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Carrão fidelidade

Tempos atrás automóveis tinham "torcida"; hoje o
consumidor opta por aqueles que oferecem mais

por Luís Perez

Vivia ainda o início da adolescência (que já está perto do final) quando ouvi pela primeira vez a expressão big four. Inspirada em big three, as três grandes marcas americanas (General Motors, Ford e Chrysler), refere-se às quatro grandes nacionais, GM, Fiat, Volkswagen e Ford. As de origem americana são veteranas no Brasil (a GM promove neste ano uma série de eventos para comemorar seus 80 anos no país). A Volkswagen completou recentemente meio século, e a Fiat não tem mais do que três décadas.

De passionalidade característica das origens latinas, o brasileiro se permite protagonizar até peças publicitárias que afirmam ser ele “apaixonado por carros”. Trabalhar na imprensa automobilística me permitiu sentir na pele uma máxima, comum a essas quatro grandes, segundo a qual a marca tal “não tem consumidores, tem torcida”.

Bastava publicar um comparativo entre Gol e Palio, por exemplo, em que elogiasse este segundo modelo, para que “volkistas” escrevessem páginas e mais páginas elogiando (lembro até hoje um dos termos empregados) o “primor de estabilidade” deste que é o modelo mais vendido do país há quase 20 anos.

Tal passionalidade ficou marcada por jingles memoráveis, todos passionais (“Meu coração bate mais alto dentro de um Chevrolet...”). Racionalidade ajuda (falar das dezenas de porta-objetos, do espaço interno, mas não com fita métrica e sim com sacadas bem-humoradas, nas quais vale até empurrar o banco da igreja para se mostrar “espaçoso”), mas não vende automóveis.

Em que pese os litígios com o consumidor pelos quais passou o grupo empresarial que representa a marca japonesa Subaru no país, era para esse modelo arrasar a concorrência se a compra fosse racional. Tudo bem, há um segmento que compra automóveis pela relação custo-benefício: os que procuram modelos como Mille, Kombi, Santana, Classic (aquele com carroceria de uma década atrás, que perdeu o prenome Corsa). O mercado descobriu um jeito chique de se referir ao público de poder aquisitivo mais baixo: pessoas que priorizam a relação custo-benefício...

Descobri outro dia, em conversa com o diretor de uma seguradora, que sou uma espécie de consumidor mercenário. Por uma série de contingências ligadas à vida profissional, passei algo como cinco anos sem automóvel próprio (ou usava carro da empresa ou carro de teste). Recentemente adquiri um veículo e fui fazer seguro. Após examinar o que cada companhia oferecia, optei pelo mais em conta.

“Você não é cliente de uma seguradora, você é cliente do preço mais baixo”, disse o diretor. Para usar uma expressão consagrada pelo ministro da Fazenda de 11 anos atrás, Rubens Ricupero, eu não tenho escrúpulo: mudo mesmo de marca se outra me oferecer mais (ou o mesmo) por menos. A partir de agora talvez seja possível falar em fidelização – pois voltei ao mercado de seguros. Até porque a lista de opções se ampliou muito nos últimos anos.

Pois foi o que aconteceu com o mercado automobilístico, motivado não só pela abertura das importações (e lá se vão 15 anos), mas pela chegada de fabricantes ou a ampliação de investimentos de quem já estava por aqui, apenas em nichos, ao longo dos anos 90. As tais big four tiveram de rebolar. Os “invasores” vieram da França (Renault, Peugeot, Citroën), do Japão (Honda, Toyota) e até da Alemanha (Mercedes-Benz). Eram veículos modernos, bem-equipados com recursos de tecnologia.

Depois de décadas de liderança da Volkswagen, depois três anos de Fiat e agora com GM, nem é preciso dizer que o público vai com quem lhe oferecer algo a mais. Tudo bem que liderança tem a ver com estrutura de rede, mix de produtos, custo de manutenção, entre outros aspectos. Mas pergunte a qualquer concessionário, tido até pouco tempo atrás como “tirador de pedidos” em um mercado de pouquíssimas opções, como ele precisa se esforçar (às vezes até nos irrita) para fechar uma venda.

Foi-se o tempo em que essa ou aquela marca tinha um público fiel, epíteto que na linguagem futebolística se refere aliás à maior torcida do país. Viva a diversidade que faz fordistas, volkistas, fiatiastas e geemistas dar lugar ao novo, sem deixar de admirar os veículos (e por que não os fabricantes) que marcaram nossas vidas. No presente, porém, as prioridades são outras: conforto, segurança, estilo, enfim, qualidade de vida. Continua

Roda e avisa
Por falar em fidelidade... - A Volkswagen anunciou que o Gol chegou ao 18º ano na liderança do mercado, ultrapassando os 4 milhões de unidades vendidos no mercado interno.

Números - No ano passado, foram comercializadas 285.444 unidades completas (inclui exportações), ou seja, 7,7% a mais do que em 2003.

Dança de cadeiras - A General Motors do Brasil está com novo diretor de pós-vendas. É Luiz Carlos Lacreta, até então diretor de Exportação. Substitui José Roberto Favarin, designado para a presidência da GM na Venezuela.

Conquista da América - A Kia anunciou que suas exportações para os EUA no último ano bateram um recorde, com 301.586 unidades – 31% a mais do que no ano anterior.

Para quem precisa - A Ford entregou 209 veículos para a polícia do Estado da Bahia. Foram 111 picapes Ranger, 52 EcoSports e 46 novos Fiestas.

Estilo Ferrari 1 - Na última semana de janeiro, a Ferrari SpA anunciou o projeto “Ferrari: novos conceitos para o mito”, que pretende reunir os estudantes das quatro melhores escolas de desenho automotivo do mundo para criar e desenvolver estilos de carros Ferrari do futuro.

Estilo Ferrari 2 - Participam as seguintes escolas: Art Center College of Design, de Pasadena; Tokyo Communication Arts; Coventry School of Art and Design; e European Institute of Design, de Turim. Os automóveis a ser projetados têm motores V8 e V12.
 
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Multimídia - Com controle remoto ou comandos por toque na tela, o aparelho VRX 745 VD reproduz DVD, CD, MP3, entre outras mídias. Traz painel parcial flip down e monitor de 7 polegadas.

Caferrari - A Dab Coffee resolveu recorrer à paixão italiana pela Ferrari para vender suas máquinas de café Lavazza. “Duas delas trazem o design Pininfarina”, diz o material de divulgação. Os preços variam de R$ 1.440 a R$ 2.990.

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Data de publicação: 1/2/05

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