Atenção às menores

Embora as estradas terceirizadas tenham melhorado,
as pequenas e do interior ainda carecem fiscalização

por Gino Brasil

Logo após feriados prolongados, sempre temos os dados de congestionamentos e acidentes nas estradas. Neste feriado de Tiradentes não foi diferente e hoje (22) a Polícia Rodoviária Federal divulgou que, pela primeira vez no ano, os índices de acidentes, mortos e feridos superaram os números obtidos no mesmo feriado do ano anterior. Ainda segundo a Polícia, isso ocorreu em razão das chuvas em vários estados, a imprudência dos motoristas e também a falta de agentes fiscalizando as estradas.

Nesse mesmo período, tive a oportunidade de rodar mais de 1.000 quilômetros pelo interior paulista e me deparei com diversas situações que corroboram os dados do relatório apresentado. A situação mais perceptível é a falta da figura do policial rodoviário. Ao trafegar sobretudo pela Rodovia dos Bandeirantes e pela Marechal Rondon, pude observar que os postos policiais andam às moscas. Normalmente há um ou dois policiais dentro do posto — não mais aquela figura do guardião da estrada, em pé à sua margem, observando todo o movimento de carros, caminhões, ônibus e motos.

Diante dessa cena, a primeira coisa que vem à cabeça é que o efetivo está ocupado com outra tarefa, ou ainda fazendo a tão necessária ronda pelas estradas. Ocorre que, depois de rodar diversos quilômetros, percebemos que a ronda não está sendo realizada e, ao que parece, não estão cumprindo nenhuma outra função, como atender a um acidente. Não foi notada nenhuma viatura rodando e fiscalizando as estradas em toda a viagem.

Tal fato nos leva a crer que o contingente policial é insuficiente para cobrir toda nossa malha viária, suspeita que é confirmada com o próprio relatório da Polícia Rodoviária. Assim, a fiscalização de veículos sem mínimas condições de rodagem é deixada de lado e eles continuam a rodar impunemente e a colocar em risco os demais motoristas.

Ocorre que esse não é o único tipo de infração que poderia ser combatida com uma adequada fiscalização. Seriam evitados carros com excesso de ocupantes e/ou de carga, sem a iluminação regulamentar, sem documentação — enfim, todos aqueles que, por um motivo ou por outro, não estariam em condições de rodagem. Essa fiscalização não ocorre porque quem deveria ver não viu: esse servidor foi substituído por equipamentos eletrônicos que só cuidam de uma modalidade de infração, o excesso de velocidade.

Parece que as autoridades se esquecem que os equipamentos eletrônicos existem como meio complementar da fiscalização, não como meio principal. Ainda não há substituto para o policial bem formado e informado, com poderes de autuar e educar a população.

Com uma estrutura de fiscalização como essa, certamente continuaremos com altos índices de mortalidade e de acidentes nas estradas. Fiscalizar somente a velocidade, e por meios eletrônicos, dá aos motoristas a sensação de que é lícito andar à velocidade que se deseja e dirigir como se quiser onde o equipamento não está instalado. Isso sem duvida abre margem para outras infrações, que também ensejam acidentes graves.

A falta de fiscalização fica ainda mais evidente nas estradas pequenas, que ligam as rodovias principais a diversas cidades. Nesses locais a fiscalização é praticamente nula. Inexistem até os famigerados radares, tornando essas estradas terras de ninguém. Como agravante, nelas há um tráfego intenso e constante de carros e caminhões que fica totalmente desamparado de fiscalização e controle.

Trazendo pela memória as privatizações recentes que tivemos em diversas estradas do país, é evidente que os entes federativo e estadual têm recursos para investir na melhoria das rodovias secundárias — sobretudo o estado de São Paulo, que cobra das concessionárias, no momento da concessão para exploração das rodovias, uma licença de concessão, além dos valores obtidos com o pagamento do pedágio. Isso obriga ainda mais o estado a investir nessas estradas, que continuam sob sua tutela e estão abandonadas.

Cuidar do recapeamento, da fiscalização, da sinalização e demais providências necessárias para uma utilização saudável dessas estradas é um dever ainda maior do poder público. Recursos para tais providências existem. Sem esquecer que o pedágio é cobrado também em rodovias que não tiveram sua administração passada a terceiros, de maneira que ainda se obtêm recursos por essa fonte.

Para combatermos com rigor o grave problema das estradas é preciso investir na fiscalização e rigor na aplicação da norma, tornando-a eficaz e aplicável.

Colunas - Página principal - Escreva-nos - Envie por e-mail

Data de publicação: 22/4/08

© Copyright - Best Cars Web Site - Todos os direitos reservados