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Sobre los hermanos e as "pragas"

Os bem-acabados carros argentinos de hoje e a revolta
do colunista com os vendedores de automóveis e de seguros

por Luís Perez

Não faz muito tempo ouvi alguém – com acesso a informações de qualidade, sólida formação cultural e bastante experiência de vida – soltar um clichê dos mais preconceituosos: “Ah, carro argentino é ruim, não é?”.

Pois essa mesma pessoa deveria dar umas voltas com alguns modelos que têm vindo de fábricas do país vizinho. E, por ter falado bobagem, ser condenada a rodar durante uma semana com os primeiros exemplares de Fiesta e EcoSport que saíram da fábrica da Ford em Camaçari, na Bahia.

Brasileiro me parece pouco propenso a reparar em problemas de acabamento, a não ser que sejam falhas gritantes. Foi dessa categoria a série de problemas que a Ford baiana enfrentou em seus primeiros tempos. Vi consoles de alguns modelos se soltando, parafusos que saíam sabe-se lá de onde, além de barulhos estranhos vindo de algum lugar do porta-malas.

Pois argentinos são modelos como o Focus, exemplo de primoroso acabamento dado pela fábrica da mesma Ford em Pacheco, nas cercanias de Buenos Aires. Foi assim desde o início. Aliás, este colunista teve a honra de, em 2000, fazer de uma viagem-teste uma “importação simbólica” de um Focus. Na época, a economia argentina ainda era dolarizada, e o carro, importado da Espanha.

Algum tempo depois, como convidado da empresa para conhecer a linha de produção e o novo modelo que saía de lá, pude constatar que o acabamento sempre foi digno da Argentina de Recoleta e Perón. Ah, se Camaçari conseguisse fazer algo parecido...

O mesmo se pode dizer a respeito do Peugeot 307, importado também do país vizinho para disputar em um mercado hipercompetitivo de modelos que custam pelo menos R$ 46 mil. Por que não citar o Renault Kangoo ou mesmo o Mégane? Pois se um dia os veículos argentinos (lembra-se do Escort Guarujá e do Uno CSL, em 1992?) tiveram a aprender com os brasileiros, hoje muito dessa situação se inverteu. São los hermanos que nos dão belas lições.

 



Eis que este colunista vive uma fase de revolta absoluta. Mas, em especial, com uma classe: a dos maus vendedores. Seres que substituem gestos de gentileza, como o “bom dia” e o “com licença”, por expressões, digamos, mais pecuniárias, como “fez o depósito?” ou “prefere uma transferência bancária?”.

Aos exagerados que reagem quando digo que certos vendedores de seguros e de automóveis são bandidos, insisto em dizer: pelo menos crime contra a economia popular (a minha, a sua, talvez) eles praticaram. Volto ao assunto de duas colunas atrás (não é falta de criatividade, é indignação mesmo) para lembrar: só um otário vira cliente cativo de alguém que tentou tirar o máximo de dinheiro de sua carteira em uma única compra. Ou lançam mão de estratégias pouco leais (atraí-lo com falsas promessas para em seguida vencê-lo pelo cansaço, na base do “já que estou aqui, vou fazer o cheque mesmo”).

Ah, como os pecadores pagam pelos que fazem tudo certinho... Não é assim que funciona com o valor que se cobra pelo seguro de automóvel?

É assim que as coisas funcionam. Ou se paga R$ 700 para retirar um veículo novo emplacado ou é preciso assinar um termo de responsabilidade comprometendo-se a, em outras palavras, não fazer teste de velocidade máxima na frente de escolas infantis em que mães atravessam as ruas conduzindo carrinhos com bebês. Ou cruzar o sinal vermelho próximo a hospitais em que idosos fazem sua fisioterapia – ou a postos do INSS onde os velhinhos foram fazer seu recadastramento.

Triste país este em que civilidade não quer dizer nada. No qual todo mundo tem uma história de alguém que saiu com o carro sem seguro da concessionária e foi assaltado na esquina. Ficou sem nada. Ou que morreu deixando a família à míngua, sem seguro de vida. Ou que teve o azar de se chocar com um Mercedes logo no dia em que cancelou, para que sobrasse o dinheiro da feira, seu seguro para terceiros.

Sorte é constatar que praga de vendedor de automóvel ou de seguro simplesmente não pega. Continua

Roda e avisa
Agora vai 1 - A Kia Motors anunciou, no Salão do Automóvel, a construção de sua primeira fábrica no país. Será para fabricar o caminhão leve Bongo.

Agora vai 2 - A fábrica ficará em Pouso Alegre, MG, e terá capacidade de produzir 6.000 unidades por ano. A produção deverá ser de 600 veículos, a partir do segundo semestre de 2006.

Ah, os números - Todo mundo quer ser primeiro em alguma coisa. A Renault, ao lançar seu Clio com motor flexível, argumentou que foi a primeira com propulsor multiválvulas a ter essa tecnologia.

Por falar em salão... - Não é que muitos modelos que podem ser vistos até domingo no Anhembi já têm sua importação confirmada para o próximo ano? Aguarde notícias nesta coluna!

Resolvido o problema - Uma concessionária citada em Autogiro duas semanas atrás (ou melhor, mencionada sem ter o nome citado), que fica na marginal Pinheiros, tirou a placa que dizia: “Pagamos o preço justo pelo seu usado”. Esta coluna apurou que a propaganda era enganosa.

Vai faltar importado - Em tempos de vacas gordas, corre-se o risco de faltar carro importado. Isso porque funcionários do Ibama em greve fazem com que produtos fiquem retidos nos portos por falta de liberação. Quem diria...
 
Shopping
Pegada - O volante Momo Silverjet, em aço e madeira com acabamento de couro costurado a mão, é uma boa dica para quem gosta de dirigir esportivamente. Custa R$ 850.

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Data de publicação: 26/10/04

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