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De lançamentos, navios e poeira

Apesar das vendas em queda, os novos carros continuam
a chegar, como a Toyota Fielder e outros que virão

por Roberto Nasser - Fotos: divulgação

Roberto NasserIndústria automobilística é como um grande navio manobrando em velocidade de cruzeiro ou como um elefante em carreira. Demora muito tempo para reduzir a marcha ou mudar o curso.

Isto explica que, apesar das vendas internas andar em torno da metade dos números projetados quando as novas marcas se instalaram no país, e as antigas se adequaram industrial e tecnologicamente, o mercado se mostra retraindo, pela continuada redução de renda, e as empresas assustadas com o retorno que não ocorreu para os investimentos realizados.

O cenário que combina estas vertentes — a realidade de um projeto automobilístico instalado; vendas caindo; ausência de remuneração ao capital aplicado — se traduz num comportamento previsível, que mescla, em variantes próprias, rédeas curtas para gastos e aplicação de charme aos produtos antigos ante a ausência de novos.

Lançamentos, entretanto, se sucedem. É conseqüência natural da existência de muitas marcas para disputar o mesmo número de compradores, e cuja atração somente pode ocorrer por três caminhos: redução de preços; facilidades para chegar à mão do comprador; ou provocação emocional para a compra. Regra válida para tudo e todos, do Rallye dos Sertões à carreira profissional, passando pela indústria automobilística e gestão de concessionárias: "quem não faz poeira, come".

No caminho
Assim, exceto janeiro, mês no qual apenas se vende cerveja, férias e biquínis, segundo a visão dos especialistas em marketing — aquela ciência criada para explicar os erros pela falta de instinto —, os lançamentos começaram no segundo mês do ano. Impaciente, puxou a temporada o Fiat Mille, segundo mais antigo automóvel do mercado, revisto e reposicionado. Prosseguiu com a Peugeot mudando o mínimo em seu bem-sucedido modelo 206. Sobre ele criou o que se rotulou como nova geração — retoques especialmente no grupo óptico frontal e detalhes interiores.

Dos fabricantes, bem exemplifica a manobra do navio: em meio de um projeto de implantação, apoiado em um projeto de completariedade entre as marcas na Argentina e no Brasil, reduziu a marcha porém manteve o rumo. Anunciou a produção da versão perua, feita sobre o 206. E do motor 1,4-litro, ambos em Porto Real, RJ. Como conseqüência para o mercado brasileiro, o início da produção do 307 na Argentina.

Ao início de março a Renault exibiu a versão Dynamique do Clio. Poucas alterações, baixa produção, porém necessário para incentivar a rede de revendedores e manter-se lembrada no mercado. Em seguida, a Fiat voltou às atenções da mídia, apresentando Siena e Palio Weekend Novos-de-Novo, no projeto de atualização estética iniciado com o Palio. Lançamento com foros internacionais, com reunião de concessionários em toda a América Latina. Aos jornalistas de Mercosul e Pacto Andino, foram apresentados Palio, Mille e Siena.

Logo após, foi o Ford EcoSport com tração nas quatro rodas. O trabalho de acomodação destas novas habilidades incluiu suspensão independente em todas as rodas. Desde 1962, com o jipe Candango da DKW-Vemag, a combinação de tração total com suspensão totalmente independente não era produzida nestas bandas neste tipo de veículo. Para o consumidor, significa que oferece comportamento dinâmico agradabilíssimo, além de segurança pelos reflexos de estabilidade direcional em pistas molhadas. No mesmo março a Citroën exibiu o C8, utilitário grande, confortável, preço de R$ 130 mil, adequado à sua conformação de mecânica, estilo e concorrentes.

O ciclo continua
Nesta semana a Toyota apresenta a Fielder, perua desenvolvida sobre a plataforma do Corolla. Na semana próxima será a vez de a Citroën Picasso apresentar transmissão automática, e em seguida, o Peugeot 307, agora feito na Argentina e com preço menor; Ford com motores tri-combustível; o novo Fiesta sedã. Em julho, o novo picape Ranger, com estética modificada no Brasil, como trabalho da revitalização da Ford.

Próximo ao Salão do Automóvel, em outubro, o época de novidades, o Peugeot 206 em versão station wagon e os Hyundai Porter, um caminhãozinho, e Tucson, concorrente direto do Ford EcosSport em aplicativo e preço. Continua

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Data de publicação: 4/5/04