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por Iran Cartaxo 

Gol 1000: turbo ou motor
AP-2000 para dobrar a potência


Tenho um Gol Special 2001 com 10.500 km, ar-condicionado, sem direção hidráulica. Gostaria de saber se a adaptação de um motor AP 2000 a álcool é viável. É só tirar um e colocar o outro ou devem ser feitas adaptações para fixar este motor? É possível e viável manter a injeção eletrônica seqüencial original, ou devo substituir pelo carburador Weber 3E? Como ficam as peças ao redor do motor? Podem ser mantidos o motor de partida, alternador (90 Ah) com correia poli-V, compressor do ar-condicionado, bomba de óleo, bomba d'água, bobina, distribuidor, mangueiras, etc.? O que deve ser substituído?

O atual câmbio suportará? Ficará muito curto? Devo alongar o diferencial, substituir tudo? Devo colocar a embreagem original do Santana 2000, de Kombi ou outra? O sistema de radiador e vaso de expansão, o tanque original de plástico, a bomba elétrica e o coletor de escapamento podem ser mantidos? Se sim, é melhor utilizar um 4x1? O sistema atual de freios é suficiente? Na suspensão devo somente alterar regulagens, ou substituir molas e amortecedores? É recomendável a utilização de rodas aro 15 pol com pneus 195/50 ou aro 16 com pneus 205/45? Se optar por um turbo poderei atingir os mesmos valores de rendimento, consumo e durabilidade?


Sidney A. S. Henrique
São Paulo, SP
sidney@enterprise.ppg.br

A pouca força dos tão vendidos carros de 1.000 cm3 tem criado um grande mercado para o pessoal que trabalha com preparação. Mesmo assim não são muitos que se aventuram a mudar o comportamento de seu carro, e mesmo os que se interessam esbarram num problema: o que fazer em um motor tão pequeno que algumas motos chegam a ter cilindrada maior?

Realmente não há muitas soluções. Preparações aspiradas ou alterações de regulagem não dão resultados satisfatórios para a maioria, pois dependem da capacidade de admissão do motor, neste caso restrita pelo pequeno volume. O refúgio fica mesmo no âmbito da sobrealimentação ou, para os mais radicais, vale a ordem "tira logo esse motor daí e coloca outro!".

A sobrealimentação é um bom recurso, porque aproveita o motor original e pouco depende de sua cilindrada. Trata-se de empurrar mais oxigênio para dentro do motor, quer usando ar comprimido (turbos e compressores), quer adicionando um gás com oxigênio à mistura (injeção de nitro). Com isso podem-se obter facilmente potências da ordem de 3 vezes a original. Com os atuais motores 1.000 em torno d os 65 cv, isso daria mais de 190 cv, impressionante para tal cilindrada. Mas aí vem a pergunta, o motor suporta?

Para obter potências semelhantes às de motores bem maiores é preciso repetir a capacidade de admissão destes motores. Ou seja, considerando inclusive a sobrealimentação, um motor 1.000 deverá admitir tanto oxigênio quanto um motor 2.000 para se pensar em ter a mesma potência -- e isso eleva sobremaneira os esforços, tanto dinâmicos quanto térmicos.

O excesso de esforço é o problema. Imagine um motor com uma preparação média-alta, ou seja, com sua potência dobrada, que rende apenas o mesmo ou pouco mais que um motor 2,0-litros original... Frustrante! Um motor preparado exige reforços e cuidados especiais, e quanto mais forte a preparação, maiores os cuidados, os problemas, os reforços, a manutenção e o custo. E tudo isso pra atingir resultados que se podem ter com um motor original!

As curvas de potência (as mais altas) e de torque estimadas para o Gol Special original (em azul); com motor AP 2,0 (em roxo); com turbo a 0,9 kg/cm2 (em verde); e com turbo a 1,2 kg/cm2 e álcool (em vermelho)

Então, nestes casos, o aparente radicalismo de trocar o motor começa a se tornar uma opção racional. Qual o motor então? O ideal é usar um do mesmo fabricante, pois com isso aumenta a probabilidade de poder aproveitar componentes em comum, o que simplifica a adaptação do novo motor. No caso do Gol, o ideal é mesmo partir para um modelo da linha AP.

Comprar e adaptar um motor destes não chega a ser caro. Muitas vezes é mais barato que uma preparação que dobre a potência. Podem ser adquiridos legalmente em desmanches, mesmo usados, bastante completos. E toda a documentação do carro pode facilmente ser legalizada bastando que se tenha em mãos todas as notas e comprovantes.

A adaptação do AP-2000 no lugar do AT-1000 pode ter a complexidade que se desejar, sabendo-se que quanto mais complexa, também mais completa e correta ficará a adaptação. Complexidade, neste caso, significa que mais sistemas sejam trocados e não só o motor. Não serão criadas soluções ou peças, como é necessário em algumas trocas de motor.

Vejamos a descrição de uma troca ideal de motor para este caso. Além do motor, os coxins, suporte de fixação, sistema de refrigeração, de alimentação, câmbio, semi-árvores de transmissão, suspensão e freios deveriam ser substituídos pelos do Gol 2,0 original de fábrica. No oposto, a adaptação mínima seria somente colocar o motor com um carburador, ligá-lo ao câmbio e ao sistema de refrigeração originais -- e deixar todo o resto como está.

A primeira tem a vantagem de se poder desfrutar de toda a tranqüilidade e segurança de um projeto original, e a desvantagem de ser cara. A segunda tem a vantagem de ser barata, mas a desvantagem de que todo o resto ficará subdimensionado, limitando o uso da potência ou a segurança.

Mesmo a opção mais simples é recheada de detalhes, dúvidas e pequenas dificuldades, que requerem inúmeras decisões. Por sorte a maioria é de esclarecimento simples, e vamos a elas:

É possível, sim, utilizar os pontos de fixação originais, mas o ideal é trocar todos os coxins por outros do Gol 2,0, que têm o dimensionamento da parte emborrachada mais adequado às novas forças que atuarão.

A injeção seqüencial original pode ser adaptada, inclusive usando todos os sensores originais do 1,0. Mas terá de ser feito extenso trabalho de reprogramação e a troca de injetores (ou retrabalho dos originais). São poucos os profissionais no Brasil capazes de obter bons resultados em tal tarefa.

Existe sempre a opção do carburador. Aí cabe ao proprietário comparar o custo de uma injeção do motor 2,0, o do retrabalho da injeção original e o do carburador. As duas primeiras opções obtêm melhor resultado em desempenho, homogeneidade de resposta e economia; a última é mais barata e também obtém resultados aceitáveis.

Dos agregados vale a pena manter o alternador e o compressor do ar-condicionado. As polias podem ser adaptadas ao novo motor: é só conseguir um mecânico bom em geometria espacial, pois será um trabalho de rearrumar peças. Não aceite resposta do tipo "não dá para fazer, pois vai bater em peça tal ou vai tomar o lugar de outra peça" -- são problemas menores e de fácil solução.

Bombas d'água e de óleo, distribuidor, mangueiras e agregados menores devem ser adquiridos junto ao novo motor, que muitas vezes já é vendido com essas partes, principalmente se adquirido em desmanche. As mangueiras devem ser novas, para evitar vazamentos e surpresas desagradáveis por causa de componentes tão baratos.

O câmbio ficará extremamente curto. Já é um pouco curto para o motor 1.000, imagine com o 2.000 e todo seu torque. Em velocidade máxima, por exemplo ,o câmbio atual resultará em excesso de mais de 1.800 rpm, como se observa na simulação. Como solução pode-se trocar o câmbio original pelo do Gol 1,6 ou mesmo o do antigo 1,8 (até 1994), que era ainda mais longo.

A troca apenas do diferencial já traz resultado mais que satisfatório, baixando a rotação a 185 km/h para 5.600 rpm. Mas pode-se encontrar uma pechincha de câmbio inteiro, inclusive com platô e embreagem, o que permite guardar o outro câmbio ou dá-lo na troca. São opções que o proprietário deve avaliar.

Disco e platô da embreagem devem ser os mesmos do Gol ou Santana 2,0, sob risco de trocas freqüentes do disco ou de perder potência em uma arrancada devido ao mau acoplamento do conjunto. Mas outras soluções são possíveis, como um reforço no conjunto original ou o uso do sistema da Kombi. Desde que a embreagem suporte bem a força, tudo estará bem.

Muita coisa? Tudo isso ainda não é nem um décimo das questões que podem aparecer.  Continua

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