Peça legal

Além da qualidade, a manutenção dos veículos tem
de observar as especificações dos componentes

por Gino Brasil

Nem todo proprietário dá a devida importância à manutenção do veículo, mas sabemos que a manutenção correta e tempestiva do automóvel garante sua melhor preservação possível, além de sua utilização sempre corresponder ao que foi previsto no projeto e no desenvolvimento. Os benefícios serão imensos, como melhor aspecto geral do automóvel, um rodar melhor e mais seguro, sem contar que o dono do carro colabora com a coletividade, pois seu veículo está mais perto dos parâmetros estabelecidos pelo fabricante, ficando assim dentro dos limites de emissões poluentes, por exemplo.

Veículos bem mantidos estão também dentro dos padrões de segurança estabelecidos no projeto, o que traz benefícios ao proprietário e ao trânsito em geral, pois um veículo mais seguro tem menos chance de se envolver em acidente. Com isso, evitam-se transtornos ao proprietário, aos demais usuários das vias e, indo mais longe, a todo o sistema de serviços públicos.

Ocorre que a manutenção, além de periódica, deve ser criteriosa. Ou seja, devem-se usar componentes e peças especificados para o modelo e cuja procedência seja conhecida e garantida. Do contrário, todo esse esforço vai por água abaixo. A manutenção, que muitas vezes é bastante dispendiosa, pode não ter efeito nenhum caso os componentes utilizados estejam fora da especificação da fábrica e não tenham a qualidade e a procedência necessárias.

Entretanto, há outro problema grave e que é esquecido pela grande maioria, que é o veículo ficar fora das normas legais. Os automóveis e seus componentes são projetados levando em conta diversos padrões de segurança. Esse aspecto é tão sério que, se os fabricantes não os seguirem, seus veículos não poderão ser homologados e atestados como dentro das normas vigentes.

Só que, a partir do momento em que as características do veículo são alteradas, em razão do uso de peças que não condizem com as especificações do fabricante, temos nas mãos um veículo irregular, teoricamente passível de apreensão e gerador de muita dor-de-cabeça e gastos financeiros para seu proprietário.

Peças irregulares
Um exemplo muito citado, mas que traz boa visibilidade da situação, é o de amortecedores fora de especificação. Não chego ao ponto de tratar aqui dos carros rebaixados e que estão fora de regulamentação de forma propositada, mas sim daqueles veículos em que é necessária a troca do componente e, por questão de custo ou qualquer outra, acaba-se usando um amortecedor que não segue as especificações do veículo. Isso faz com que o veículo fique em situação irregular e, pior, correndo sério risco, pois já não apresenta características originais de projeto para rodagem.

Outro exemplo que vem ocorrendo com certa freqüência é a existência, no mercado de reposição, de vidros temperados para o pára-brisa. A norma do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que tem força de lei, determina que todos os veículos tenham pára-brisa de vidro laminado. A oferta dessas peças irregulares no mercado de reposição é um problema sério, que precisa ser combatido, pois o vidro temperado pode trazer graves danos pessoais no caso de quebra. Há até mesmo redução da eficácia da bolsa inflável do passageiro, que na maior parte dos casos usa o pára-brisa como apoio para o enchimento completo.

Já na questão de emissões poluentes influi de modo decisivo o catalisador, item necessário em todo automóvel há 10 anos para que atenda aos limites legais. Quem já precisou substituí-lo sabe que, ao lado da peça original (e às vezes cara), se encontram "alternativas" mais baratas que muitas vezes não passam de elementos vazios, sem a capacidade de provocar reações químicas para limpeza dos gases de escapamento.

É importante lembrar que existem equipamentos que, por sua localização ou visibilidade, tornam muito difícil à fiscalização saber se estão dentro ou fora de especificação, mas isso não livra o proprietário do risco de usar peças irregulares.

Não é demais lembrar: a manutenção correta do veículo tem de ser realizada não somente para cumprir as normas à risca, mas porque assim estaremos preservando nosso meio de locomoção e garantindo nossa própria segurança e a de todos os que estão ao redor.

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Data de publicação: 25/9/07

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