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No imaginário das crianças

Última coluna do ano pondera como, do Speed Racer ao Bob
Esponja, o carro fascina por fazer parte de nossas vidas

por Luís Perez

Volta e meia é recorrente em discussões de adultos temas relacionados a personagens de histórias em quadrinhos e desenhos de TV, daquelas tardes em que a gente ia para a escola de manhã cedinho e depois se dava ao luxo de, tomado por um ócio só permitido às crianças, ficar vendo as peripécias dos mais estranhos bichos que permearam nossas infâncias... “Você se lembra do Zé Colméia?”, começam normalmente essas histórias.

Nesta época de final de ano – e de velhos clichês, como o da esperança renovada pela expectativa de tempos melhores e blablablá –, é quase impossível não lembrar um tempo em que tateávamos o carro do pai ou do avô, virávamos alegremente o volante com o veículo parado ou mesmo nos arriscávamos a apertar a buzina, o que invariavelmente rendia o pito de um adulto.

Se os pés não alcançavam nos pedais, a época em que não havia números tão escabrosos de mortes no trânsito (mais provavelmente por falta de estatística do que de fatalidades) entrava para a história como uma meia independência, a da magia de a curva que fazíamos com as próprias mãos. “Pedala, pai”, disse certa vez um primo ainda criança, quando o pai parou no sinal.

Sim, lugar de criança é no banco de trás. Mas quantos de nós não transgredimos essa regra? Hoje isso é impensável e nem de longe estou incentivando tal prática (acho absurdo crianças de menos de dez anos no banco do passageiro...). Mas esse fascínio pelo poder de dirigir um automóvel reproduzíamos no parque de diversões, só que com um componente deliciosamente inconseqüente – nos carrinhos de bate-bate dos parques de diversão.

Costumo dizer a quem às vezes observa de forma negativa a segmentação da mídia (já há no Brasil revistas de charutos e de vinhos) que não haveria sentido em ter, pouco mais de um século atrás, uma revista ou mesmo um suplemento de automóveis. Ou de aviões. Ou de informática – o que já mudou consideravelmente nos últimos 25 anos, em conteúdo, abordagem e sobretudo aplicabilidade prática.

Mas voltemos aos desenhos... Outro dia revi, numa dessas sessões da tarde, todos os recursos que tinha o Mach 5, carro do invencível Speed Racer (sim, aquele rival do Corredor X), do desenho japonês. No centro do volante, havia várias teclas (de A a G), sendo que cada uma acionava um recurso (o carro saltava, serrava o que passasse à frente, ficava completamente vedado para missões submarinas, sei lá).

Nunca chegamos a essa era (até porque não seria ambientalmente correto sair serrando árvores por aí). Se bem que quase. Bolsas infláveis que em fração de segundo salvam a vida do motorista não deixam de ser um equipamento seriamente derivado do desejo de infância de viver. E brincar. E estar no mundo. E acreditar. E querer o bem (puxa, esse trecho mais parece um cartão de Natal).

Poderia falar muito mais dos carros nos desenhos animados – outro dia um colega fez uma bela reportagem sobre a célebre Corrida Maluca. Porém, como é fim de ano e só falei de atrações do passado, quero contar o que outro dia vi... Só para quem não deixou de ser criança! É Bob Esponja, o Filme, que estréia nos cinemas no dia 24 de dezembro. Nele, nosso herói parte com o amigo Patrick Star (uma simpática estrela do mar) para recuperar a coroa do rei Netuno, roubada pelo vilão Plâncton...

Quem curte automóveis não pode deixar de sorrir quando Bob apresenta ao amigo o hambúrguer de siri móvel (na ilustração) que os levará para a aventura. Como alguém que mostra o novo Ferrari, abre o “capô”, onde fritadeiras são parte do motor e as rodas são de picles. E partem para a aventura – que não vou contar para não estragar a surpresa.

Tudo isso pra dizer, nesta última coluna do ano, que poucas invenções dos últimos séculos surgem de forma tão forte na fantasia e no imaginário das crianças como o automóvel. E talvez por coisas assim, que simplesmente não conseguimos explicar, ele exerça tanto fascínio em tantos de nós.

 



Gostaria de me desculpar pelo fato de a coluna ter saído atrasada esta semana (em vez de terça, sexta-feira). Mas é a última de 2004 e vai ficar mais tempo no ar – Autogiro só volta dia 4 de janeiro. Quero ainda agradecer pela companhia neste ano. Concordando ou não com as mais amalucadas colunas, no fundo todos queremos o mesmo: ajudar a pensar essa maravilhosa invenção, o automóvel, e sua interação com as pessoas para melhorar a qualidade de vida de todos nós.

A todos, um ótimo Natal e um 2005 cheio de alegrias.

Roda e avisa
Investimento 1 - A Volkswagen anunciou que vai injetar R$ 99 milhões na fábrica da via Anchieta, em São Bernardo do Campo, SP, para produzir o Fox para exportação.

Investimento 2 - No mesmo evento em que ocorreu o anúncio, dia 17, em São Paulo, a fábrica comemorou 500 mil unidades do Gol exportadas para 50 países entre 1980 e 2004.

Melhores momentos - Céu de brigadeiro também para a Ford, que comemorou recorde de vendas do EcoSport em um mês desde seu lançamento, em janeiro de 2002 – 4.160 unidades emplacadas em novembro.

Promoção - A Tokio Marine Seguradora vai oferecer, em parceria com a Varga, checagem gratuita de diversos itens do automóvel aos segurados que estejam com a apólice do carro em vigência, aos corretores e aos profissionais da seguradora.

2005 acelerado - Confirmadas a Mil Milhas de Interlagos para a 0h do dia 25 de janeiro. Quem quiser assistir terá de se apressar, pois os ingressos na arquibancada estão limitados a 11,5 mil lugares. Há treinos nos dias 22 e 23.

Perigo na estrada - Até outubro ocorreram nas estradas federais 57.519 acidentes, sendo 18.248 com caminhões e 2.561 com ônibus. Segundo a CNT (Confederação Nacional dos Transportes), 51,5% dos motoristas trabalham de 13 a 19 horas por dia. Essa jornada excessiva seria uma das principais causas de acidentes.
 
Shopping
Pioneiro da F-1 - Quem ainda não comprou o presente de Natal pode adquirir o DVD que comemora os 30 anos do bicampeonato de Émerson Fittipaldi (o título tem o nome do piloto), que tem qualidade de cinema. Está à venda em bancas e livrarias. Preço: R$ 39,95.

DVD a bordo - Com monitor de teto de sete polegadas Wide-Screen, em que é possível curtir DVD e MP3, o Clarion OHMD 74 é outra boa opção de presente. Tem entrada externa para videogame, controle remoto e luminária. Preço sugerido: R$ 5.800.

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Data de publicação: 18/12/04

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