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por Iran Cartaxo 

Gol 1,6: receita aspirada para
andar como o GTI 16V


Possuo um Gol CL 1.6 Mi 97, com comando 272° do Seat Ibiza, taxa de 11:1, escape de 2 pol, mantendo apenas o abafador final e com 2 abafadores no meio, do tipo vazado direto para minimizar o barulho, borboleta trabalhada com 3 mm a mais de diâmetro, polia regulável, filtro cônico K&N e chip reprogramado. O jogo de molas Motorquality, 50 mm mais curtas, e os amortecedores mais firmes (apenas na frente) permitiram um ganho razoável em arrancadas, mesmo antes das modificações no motor, e ainda influenciam em aerodinâmica.

Gostaria de saber:

1) Qual o rendimento e desempenho atual? Meus objetivos são velocidade máxima de 200 km/h e aceleração de 0 a 100 em 9,5 s.

2) Vou colocar os pistões e bicos do 1.6 Mi álcool e refazer o chip. Qual será a taxa de compressão resultante? Qual o ganho dessas novas modificações?

3) O preparador sugeriu a troca do câmbio pelo do 1.8 porque o original é muito longo, mas consultando o manual do carro, vi que a diferença está apenas na 4a., 5a. e no diferencial. Ou seja, a meu ver, o câmbio seria encurtado mas não passaria a ser um close-ratio. Em vez de trocar o câmbio, eu optaria por trocar apenas o diferencial, mantendo a 4a. e 5a. mais longas para privilegiar consumo em estrada. A questão é se haverá ganho em aceleração e arrancada com essa troca que compense o gasto.

4) Estou interessado em montar um sistema Ram Air caseiro no carro, mas o trabalho não é pequeno e, antes de mais nada, gostaria de saber o ganho de um sistema desses em relação ao filtro K&N puro e simples.

5) Fiz uma chave que desliga o alternador caso eu necessite numa eventual arrancada. Quantos cv isso pode me adicionar?

6) Junto com o trabalho para álcool, o preparador vai colocar uma chave para rodar a gasolina. Pelo que entendi a chave corta o avanço e permite andar com gasolina mesmo com taxa muito alta. Qual o desempenho nessa situação?

7) Gostaria de sugestões para retrabalhos futuros, principalmente no cabeçote, mantendo a aparência original do motor, à exceção apenas do filtro e escapamento -- já que eventualmente participo de campeonatos em categorias originais, o filtro original é facilmente reinstalado e o escapamento não é verificado. Turbo, nitro e compressores não são de meu interesse.


Rogério Ribeiro
Belo Horizonte, MG
jagwar@ean.com.br

O mundo das preparações realmente oferece milhares de possibilidades. Mesmo para um carro já tão atendido neste Consultório, como é o caso do Gol, sempre aparece algum leitor com novas dúvidas e uma preparação que, mesmo não sendo revolucionária, traz algo de novo e interessante para ser discutido.

Fazer uma preparação aspirada em um carro equipado com injeção é algo que pode ser muito recompensador. Os resultados obtidos, quando se faz uso das técnicas corretas, conciliam suavidade de funcionamento, baixa manutenção, economia e potência -- muita potência.

As curvas de potência (as mais altas) e de torque estimadas para o Gol 1,6 Mi original (em azul); com a preparação atual (em roxo); com a preparação a álcool (em verde); e com uma preparação aspirada forte (em vermelho)

A preparação já efetuada é bem equilibrada. Todas as implementações foram feitas de forma proporcional, não restando nenhum ponto e ser checado. O comando de válvulas é compatível com o trabalho no corpo de borboleta, sendo ambos por sua vez compatíveis com o conjunto de escapamento. O filtro foi bem vindo, apesar de não trazer grande ganhos -- em preparação aspirada até 2% a mais são interessantes. Só ficou faltando mesmo o coletor de escapamento dimensionado, que poderia adicionar até 4% de potência sobre o que já se tem.

A técnica usada para reajuste da regulagem é bem adequada: nestas condições um bom remapeamento atende muito bem. A elevação da taxa de compressão também é uma medida acertada. A taxa de 11:1 em um carro a gasolina é bastante alta, portanto propensa à detonação, mas nada que um bom remapeamento não possa contornar. E os ganhos em potência, torque, economia e até emissão de poluentes são compensadores.

O trabalho feito na suspensão realmente ajuda bastante numa arrancada. Baixar apenas a frente minimiza a tendência de transferência de peso para as rodas traseiras em uma aceleração forte, o que é benéfico, ainda mais em se tratando de um carro com tração dianteira. O inconveniente é que esta medida deixa o carro com um comportamento "nervoso" em curvas, tornando difícil a correção de qualquer erro nas tomadas mais rápidas.

Evolução   Os melhoramento pensados para seu carro, apesar de um pouco radicais, trarão resultados. Transformar o motor para funcionar com álcool, através da troca dos pistões e dos bicos injetores pelos do modelo a álcool, é o melhor procedimento. Nem o necessário remapeamento após a operação foi esquecido. Em muitas transformações do gênero o remapeamento é deixado de lado, mas sem ele a regulagem fica longe do ponto ideal -- o motor fica mais fraco e consumindo mais.

A vantagem de levar o motor a funcionar com álcool está na maior resistência à detonação que este combustível apresenta. Permite, assim, o uso de uma taxa de compressão mais elevada, que compensa a perda de força devido ao menor poder calorífico do álcool. E ainda pode trazer uma potência e torque a mais, se a nova taxa for suficientemente alta.

Neste caso, a troca dos pistões elevará a taxa dos atuais 11:1 usados com gasolina para 14,8:1, ideal para uso do álcool, e será bastante alta pra trazer certo ganho em potência e torque. Mais uma vez a taxa ficará no limite de detonação, mas nada que não seja contornável pelo remapeamento.


O mais interessante do planejado para a evolução desta preparação está no uso do sistema de admissão induzida, ou Ram Air. Esse sistema consiste em colocar uma tubulação de admissão de forma a aproveitar a energia cinética do ar que vai de encontro à frente do veículo, para induzir a admissão nos cilindros -- o efeito é algo semelhante ao que faria um compressor tipo Roots ou blower, mas em escala bem menor.

Para que funcione corretamente, a tubulação não deve conter curvas acentuadas ou qualquer outra forma de perda de carga, e sua entrada deve ser localizada na região de maior pressão aerodinâmica positiva na frente do veículo -- quer dizer, deve ficar onde o ar incide com mais força.

O projeto enviado pelo leitor (veja desenho) tem somente dois inconvenientes. O primeiro é relacionado com o perigo de calço hidráulico: como a tomada de ar fica muito baixa, qualquer alagamento, mesmo pequeno, levará o motor a aspirar água, provocando o calço e seus efeitos extremamente danosos (saiba mais). O segundo é a presença de duas curvas de 90° na tubulação de admissão: como são muito bruscas, causam grande perda de carga, reduzindo em muito a eficiência do sistema.

O melhor é fazer uma tubulação quase reta em direção à grade dianteira, onde a pressão aerodinâmica é alta. A tubulação será mais curta e quase não necessitará de curvas, podendo estas serem feitas com baixa angulação e grande raio. Assim afasta-se o risco de calço e a eficiência será bem maior. O resultado disso? 
Continua

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