O Escort passava à segunda geração na linha 1993, em que os XR3 eram destaque: motor VW de 2,0 litros com injeção e desenho próprio na frente

A traseira do conversível tornava-se semelhante à do hatch; no interior modernizado do esportivo, as opções de bancos Recaro e equalizador

Além de motor e câmbio, o Escort tinha novas suspensões com eixo de torção traseiro; o XR3 1995 (fotos) ganhava outras rodas e frisos pretos

Mesmo nas versões mais simples, como a GL, o médio da Ford estava beneficiado por evoluções mecânicas e pelo ganho em espaço interno

O motor 1,6 da Ford era mantido e o VW 1,8 a gasolina trazia carburador com controle eletrônico de marcha-lenta. O câmbio projeto da VW alemã, mas fabricado na Argentina adotava comando por cabos flexíveis em vez de varão, pela primeira vez no País. Também eram novas as suspensões, a dianteira aperfeiçoada e a traseira com eixo de torção, não mais um conceito independente, mas simples e eficaz. Os amortecedores eletrônicos desapareciam. Na direção não assistida, inovação com a relação variável, mais rápida na região central, forma de torná-la mais leve em manobras.

O XR3 era atração à parte. Sua frente trazia faróis de duplo refletor, em que o facho alto substituía os antigos faróis de longo alcance, e unidades de neblina no para-choque, junto às luzes de direção. O desenho dispensava grade: a admissão de ar para o motor era feita pelo vão no para-choque. O interior mostrava opções sofisticadas como bancos dianteiros Recaro com ajuste lombar em dois níveis (em ambos) e de altura (no do motorista), abertura e fechamento dos vidros pela fechadura da porta, alarme com proteção por ultrassom e sistema de áudio com equalizador gráfico digital e amplificador.

O conversível acompanhava as mudanças e, pela primeira vez, compartilhava o desenho da traseira com o hatch, incluindo as lanternas — elas não mais impediam que o vão de acesso do porta-malas chegasse ao para-choque. Ambos os XR3 recebiam o motor VW de 2,0 litros a gasolina do Gol GTi, com injeção multiponto LE-Jetronic, 115,5 cv e 17,6 m.kgf, o que não dispensava o catalisador. Câmbio com relações próximas entre si, freios a disco nas quatro rodas e calibração bem mais firme da suspensão eram peculiaridades do esportivo. O Ghia logo seria oferecido com o mesmo motor, mas sem injeção.

Confrontado pela revista Autoesporte ao Gol GTi e ao Kadett GSi — todos com motores de 2,0 litros e injeção —, o XR3 foi elogiado pelo desenho mais moderno entre os três, o melhor espaço no banco traseiro e os engates do câmbio, mas mereceu críticas pela suspensão muito dura. Em desempenho, obteve a maior velocidade máxima e o segundo lugar nas provas de aceleração (de 0 a 100 km/h em 10,4 s) e retomadas, perdendo para o mais leve Gol. "O Kadett talvez forme o melhor conjunto, mas o Escort é superior em termos de design", concluiu a revista.

O governo federal criava o programa do carro popular em 1993, com a quase eliminação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para incentivar o mercado. Enquanto esperava que a VW lhe "emprestasse" o novo Gol a ser lançado no ano seguinte — o que jamais aconteceu —, a Ford adaptou ao Hobby o motor AE de 1,0 litro e 50 cv do Gol 1000, num bom trabalho de engenharia que conseguia mascarar seu peso elevado, recorrendo a um câmbio bem escalonado e à aerodinâmica eficiente. Nessa versão apenas o nome Hobby aparecia na traseira, sem o logotipo Escort.

Na linha 1994 era renovado o Verona, dessa vez com as mesmas linhas do Orion europeu, suas quatro portas e banco traseiro rebatível. Em versões LX, GLX (ambas 1,8) e Ghia (2,0), tinha frente quase igual à do Escort, salvo pelos vãos da grade, e traseira com as lanternas do hatch. Havia boas novidades como o motor 2,0-litros a injeção do Ghia, que oferecia também conveniências internas típicas do XR3, como rádio/toca-CDs com equalizador, mas o modelo — talvez pelo estilo pacato demais — não obteve êxito no Brasil. O belo desenho típico de importados, por outro lado, era o destaque dos VW Logus e Pointer, derivados da mesma plataforma (leia boxe).

Nas versões superiores da linha — Escort XR3 e Verona Ghia —, a veterana injeção analógica LE-Jetronic era substituída em maio de 1994 pela mais moderna FIC (Ford Indústria e Comércio, fábrica de eletrônicos do grupo), digital e dotada de sensor de oxigênio no escapamento. Os motores de 1,6 e 1,8 litro também adotavam injeção FIC, mas monoponto e estendida às versões a álcool, opção que o de 2,0 litros teria pela primeira vez no fim do ano, com 122,4 cv e 18,4 m.kgf.

Ainda na linha 1995, o XR3 ganhava rodas de cinco raios, frisos externos pretos em vez de vermelhos e ajuste do volante em altura
— a combinação dessa regulagem à de distância era outra primazia entre os nacionais. A versão 2.0i S assumia o topo da linha Verona, com itens do XR3 como grade, faróis e para-choques, volante e painel; vinha também com bancos Recaro. Continua

Na Argentina
A história do Escort no Brasil e na Argentina nem sempre foi a mesma: houve variações de versões, motores, carrocerias e até nomes durante as duas gerações.

Durante a série inicial, a Mk III, os argentinos recebiam apenas o Escort brasileiro. A montagem em General Pacheco, na província de Buenos Aires, com peças enviadas daqui começou em 1988 com a linha já reestilizada, a MK IV, que incluiu as versões GL (motor CHT 1,6), LX (motor AP 1,6, não usado nessa geração do brasileiro), Ghia (CHT 1,6), Ghia SX (AP 1,6 em substituição ao Ghia), Ghia S (motor AP 1,8 e aerofólio traseiro, tendo sido vendida aqui como Guarujá em 1992), XR3 e XR3 Cabrio (ambos com AP 1,8). O conversível era enviado pronto do Brasil e não havia versão sedã como nosso Verona.

Por lá a primeira geração prosseguiu até 1994, mas no ano anterior chegavam o XR3 hatch e o conversível Mk V, com motor de 2,0 litros a injeção, importados de São Bernardo do Campo, SP. O restante da linha, incluindo versões 1,8-litro, aparecia em 1994. Era fabricado por lá também o Orion, nosso Verona da nova geração. Ao contrário do Brasil, o país chegou a ter o ano-modelo 1996 para o XR3.

Para 1997 era apresentada a linha Mk VI, remodelada na aparência e com motores Zetec. Isso mesmo, "motores", no plural, pois os argentinos podiam escolher entre o de 1,6 e o de 1,8 litro, ambos com 16 válvulas (potências de 90 e 115 cv, na ordem), nas versões Ghia, Cross, RS e Si e com as carrocerias hatch de três e cinco portas, sedã de quatro portas e perua de cinco.

Havia ainda o Escort Diesel, com a unidade Endura de 1,8 litro movida a tal combustível, em versões de aspiração natural (60 cv) e com turbocompressor (90 cv).

E, para surpresa de muitos brasileiros, esteve disponível entre 1997 e 1999 o conversível dessa fase, só que importado da Europa em versão CLX (acima), com o mesmo Zetec 1,8 e direito a bolsa inflável para o motorista e freios com sistema antitravamento ABS. A produção dos modelos argentinos encerrou-se em 2002.

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