Mais potente carro nacional por quase todo o tempo de produção, o Marea Turbo trazia amplas alterações para entregar 182 cv e 27 m.kgf

Saídas de ar no capô, novas rodas, pedais esportivos, fundo claro nos instrumentos: mudanças sutis para identificar um Marea muito rápido

Isso o enquadrava em categoria de menor alíquota de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), na época relacionada à potência e não à cilindrada como hoje. O torque máximo caía pouco, de 18,1 para 17,9 m.kgf. Interessante mesmo era o Marea Turbo, que dava seguimento à tradição iniciada em 1994 com Uno e Tempra dotados de turbocompressor. O motor de 2,0 litros — exclusivo do Marea brasileiro e tomado emprestado do Fiat Coupé italiano — passava a 182 cv e 27 m.kgf. O Coupé chegava a 220 cv, mas a Fiat parece ter considerado os 182 suficientes para supremacia em desempenho, sem precisar de alterações extremas no conjunto.

De fato, sua liderança de potência entre os carros nacionais só foi perdida por algum tempo para a edição especial Golf VR6 de 200 cv, em 2003. Extensamente revisto, o propulsor usava válvulas de escapamento refrigeradas a sódio, resfriador de ar e radiador de óleo. A suspensão estava mais firme e os pneus, embora de mesma medida 195/60-15, vinham com código de velocidade W (garantidos até 270 km/h) e rodas mais largas. Os freios também eram específicos. Saídas de ar no capô estavam entre os poucos adereços externos da versão, enquanto o interior ganhava pedais esportivos, fundo claro nos instrumentos e volante revestido em couro perfurado.

O comportamento do motor turbo não era suave, gradual como na maioria dos modelos de hoje com tal recurso. À ligeira falta de força ao sair devagar, em baixa rotação, seguia-se um surto de potência ao redor de 3.000 rpm, com rápido aumento de velocidade dali em diante. Claro que, se mais acelerado antes de o motorista liberar a embreagem, o carro podia produzir uma cortina de fumaça dos pneus... Por outro lado, no uso rodoviário contava-se com grande reserva de potência em qualquer marcha e velocidade, mesmo com a menor rotação do motor produzida pelo câmbio mais longo. E o "sopro" do turbo podia ser ouvido, sutil, conforme se aumentasse o peso do pé direito.

O motor de 127 cv do SX passava a vir também no ELX e, mais tarde, no HLX durante o ano-modelo 1999. Na linha 2000 aparecia um propulsor menor e mais barato, sem perda de potência, para o Marea mais simples: o quatro-cilindros de 1,75 litro e 16 válvulas, também importado, com 127 cv e 16,7 m.kgf. Os dados oficiais indicavam que o desempenho do antigo SX 2,0 fora mantido, mas — apesar do uso de variadores do comando e do coletor de admissão — o motor entregava pouca força em baixa rotação e não lidava bem com o peso do carro.

O fato é que a Fiat havia optado por trazer o motor do esportivo italiano Barchetta, não a versão mais "mansa" de 113 cv que lá equipava Brava, Bravo e Marea — a razão mais provável é a intenção de conservar a potência do SX anterior, mesmo que o propulsor fosse pouco adequado. O Marea 2000 também trazia novos recursos como temporizador do controle elétrico dos vidros, luz interna temporizada e ajustes elétricos de altura e apoio lombar do banco do motorista — vinculados a bolsas infláveis laterais, que eram outra primazia do Marea no Brasil. Continua

Bravas realmente bravos
Os "carros musculosos" nasceram nos Estados Unidos quando a Pontiac lançou o GTO, um médio Tempest com o maior motor V8 da empresa, usado em seus carros grandes. Guardadas as proporções, a Fiat brasileira deu músculos ao Brava HGT ao montar três unidades com um motor especial: o cinco-cilindros de 2,45 litros do Marea.

O transplante, anterior ao lançamento do Stilo Abarth com a mesma mecânica, foi feito em caráter experimental. Não havia maior complexidade, pois Brava e Marea têm a mesma carroceria na parte dianteira e, afinal, o Bravo teve o motor de cinco cilindros e 2,0 litros na Europa.
Foi apenas questão de unir as peças "de prateleira", desenvolver escapamento adequado e reajustar o conjunto para o novo patamar de desempenho. Os carros ganharam rodas e capô do Marea Turbo, mas o logotipo "1.8 16V" do HGT foi mantido nas laterais para despistar...

Dos três carros, conta-se que o único de cor branca permaneceu com o fabricante e os demais, prateados, foram vendidos a jornalistas, um em Minas Gerais, outro em Brasília. A mesma fonte informa que o jornalista mineiro mantém o seu até hoje, mas o do outro mudou de mãos. Foram Bravas realmente bravos — pena que não chegaram ao mercado.
Em escala
Há poucas miniaturas da linha Marea no mercado internacional. A Giocher talvez seja o único fabricante com bom leque de opções. Fez sedã, Brava e Weekend em versões policiais, na cor azul, e brancos de rádio-táxi, todos em escala 1:43. Há também o hatch do comando do exército, em cinza; a Weekend ambulância, claro que branca; e o Brava civil em vermelho, prata, cinza escuro, azul, verde e preto. O acabamento, porém, não é dos melhores.

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