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Ford GT90: supercarro com 12 cilindros
e 720 cv para ultrapassar 400 km/h

Nos anos 60, o carro de corridas GT40 "lavou a alma" da Ford na 24 Horas de Le Mans — prova que ele venceu por quatro edições — depois que Enzo Ferrari recusou a proposta de compra de sua fábrica pelos norte-americanos. Três décadas mais tarde, para o Salão de Detroit de 1995, a Ford buscou reinterpretar aquele mito das pistas com o carro-conceito GT90.

Não se tratava de um modelo de estilo retrô, pois suas formas esbanjavam modernidade. Do GT40 restava apenas uma inspiração em termos de proporções. Embora o oval de seu emblema fosse o tema preferido da Ford para modelos de produção da época, como Taurus, Mondeo e Fiesta, no GT90 o triângulo era o elemento mais marcante, bem percebido nas tomadas de ar laterais, em itens da traseira (como o conjunto de saídas de escapamento) e no interior. De certa forma, a combinação de curvas e arestas foi transmitida mais tarde a carros de série como os primeiros Ka e Focus.

O conceito usava um chassi monocoque de alumínio e carroceria com painéis de fibra de carbono, com soluções como o aerofólio traseiro integrado ao estilo, mas apto a se destacar em alta velocidade. A cabine bastante avançada evidenciava a posição central-traseira do grande motor.

Mesmo o GT90 não tendo surgido com a intenção de ser fabricado em série, a empresa queria um conceito funcional. Assim, o motor escolhido — um V12 de 5,9 litros com quatro válvulas por cilindro e quatro turbocompressores — derivava de componentes de produção. O bloco partia de dois motores V8 da divisão Lincoln, com redução de quatro cilindros, e os resultados eram potência de 720 cv a 6.600 rpm e torque de 91,3 m.kgf a 4.750 rpm para lidar com o peso de 1.450 kg.

Tanto a transmissão, com câmbio manual de cinco marchas, quanto a suspensão (independente por braços sobrepostos à frente e atrás) foram aproveitados do Jaguar XJ220, supercarro de produção reduzida que a marca inglesa, então pertencente à Ford, lançara em 1992. As rodas dianteiras eram de 18 pol, com pneus 275/35, e as traseiras de 19 pol com imensos 335/30. E os pneus traziam um charme impensado em um carro de série: o nome GT90 no desenho das bandas de rodagem.

Pelos dados informados pela Ford, uma versão de produção teria antecipado o patamar de desempenho que o Bugatti Veyron atingiria 10 anos depois: máxima de 407 km/h e aceleração de 0 a 100 km/h em 3,1 segundos. O GT90 foi usado em uma turnê de salões no ano de estreia, tendo aparecido em Frankfurt e mesmo em Tóquio.

Texto: Fabrício Samahá - Fotos: divulgação

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Data de publicação: 3/3/12

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