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Para manter a liderança

Desenho renovado, motor flexível, a única cabine
estendida: os argumentos do reestilizado Fiat Strada

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação

Roberto NasserMelhor conformados como apelo de uso e mais baratos para falar direto ao bolso, os picapes Fiat Strada chegam ao mercado com missão clara: manter a liderança de vendas e ampliar a distância que a separa da General Motors e seu Montana, que obteve picos de venda e chegou a liderar o segmento.

Com a agregação de equipamentos, boa formulação estética, a presença da única versão com cabine estendida, capacidade de carga na faixa da concorrência e sensível diferença de preços, a Fiat entende ter reunido capital veicular para bancar a liderança. Os novos Stradas, com aparência melhorada por desenho corretivo de seu autor, o festejado Giorgetto Giugiaro — realçando a supressão da perigosa barra de impulsão, sem função e perigosa aos demais —, terão motorização 1,8 flexível em combustível.

O motor é comum ao Montana, eis que Fiat e GM trocam sinergias em motor e transmissão. Infelizmente antiguidade tem preço: vibra, é áspero, e pouco potente. Mas os concorrentes do setor não estão melhor. O VW Saveiro também usa propulsores antigos e o Ford Courier está distanciado em menores vendas. Para fazer uma barreira de preços a Fiat manteve em produção o modelo antigo, com o bom motor Fire 1,25.

Garante a Fiat que seus produtos têm maiores opções agregadas e que seus preços são menores que os similares da GM, VW e Ford, razões para seu objetivo de ampliar sua participação em 20% no imprevisível mercado de picapes pequenos.

A nacionalização da Fiat

A elevação do engenheiro Carlos Eugênio Moura, vivenciado em Fiats, à posição de Diretor de Produtos, substituindo o italiano Renato Saglimbeni, requisitado a auxiliar a diretoria da marca na Itália, transforma-a na empresa com maior quantidade de diretores brasileiros. Hoje a maioria é nacional: quatro contra três — nos primeiros, o superintendente Cledorvino Belini, primeiro da terra a ocupar a posição, que equivale à de primeiro executivo.

Belini tem um cadastro de respeito, ressaltando o processo de mineirização — a transferência de operações para Minas — dos fornecedores da Fiat. A Fiat Automóveis vive um período de estado de arte em sua performance: nunca projetou disputar a liderança, assumiu-a, mantendo-a há três anos; é o maior investimento da matriz fora da Itália; ocupa a posição de geradora de produtos e de tecnologia para exportações.

Faz mágicas de vendas em seus carros-chefes, o Uno e a família Palio, sem mudar os produtos, apenas renovando-os. E tem a seu favor comandantes que na Itália bem conhecem a empresa e seu potencial: Herbert Demel, que foi presidente da Volkswagen aqui, é o número 1 de lá; Gianni Coda, ex-superintendente no Brasil, faz parte do grupo diretor, junto com Alberto Giglieno, que o sucedeu e também levado para a diretoria italiana.

É uma volta, quase uma década após, da presença nacional no corpo diretivo da marca. Há uma década, um superintendente novo chegou e mudou tudo, sem maiores justificativas e razões. A empresa tem investido R$ 500 milhões ao ano na atualização de produtos.

Carro de perfumista, de costureiro: coisa de francês

Duas das marcas francesas presentes no país têm novidades em nichos. A Renault reedita a série especial O Boticário no Clio Sedan. É o mesmo automóvel agradável de andar se em motorização 1,6, fornecido em 2.100 unidades, com opção pelo motor 1,0. Caracterizam-no toques femininos, como espelho no pára-sol esquerdo, tecidos especiais nos bancos, que não desfiam meias.

A Citroën entra no caminho dos mais chiques. Bem-sucedido criador de moda — um dos 24 criadores autorizado a utilizar o rótulo "Alta Costura" —, o paulista Ocimar Versolato foi chamado para criar uma versão com assinatura pessoal. O automóvel, modelo C3 Exclusive OV, traz sua marca no mundo da moda, a preferência pelo preto. O interior dos veículos é nesta cor; com bancos em couro e tapetes personalizados, além de chaveiro e bolsa para fim de semana criadas pelo estilista. Externamente os carros serão pretos ou prata.

Não será série especial, mas a experiência inicial de elevar o nível de padrão, clientela e preço do C3, hoje às voltas com prejuízos. Segue a linha adotada pela Citroën, ao criar o Picasso com motor mais forte, e recentemente a versão com caixa automática, ambas de preço mais elevado.

A idéia é identificar o C3 com a imagem de Versolato, que em paralelo implanta série de oito lojas — inicia em Campinas e busca mercados com compradores de bom gosto e poder aquisitivo. Nívea Morato, diretora de marketing da Citroën, informa que para a marca este é um caminho, exemplificando que as etiquetas Hermès e Dolce e Gabana já assinaram versões da marca. Continua

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Data de publicação: 15/6/04