Simples e eficaz

Proposta de alteração no currículo escolar pode trazer
grandes benefícios ao trânsito e à sociedade

por Gino Brasil

Um dos principais assuntos que temos tratado em Questões de Direito são os projetos de lei que os deputados federais elaboram. Na maioria das vezes, acabamos por criticar os projetos que contêm idéias pouco eficazes ou, pior, que não trariam benefício algum à população, aos motoristas e participantes do trânsito em geral.

Uma reclamação que fazemos com certa freqüência é que os projetos de lei estejam preocupados em punir os motoristas de maneira pecuniária, para engordar os cofres do poder público, esquecendo que o mais importante para melhorar o trânsito é educar os motoristas e pedestres. Mas — felizmente — não são todos os representantes eleitos pelo povo, cuja função é preservar e defender nossos interesses, que se preocupam só em encher os cofres públicos. Muitos buscam melhorar as condições da população e criar regras para que o convívio no trânsito seja melhor para todos.

É o caso do Deputado Cleber Verde (PAN-MA), que elaborou a Proposição nº 163/2007. Uma proposta singela, que não gera muitos custos e que pode ter um efeito muito positivo e de grande valia para todos. A idéia é brilhante e sem complicação: incluir nas disciplinas básicas do ensino fundamental a de noções básicas de trânsito. Nada mais simples, mas eficaz e que, feito corretamente, surtirá efeitos dos mais benéficos e a médio e longo prazos.

O objetivo de uma ação dessas é bem claro: promover, por meio do conhecimento e da informação, mudanças de comportamento que permitam uma melhor convivência social, diminuindo o número de acidentes, facilitando a locomoção de pessoas e organizando a estrutura das cidades. O mais importante desse objetivo está no fato de a idéia central da proposição buscar uma mudança de comportamento, não só dos motoristas, mas de todos que de alguma forma interagem com o trânsito.

Isso é essencial, pois também cria noções de trânsito para os pedestres, esses que tomam parte direta no trânsito, mas são esquecidos por todos pelo fato de não estarem dentro de um veículo. Os pedestres, além de serem mais vulneráveis em um acidente, também possuem responsabilidades nesse sentido, pois devem saber os locais em que se pode atravessar uma via e quando atravessar; saber que muitas vezes o motorista é impotente dependendo da forma que o pedestre se coloca diante de um automóvel, pois existe tempo de reação, tanto do motorista quanto dos veículos, que variam de maneira expressiva; saber calcular o tempo de aproximação de um veículo e sua velocidade, algo que já é difícil para o motorista habituado.

A mudança de comportamento é fundamental para que nosso trânsito se torne melhor, mais humano, menos sangrento. Os números de mortes em decorrência de acidentes de trânsito, embora venham caindo, continuam assustadores. Já dissemos aqui, mais de uma vez, que a solução para nosso problema não vai surgir com a aplicação de multas que cada vez mais engordam os cofres públicos, sem surtir efeito prático.

O que é necessário para que tenhamos um trânsito humano é justamente o que temos nessa proposição, ou seja, uma mudança de comportamento. E, melhor ainda, uma mudança que vai começar pela base, ou seja, pelas crianças e jovens que ainda não dirigem, mas que, quando se colocarem atrás do volante, já terão incutido noções de como se portar para que o trânsito seja melhor e mais pacífico. Com proposições como essa, fica cada vez mais evidente de que não é necessário tomar medidas mirabolantes e que trazem gastos estrondosos. Idéias simples e diretas bastam para que a sociedade funcione de maneira ordeira e benéfica a todos.

Mas, além de idéias simples e diretas, é necessário algo que há muito não vemos em nosso país: a vontade de fazer e construir algo, sem se preocupar apenas com a própria parte ou com quanto cada um receberá ao final de uma ação. Muitas vezes, agir com vontade, simplicidade e vigor é mais do que suficiente para que o mecanismo social funcione a contento. Basta querer, fazer e, mais ainda, deixar que façamos. Ainda existe muita gente com vontade no País, gente que acaba mal aproveitada, mal entendida e deixada de lado.

Devemos agir com seriedade, postura e a noção de que vivemos em conjunto, de maneira a tornar esse convívio mais pacífico, sereno e proveitoso.

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Data de publicação: 10/4/07

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