, com acabamento mais simples e motor de 1,0 litro, e CLX, mais luxuosa, com equipamentos adicionais e o mesmo motor com cilindrada de 1,3 litro. Os itens de série incluíam cintos de três pontos para os quatro ocupantes, retrovisores com comando interno e banco traseiro bipartido com ajuste em duas posições. A lista de opcionais do CLX passava por bolsas infláveis frontais, controle elétrico dos vidros e travas, rádio/toca-CDs, ar-condicionado e direção assistida, o que podia levar o preço do pequeno carro a superar o de modelos médios menos equipados.

Os ultrapassados motores do Ka, como na Europa, destoavam da modernidade do conjunto. A linha Endura-E, produzida em Taubaté, SP, já era conhecida do Fiesta. O de 1,0 litro havia sido desenvolvido pela Ford brasileira para aproveitar o benefício tributário que levou à explosão do "carro mil" em nosso mercado. No Ka seu rendimento era um pouco maior, com potência de 53,5 cv, que passava a 60 cv no 1,3. A grande vantagem deste último estava no torque: 10,4 ante 7,8 m.kgf.
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Em escala
As únicas miniaturas do Ka em produção talvez sejam as do conversível StreetKa, da BBurago e da Schuco.

A primeira (foto) é produzida na escala 1:24 e com escolha entre as cores prata, azul, verde e vermelha. O tamanho permite boa visualização dos detalhes internos do carro, que é bem-feito como habitual nessa marca italiana.

Mais simples, a da Schuco vem apenas em azul e na escala 1:87, que compromete o nível de detalhes.

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