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por Iran Cartaxo

Gol 2000: mais desempenho sem prejuízo


Primeiramente quero parabenizá-los pelo trabalho realizado. Acabei de adquirir um Gol 1.6 99/00 modelo novo. Gostaria de saber o que fazer para melhorar o rendimento sem forçar muito o motor e tendo em vista que meu trajeto diário inclui estrada e cidade. Onde eu poderia achar um instalador que faça esse serviço bem-feito?

Fábio Espósito Pariz
fabiohetfield@hotmail.com
Bertioga, SP


Apesar de ser um modelo reestilizado e de o motor ter sofrido mais algumas modificações, para os novos Gols, do ponto de vista de preparação, ainda se pode considerar que se está lidando com os velhos e bons motores AP, que contam com uma infinidade de receitas, peças, venenos e regulagens há muito conhecidas dos preparadores, mesmo para as versões com injeção.

As curvas de potência (as mais altas) e de torque estimadas para o Gol 1,6 original, com preparação aspirada leve (em verde) e com turbo a 0,5 kg/cm² e intercooler (em vermelho)

Portanto a maior dificuldade será escolher entre a infinidade de receitas que podem ser aplicada a seu motor, qual delas se aplica mais a seu gosto e a seu bolso. Definir o uso que o carro terá é um bom ponto de partida: para uso em rua a preparação deve visar bom consumo, funcionamento estável e força em baixa rotação, para que o motorista não se canse com muitas trocas de marcha em trânsito.

Tendo essas qualidades em vista deve-se optar por uma preparação aspirada ou sobrealimentada, ou até por uma combinação da duas. Mas, como se deseja somente um razoável aumento de desempenho, sem que se avance muito sobre a margem de segurança de projeto do motor e do carro, a combinação de técnicas diversas de preparação não será necessária. Só lançando mão da preparação aspirada ou de alguma forma de sobrealimentação já se atingirão os objetivos traçados.

Uma receita aspirada que consegue bons e expressivos resultados sem prejudicar o uso em rua envolve a troca do comando de válvulas por um com 20° a mais de duração de abertura de válvulas e 6 mm a mais de levantamento, coletor de escapamento dimensionado e aumento da taxa de compressão em 0,5 ponto, para melhorar um pouco mais o torque, facilitando o uso do carro no trânsito.

Para a sobrealimentação deve-se esquecer o óxido nitroso, a não ser que se deseje uma aplicação que não considere o uso cotidiano da força extra disponível. O nitro se aplica mais a usos esporádicos, devido à pouca autonomia e alto custo de recarga. Então a opção fica com o turbo, já que um compressor de acionamento mecânico traria uma complicação desnecessária para ser encontrado e aplicado a este motor.

Um turbo funcionando a 0,5 kg/cm², em conjunto com um bom intercooler aletado, já seria mais que suficiente para dar o rendimento extra que você procura, Fábio -- e não forçaria de forma alguma o motor.

Observe o desempenho a ser esperado:

  Original Preparação aspirada Preparação turbo
Potência máxima 92 cv 109 cv 143 cv
Rotação de potência máxima 5.600 rpm 6.200 rpm 5.600 rpm
Velocidade máxima 168 km/h 177 km/h 194 km/h
Rotação à velocidade máxima 4.915 rpm 5.200 rpm 5.695 rpm
Aceleração de 0 a 100 km/h 14,4 s 12,6 s 10,3 s
Torque máximo 13,9 m.kgf 14,6 m.kgf 21,6 m.kgf
Rotação de torque máximo 3.000 rpm 3.350 rpm 3.000 rpm
Aceleração longitudinal no interior do veículo 0,43 g 0,49 g 0,60 g
A margem de erro é de 5% (para cima ou para baixo), considerando-se instalação bem-feita. Calculamos a aceleração de 0 a 100 km/h e a aceleração longitudinal máxima (sentida no interior do automóvel) a partir da eficiência de transmissão de potência ao solo do carro original. Para atingir os resultados estimados pode ser necessária a recalibragem da suspensão, reforços no monobloco e/ou o emprego de pneus mais largos. A velocidade máxima estimada só será atingida com o ajuste recomendado da relação final de transmissão. Os resultados de velocidade são para velocidade real, sem considerar eventual erro do velocímetro. A rotação à velocidade máxima é calculada considerando a relação atual de transmissão.
Algoritmo de simulação de preparação de motores desenvolvido pelo consultor Iran Cartaxo, de Brasília, DF.
Para ambas as preparações citadas, aspirada ou turbo, o mais importante -- e provavelmente mais difícil -- será adaptar o sistema de injeção às novas características do motor. Mas em se tratando de um motor AP, será mais fácil achar um preparador e equipamentos para a adaptação. As opções são um remapeamento ou o uso de caixas de gerenciamento extra, ou mesmo de uma injeção extra. Pouco importa qual a técnica usada, desde que seja capaz de prover a alimentação adicional de combustível necessária, mantendo a leitura da sonda lambda nos níveis ideais, e de ajustar a curva de ponto de ignição para a configuração correta.

As peças necessárias para a implementação desta preparação são facilmente encontradas, tanto usadas como novas, sendo até baratas caso se tenha a paciência de procurar e pechinchar. Também são inúmeras as lojas de preparação no País capazes de executar tal veneno sem complicações.

O conjunto de rodas e pneus 195/50 é superdimensionado para o desempenho original e fica ideal para os desempenhos simulados. Os freios podem se tornar insuficientes, mas nada que um jogo de pastilhas mais macias, facilmente encontráveis para Gol, não possa resolver.


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