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Tecnologia na medida

Fabricantes se esforçam para que as novidades
não fiquem muito caras e pouco competitivas

por Luís Perez

Outubro de 2000. O Palio passava por sua primeira reestilização, e a Fiat reuniu a imprensa especializada no Rio de Janeiro. A festa de lançamento teve toda a pompa e circunstância digna da Cidade Maravilhosa. O hangar em que houve a festa virou um sambódromo, com direito a Carlinhos de Jesus e desfile de escolas de samba. No produto, aquelas alterações que se podem fazer em quatro anos: nada muito mirabolante. De lado, inclusive, o modelo quase não mudara.

Antes de sair para a tal festa, abro meu e-mail no quarto do hotel. Era um leitor do jornal em que eu trabalhava, sugerindo algumas alterações no Palio. Dizia algo assim: “A Fiat bem que poderia ampliar o entreeixos, incluir um motor mais potente e carroceria de alumínio”. Pensei: ótima sugestão. Mas será que esse leitor estaria disposto a pagar o preço que o carro iria custar com tais “mudançazinhas”?

Essa história – como muitos outros exemplos nesses quatro anos e pouco – voltou à minha cabeça no último fim de semana, em Recife, PE, durante a convenção de imprensa do Ranger com motor eletrônico. Um dos engenheiros da Ford falou em instalar “a tecnologia certa na medida certa”. Ou seja, o veículo não pode chegar às lojas muito caro. Mas também não pode oferecer menos do que a concorrência.

Folgo em dizer que foi-se o tempo em que tecnologias eram absolutamente inacessíveis. Existem equipamentos notáveis – automóveis que avisam quando o motorista muda de faixa sem sinalizar, uma infinidade de materiais leves e muito resistentes, motores cada vez mais potentes e eficientes.

Tecnologia virou item de prateleira. O concorrente terá? Vou até a estante e lá está o meu pacote, que só não usei até agora porque vou perder mercado. Sim, a tecnologia é de quem pode pagar por elas. A General Motors lançou o Astra Multipower, “o primeiro tricombustível do mundo”. Não custa nenhum absurdo a mais do que o modelo de linha, coisa de R$ 4.000. Sabe quantas unidades foram faturadas desde dezembro? Cerca de cem.

Em seu legítimo direito, o consumidor quer mesmo mais por menos. Mas está na hora de ter maturidade e saber que não existem milagres. Quer esse, aquele e aquele outro item? O preço final será bem mais alto. Ainda em seu papel, o pretenso comprador simplesmente acha caro demais, vira as costas e vai embora. Não é preciso ir muito longe. Para não ter de desembolsar R$ 2.500 a mais, o brasileiro abre mão de se refrescar com um ar-condicionado no calor senegalês que nos tem assolado neste verão, de frear com mais segurança graças a um dispositivo eletrônico que evita o travamento das rodas (ABS), de ter a vida preservada por bolsas infláveis caso os cintos não dêem conta do recado.

Talvez a única exceção à regra no Brasil seja o sistema de navegação por GPS. Mas o velho argumento de que não existe mapeamento das ruas não serve mais – veja só a proliferação das empresas de bloqueio e rastreamento, cada vez mais sofisticados, que servem tão bem aos caminhões. A questão tem muito mais a ver com a ignorância de quem no Contran (Conselho Nacional de Trânsito) deixou passar a proibição de telas de DVD e GPS nos automóveis. Quem vai se dedicar a tecnologias que são proibidas?

Diga-se que é louvável a coragem que multinacionais têm em investir no Brasil. Um país em que um deputado, certa vez, quis aprovar uma lei para obrigar os fabricantes a manter em linha um veículo pelo prazo de dez anos – mas isso já abordei aqui, em uma das primeiras colunas. Enquanto proíbem DVD e GPS, nada fazem contra (outra coisa que esta coluna martela) engates sem reboques, películas escuras irregulares, quebra-matos ameaçadores. Enfim, contra a falta de cidadania no trânsito. Ao que parece, a ignorância, bem como a tecnologia, não sabe o significado da palavra limite.

Roda e avisa
O que vem por aí? - A fábrica de motores diesel MWM terá de se esforçar para se equiparar à concorrência. O motor eletrônico do Ranger, da International Engines, tem 163 cv. O novo Toyota Hilux, a ser lançado dia 28, deverá chegar a valor semelhante. Enquanto isso, S10 e Frontier ainda penam com o propulsor de 132 cv. Comenta-se que sua versão eletrônica terá 150 cv.

Furo! - Na consagrada linha “carros de novela”, esta coluna obteve com exclusividade a informação de quem comprou um Kia Sorento: foi Reginaldo (Eduardo Moscovis), o prefeito corrupto de Senhora do Destino.

A mais elogiada... - O Brasil foi apontado como um dos países que se destacaram para o aumento de vendas da Fiat Auto. Houve crescimento de 3,4% no último ano, com 1,91 milhão de unidades comercializadas. Outros mercados que mereceram menção: Espanha, Holanda, Grécia, Dinamarca, Áustria, Argentina e Turquia.
 
Shopping
CD e MP3 - O aparelho Roadstar RS2018, que inclui CD e MP3, está sendo vendido a partir de R$ 222.

Pegada - Uma boa opção para tornar a dirigibilidade mais esportiva é o volante italiano Momo Driver, de couro costurado a mão e acabamento de alumínio. Preço: R$ 1.490.

Clio elétrico -
O aerofólio com 30 LEDs para o Clio hatch, em primer (preparado para a pintura), deixa o automóvel mais atraente. Custa R$ 162.

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Data de publicação: 22/2/05

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