Hora da arrumação

Trânsito em São Paulo, que bate recordes de lentidão,
pode se agravar se não for combatido o problema

por Gino Brasil

São Paulo bateu mais um triste recorde neste mês de maio. Há cerca de 15 dias a cidade registrou o trânsito recorde de 266 quilômetros de congestionamento, no fim de tarde de uma sexta-feira. Recorde absoluto.

Normalmente recordes são marcas interessantes e que mostram superação, esforço e dedicação a determinada atividade ou tarefa. Não nesse caso. Aqui ele mostra descaso e despreparo. E nos lembra que muita coisa tem de ser feita para solucionar o problema do trânsito em São Paulo — e para servir de exemplo às demais capitais do País, para que elas não atinjam esses números vergonhosos.

Concorreram para o megacongestionamento diversos acidentes, com carros e caminhões, em pontos estratégicos para a fluidez do tráfego. Até concordo que foi uma somatória de eventos infelizes, mas isso nos demonstra que precisamos ficar de olho nas condições de tráfego, de maneira que isso não se repita. Caso contrário, congestionamentos como esse não serão mais esporádicos.

Enquanto estava preso no engarrafamento, pensei muito nas causas que nos fizeram chegar a esse ponto e também em possíveis soluções. A primeira coisa que me veio à cabeça foi a quantidade de carros. Temos carros demais nas ruas e as vendas não param de crescer.

Curiosamente, no mesmo dia, assisti a uma palestra em que foi demonstrado que, embora o mercado de carros esteja crescendo de forma vertiginosa, os mercados de São Paulo e Rio de Janeiro são os que menos crescem. Grande parte desse crescimento ocorre nas regiões onde o carro não era tão presente na vida das pessoas. Esse é um dado interessante, que demonstra que a população brasileira em geral está se motorizando e o acesso a esse bem já atinge regiões não abrangidas anteriormente. Demonstra também uma melhora na condição de vida de boa parte da população, que já consegue adquirir um automóvel.

Soluções
Ocorre que um crescimento qualquer, por menor que seja, em uma base grande é um crescimento considerável e, dependendo da situação em que se encontra a cidade, pode ser um complicador. Dessa maneira, temos que o aumento da frota de veículos colabora com a situação de trânsito caótico, mas não é o único fator. Existem diversos outros.

Lembrei-me do transporte público — ou melhor, da falta dele. Essa falta, sim, tem grande responsabilidade no incremento dos números de congestionamento. É evidente que o proprietário de automóvel, diante das condições precárias do transporte de massa, fará todo o possível para usar o carro no dia-a-dia. Mas, para implementar um transporte coletivo de qualidade, demandam-se tempo e dinheiro, recursos escassos em qualquer metrópole brasileira, a despeito da grande quantidade de tributos que somos obrigados a recolher.

Existe também a ineficácia da fiscalização como um dos motivos do trânsito caótico. Fiscalização não somente dos automóveis em mau estado, mas também dos motoristas. O estacionamento irregular, por exemplo, é apontado por especialistas como um grande vilão nesses casos. A fiscalização dos veículos, por sua vez, pode tirar das ruas os carros mal conservados e sujeitos a problemas freqüentes, que criam "gargalos" nas vias quando quebram.

Uma questão muito discutida e que produz polêmica é a implementação de pedágio urbano. Em minha opinião, essa medida transferirá os congestionamentos de uma região para outra, não trazendo o efeito desejado. Essa medida deveria ser deixada de lado em prol de outros estudos com efeito mais imediato e eficaz.

A meu ver, a fiscalização séria e eficaz da frota e dos motoristas, cumulada à fiscalização das regras de trânsito e adequação das normas às reais necessidades das grandes capitais, é o caminho mais curto e eficaz para o problema de excesso de tráfego. Se não houver medidas dessa natureza em cidades como São Paulo, dado o aumento de frota que estamos vivenciando, em pouco tempo os sérios problemas ganharão uma dimensão difícil de lidar e, mais ainda, de solucionar.

As alternativas estão se esvaindo a ponto de podermos afirmar: ou se arruma a casa ou se arruma a casa.

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Data de publicação: 20/5/08

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