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O pior do Brasil

De que adiantam automóveis e estradas de
Primeiro Mundo se o motorista é de Terceiro?

por Luís Perez

"Parabéns! Você está na melhor rodovia do litoral fluminense."

Depois de horas ao volante (em quatro dias foram quase 1.600 km a bordo de um Chevrolet S10 a diesel), fiquei até com vontade de soltar um solitário "muito obrigado", mas dizer que preferia a minha parte em dinheiro – ou melhor, em pedágios mais baratos ou que pelo menos compensassem o tal desembolso.

As estradas, pelo menos as das regiões Sul e Sudeste, procuram incorporar alguns elementos das relações de consumo. Efeitos da exploração da iniciativa privada. Mais ou menos como quando pego algum vôo e a comissária diz ao microfone: "Sabemos que a escolha da companhia aérea é uma questão de preferência". Não é. Ou é preço ou é coisa "da firma" (ou seja, ainda é preço). Ou comprei uma passagem da Varig e me mandaram de TAM (ou vice-versa). De novo é preço!

Como se fosse possível escolher a estrada. Aliás, as concessionárias de rodovias também resolveram emprestar as famigeradas condicionantes tão em voga na indústria automobilística. Quando querem propalar sua liderança, algumas fábricas tratam de restringir o universo (líder no segmento dos compactos verdes de duas portas com friso lateral etc.). Ou "você está na melhor rodovia que liga Niterói a Búzios...".

Pesquisa realizada durante um mês por equipes técnicas da CNT (Confederação Nacional dos Transportes) mapeou os melhores e piores trechos das auto-estradas brasileiras. Campeã foi a rodovia dos Bandeirantes, entre São Paulo e Limeira. Já o pior trecho ficou com o que liga Poços de Caldas, MG, quase divisa com o Estado de São Paulo, a Lorena, SP, cidade que é passagem obrigatória para quem vai para o Rio via Dutra. O trecho superou (no mau sentido) até uma região bem mais pobre, a estrada que liga Fortaleza, CE, a Picos, PI, segunda colocada no "ranking do mal".

Tudo bem que o Brasil não tenha exatamente estatísticas confiáveis, mas não é preciso ter a neurose com números que existe nos EUA para saber que a maior causa de acidentes de trânsito é a falha humana. Os dados mais radicais falam em 90%, divididos entre imperícia, imprudência e negligência. Outros 6% seriam provocados pela má conservação das vias (segundo a CNT, só 5,4% são ótimas e 11,6%, boas) e 4%, por defeitos mecânicos no automóvel.

Nessa minha viagem de Réveillon vi toda sorte de assassinos em potencial. Boys que só deixam o farol de neblina aceso na estrada escura (e que ainda reclamam se você não os enxerga direito), ultrapassagens na base da roleta-russa (ou seja, não só na faixa contínua, mas sem a mínima garantia de que não há outro veículo no sentido contrário).

Acostamento virou faixa adicional, sobretudo nas estradas mais estreitas (e o maluco aqui resolveu voltar pela Rio-Santos). Toda e qualquer lógica é contrariada: no acostamento se anda em alta velocidade e com pisca-alerta aceso (sim, o equipamento só deveria ser acionado com o veículo parado!). Resultado: acidentes e mais acidentes.

Investir alto (e lucrar bastante) com estradas é uma tendência mundial. Há quase um mês foi inaugurada na França a ponte mais alta do mundo, com 343 metros (19 a mais que a torre Eiffel), sobre o vale Tarn (ligação entre Paris e a fronteira com a Espanha). O projeto custou 394 milhões de euros. Ainda assim a Eiffage, construtora responsável pela obra, está rindo à toa: o pedágio custará o equivalente a algo entre R$ 20 (na baixa temporada) e R$ 26 (na alta) e a empresa poderá explorar a concessão por 75 anos.

Aqui a iniciativa privada em concessões de rodovias é um fenômeno relativamente recente. O Estado percebeu que não tem tentáculos suficientes para cuidar das auto-estradas. Por outro lado, por um reflexo do que ocorre com os impostos, temos a crônica impressão de que o dinheiro que gastamos não é revertido em nosso benefício.

É inegável que existem no país obras de Primeiro Mundo (veja a ponte Rio-Niterói, construída em meados dos anos 70) e estradas com uma qualidade notável (uma Carvalho Pinto, o Rodoanel...). Mas de nada adianta ter estradas assim se o motorista (exato, aquela pecinha atrás do volante) é de Terceiro Mundo. Nos últimos anos os automóveis receberam o que há de melhor em tecnologia de conforto e segurança. Mas o que fazer, se o pior do Brasil é o brasileiro?

Roda e avisa
Jus ao slogan 1 - A General Motors do Brasil, cujo bordão era “andando na frente”, assumiu pela primeira vez a liderança no mercado brasileiro, com 364.259 veículos emplacados em 2004 e participação de 23,1%.

Jus ao slogan 2 - Há indiscutíveis méritos: modelos modernos, como Meriva, novo Corsa e Montana. Mas outros defasados, caso de Astra, Celta, S10/Blazer e Vectra. De qualquer forma, não deixa de ser um aviso para Fiat e Volkswagen.

É verão 1 - Até 13 de fevereiro, a Ford participa da ação Maré Claro by Siemens, no litoral paulista, que inclui um centro de convivência flutuante no navio Borodine, que estará ancorado alternadamente entre as praias de Ilhabela, Baleia e Ubatuba.

É verão 2 - No navio haverá um showroom com modelos da Ford, que fará (em terra firme, claro!) teste com veículos da marca – Fiesta Sedan Flex, Focus Sedan, EcoSport e Ranger.

Haja bolso - Aviso aos motoristas: o IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) está em média 7% mais caro neste ano. Fique atento para não perder o prazo!

Berço do automóvel - Neste ano o Salão de Detroit (EUA) começa um pouco mais tarde. As coletivas de imprensa acontecem do dia 9 ao dia 11. São aguardados mais de 6.600 jornalistas de 68 países. O BCWS, como habitual, faz uma completa cobertura.
 
Shopping
Tan tan tan - Fãs de Ayrton Senna têm no autorama Marca de um Campeão, da Estrela, uma boa pedida de brinquedo. Custa R$ 750.

Moto - Este é para os amantes das duas rodas: o livro Manual Completo da Moto: Mecânica e Manutenção, de George Lear e Lynn S. Mosher. Preço: R$ 86.

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Data de publicação: 4/1/05

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