Best Cars Web Site

Quinze anos, hoje

A redução das barreiras às importações e a célebre frase
comparando carros nacionais a carroças marcaram a Era Collor

por Luís Perez

"Oi, coração/ Não dá pra falar muito não/ Espera passar o avião/ Assim que o inverno passar/ Eu acho que vou te buscar/ Aqui tá fazendo calor/ Deu pane no ventilador/ Já tem fliperama em Macau/ Tomei a costeira em Belém do Pará/ Puseram uma usina no mar/ Talvez fique ruim pra pescar/ Meu amor..."

A letra de Bye, Bye, Brasil, que salpico na coluna de hoje, pretende ajudar o leitor a fazer uma ponte entre os anos 80 e os 90. Uma e outra foram, respectivamente, a "década perdida" e aquela em que, com muito sofrimento, o Brasil se encontrou com suas próprias deficiências. Quando notei que o texto desta semana iria ao ar justamente na terça-feira, 15 de março, passou na cabeça um filme em flashback, com cenas indeléveis: um presidente (o mais jovem eleito para o cargo na história), um plano econômico, poucas explicações lógicas, muita dúvida no ar...

Uma frase de efeito não sai da cabeça de quem sempre acompanhou a indústria automobilística: "Os automóveis nacionais são verdadeiras carroças!". Tal assertiva parecia simplista, mas fazia parte da (é preciso dar a mão à palmatória) grande habilidade que Fernando Collor, cuja posse completa 15 anos, tinha para se comunicar. Vale lembrar que isso ocorreu bem antes de o marketing político virar um lugar-comum. Época de preços congelados (as tabelas sairiam todo dia 1º), salários prefixados (todo dia 15) e uma coisa em comum em todas as contas correntes: só Cr$ 50 mil disponíveis.

"No Tocantins/ o chefe dos Parintintins/ vidrou na minha calça Lee/ Eu vi uns patins pra você/ Eu vi um Brasil na TV /Capaz de cair um toró/ Estou me sentindo tão só/ Oh, tenha dó de mim/ Pintou uma chance legal/ um lance lá na capital/ Nem tem que ter ginasial/ Meu amor..."

Líderes de associações de empresários também foram à TV dizer que a tal frase das carroças conseguiu sintetizar (e portanto explicar) o que havia anos tentavam dizer: os efeitos da economia fechada sobre o desenvolvimento da indústria automobilística. Carroça nada mais é do que uma estrutura, em geral de madeira (por acaso aqui era de metal), com duas rodas, puxadas por um animal — um cavalo. Collor exagerou. Mas, pensando bem, nem tanto assim... Seu governo durou coisa de dois anos e meio. Logo em seguida vieram os "populares", no início carroças motorizadas.

Enquanto me deparo com colegas que cobriram o lançamento do Opala, o primeiro carro de passeio aqui fabricado pela General Motors, lembro que uma de minhas primeiras tarefas como jornalista de automóveis foi buscar um "carrão" para teste, o Volkswagen Logus. Uau! Sinal dos tempos de um Brasil cujos resquícios até hoje estão aí, com presidentes, da República e da Câmara, que se orgulham por terem sido formados pela "faculdade da vida". O Logus era Autolatina, a associação entre Ford e Volkswagen cujas medidas tomadas por Collor decretaram a sentença de morte, como tão bem retratou o gerente da Ford Hélio Perini.

"No Tabaris o som é que nem os Bee Gees/ Dancei com uma dona infeliz/ que tem um tufão nos quadris/ Tem um japonês atrás de mim/ Eu vou dar um pulo em Manaus/ Aqui tá 42 graus/ O sol nunca mais vai se pôr/ Eu tenho saudades da nossa canção/ Saudades de roça e sertão/ Bom mesmo é ter um caminhão/ Meu amor..."

Veículos de toda sorte de nacionalidades invadiram o país que trocara o cruzado novo pelo cruzeiro — lembro-me de ter dirigido vários da Peugeot, Citroën, Honda, Mercedes-Benz, entre outras marcas que mais tarde se estabeleceriam por aqui. O Brasil que se via na TV mal pôde saborear o fim da inflação, que voltou poucos meses depois com força total, por inúmeros motivos — a incompetência que a equipe econômica demonstrou logo no primeiro dia, quando tentou explicar o mirabolante plano, a falta de uma política fiscal austera, que mais tarde se traduziria em muita, muita corrupção, as tais torneirinhas de liquidez que fizeram com que o dinheiro que havia saído de circulação voltasse, entre outros. Continua

Roda e avisa
De cara nova - A Citroën lança na próxima semana o novo C5. Entre as novidades estão bolsa inflável na coluna de direção, para proteger tíbia e joelhos, e sensor de estacionamento agora na dianteira. Os faróis, segundo a empresa, têm "forma de bumerangue".

Scénic bebe álcool 1 - A Renault apresenta a minivan Scénic com motor 1,6-litro 16V Hi-Flex, ou seja, flexível em combustível. Com 115 cv, tem de série ar-condicionado, vidros traseiros elétricos, computador de bordo, volante regulável em altura, entre outros itens.

Scénic bebe álcool 2 - Sua versão mais em conta, a Expression, custa R$ 56.490. A topo de linha (Privilége), a R$ 60.890,00. O valor já inclui frete e pintura metálica (único opcional).

Toyota no RS - A Toyota inaugurou um Centro de Distribuição em Guaíba, RS, na Grande Porto Alegre. A instalação passa a ser utilizada como apoio logístico na distribuição para o Brasil da nova Hilux de e peças de reposição produzidas em Zárate (Argentina).

Colunas - Página principal - Escreva-nos - Envie por e-mail

Data de publicação: 15/3/05

© Copyright - Best Cars Web Site - Todos os direitos reservados