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Ora, as ditaduras do mercado

Preferência por automóveis prata, com motor de 1,0 litro e sem
bolsa inflável é falta de "tradição" ou de alguma outra coisa?

por Luís Perez

Existe uma velha ladainha que fala em lei de mercado (ah, o mercado quer assim), tendência (a tendência é a cor tal) e até algo entre tradição e cultura. Outro dia fui ao lançamento de um CD de um artista popular brasileiro. Seu empresário, questionado sobre o porquê de fora do país alguns cantores lançarem singles, disse que "o Brasil não tem tradição de single".

Tradição? Então pobreza mudou de nome. Muito brasileiro não tem tradição de fazer três refeições por dia... Um CD com 15 músicas já é inacessível para a maioria (onde prolifera a pirataria?), que dizer de um disco com apenas uma música?

Nos automóveis ocorre o mesmo. Antes da revisão das alíquotas do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) em 2002, "especialistas" de plantão falavam sobre a tendência de o brasileiro comprar veículos 1,0-litro. Afinal, o que mudou a não ser os preços mais acessíveis para modelos de cilindrada maior? Daí há a "cultura" de automóveis de quatro portas – tudo porque falta de opção mudou de nome.

Outro dia critiquei o conservadorismo de quem adora carro prata, ao que uma amiga puxou minha orelha. Escreveu-me perguntando: "Afinal, seu carro não é prata?" Sim, e troquei por outro. Adivinha de que cor? Prata! Adoro carro prata? De jeito nenhum. Mas as opções na concessionária eram preto, que suja muito fácil, e um verde musgo de que não gostei. Ah, manda o prata! Havia outras cores? Sim, só que eram outros catálogos, ou muito básicos ou muito luxuosos para o bolso de um pobre jornalista.

De outros especialistas, já ouvi: "Brasileiro gosta de trocar marcha". É mesmo. Eu amo. Principalmente quando pego a marginal do rio Pinheiros na confluência com a avenida dos Bandeirantes, em São Paulo, no final de tarde. Belo substituto de academia. Nem preciso ficar apertando aquela bolinha de borracha para desestressar. Dê-me um câmbio automático para ver se não crio a "cultura" de nunca mais querer pisar em uma embreagem...

Hoje quem pode tem automóvel com ar-condicionado e direção assistida, mas já houve um tempo em que os dois eram vistos como luxo. O ar hoje é tido como imprescindível para garantir a segurança, e a assistência de direção, como essencial para um dirigir confortável.

O que dizer então das bolsas infláveis? Adorava fazer reportagens dizendo que "brasileiro não paga pela segurança de uma, mas gasta até mais com ar-condicionado". Na vida real, porém, faz sentido. Se tenho de escolher entre um conforto constante e a proteção em um acidente, algo que espero ser episódica, aliás, nula, fico com a primeira opção. É por causa de gente assim que não aumenta a escala de produção de bolsas infláveis, e o preço não cai? O que fazer, se sou só mais um na multidão?

Aliás, sou mesmo. Não é raro eu me pegar achando um extraterrestre o motorista que, como eu, não instalou uma película escura nos vidros. Não cheguei às raias do ridículo pensando o mesmo de alguém que não pregou o famoso engate. Tenho inclusive dado boas e sarcásticas risadas de gente que danifica muito mais o automóvel em pequenas batidas que não teriam grandes conseqüências, mas tiveram em razão da bolota traseira.

Então, resumindo o que manda a “cultura”, a “tradição”, a “vontade popular” em termos de carro: é um veículo pequeno, com motor 1,0-litro, prata, com filme, engate, ar-condicionado, direção assistida. Sem bolsas infláveis. Em vez do engate, que tal um adesivo do tipo “mantenha distância”?

Para confirmar que todos somos iguais, inclusive perante a lei (claro que há uns mais iguais do que os outros), vou paulistanamente pedir isenção do rodízio, assim como ocorrem em algumas categorias profissionais, como a dos médicos. Sou jornalista. Tenho de sair de casa mais cedo. Não posso ter meu direito de ir e vir cerceado. É contra a liberdade de imprensa! Abaixo o rodízio para jornalistas. Somos menos iguais que os outros. Mas com a mesma “cultura”.

 



Nosso entrevistado é Vittorio Rossi Jr., filho do famoso Primo Rossi (lembra-se da famosa tirolesa “Parabéns, Primo Rossi, parabéns...”?). Ele fala sobre o que mudou no mercado nos últimos 40 anos. Continua

Roda e avisa
Calendário flex 1 - A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) comentou, na última segunda-feira, que cinco fabricantes já têm motor flexível.

Calendário flex 2 - Por ordem de ingresso na produção: Volkswagen (março de 2003), Fiat e GM (junho de 2003), Ford (julho de 2004) e Renault (outubro de 2004).

Pleno vapor - Eis que a produção de veículos ultrapassou os dois milhões. Foram 2.020.704 entre janeiro e novembro (20,8% a mais que no mesmo período de 2003, quando foram fabricados 1.672.983 veículos).

Perda de espaço - Modelos 1,0-litro, que já quase bateram nos 80% do mercado, estão com 57,4% na média do ano, enquanto carros entre 1,0 e 2,0 litros estão em 42,2%. Mais de 2,0 litros respondem por apenas 0,4%.

Quase um terço - Enquanto isso, modelos flexíveis (contabilizados pela Anfavea como a álcool) ultrapassaram os 30% pela segunda vez no ano – em setembro representaram 32,1% e em novembro 30,8% dos automóveis novos vendidos.
 
Shopping
Música portátil - Boa dica de presente para viagens é o MP3 Philips Key 014 256 MD. Com 256 MBytes de capacidade e conexão USB ao computador, armazena oito horas de música. Preço: R$ 829.

Livro dos recordes - Você sabia que o carro mais comprido do mundo é uma limusine de 30,5 metros e 26 rodas? Essa é só uma das curiosidades sobre o mundo dos automóveis que estão no Guinness World Records 2005 (Ediouro), que custa R$ 74,30.

Som - Com capacidade de tocar CD, CD-RW, MP3 e WMA, o JVC AR 7000 tem 50 watts de potência, sistema Sirius com 24 bits e painel de 256 cores. Custa R$ 2.500.

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Data de publicação: 7/12/04

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