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É isso aí, meu velho

Idosos saem menos de casa, mas morrem mais
no trânsito; atropelá-los deveria ser crime hediondo

por Luís Perez

Que o desrespeito aos idosos é generalizado, nem é preciso dizer. Só não podia imaginar que teria conhecimento de dados tão passíveis de indignação como os recém-divulgados pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), referentes a estudos realizados entre 2000 e 2002.

Segundo a frieza dos números, há 18,6 mortes em acidentes de trânsito por grupo de 100 mil habitantes entre a população idosa, um número 60% superior ao da média em São Paulo, que é de 11,6 por 100 mil. Se tomarmos por base só as mulheres, o abismo cresce: 12,3 mortes por 100 mil habitantes entre as idosas, contra 4,8 entre a população feminina. Ou seja, 156% de aumento.

Detalhe: o idoso (cujo estatuto começou a valer no início deste ano) realiza a metade dos deslocamentos dos demais adultos. Ou seja, permanece mais em casa – pelos números do Seade, aliás, com toda a razão.

É o absurdo do absurdo! O recado não menos velado que a sociedade passa quando perde a paciência com alguém que, em razão da idade, vê diminuir seus reflexos. Vale lembrar, no entanto, que as seguradoras garantem prêmios mais em conta para condutores mais velhos, comprovadamente mais cautelosos no trânsito.

Onde vamos parar, no entanto, se o próprio IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indica que a população brasileira está envelhecendo? Em 2000 o grupo de até 14 anos era 30% da população, e os maiores de 65, 5%. Mas, em 2050, os dois grupos deverão se igualar em 18%. Ou toma-se uma providência já ou o trânsito vai virar uma carnificina ainda maior.

Não é preciso ser idoso, aliás, para ter dificuldades ao, por exemplo, atravessar certas ruas. Mesmo os jovens que tentaram atravessar uma avenida Paulista, em esquinas como Brigadeiro Luís Antônio ou rua Augusta, já tiveram a sensação de ser um “nada”. Ou seja, de que ao fechar o semáforo para pedestres (um tanto breve) os automóveis vão acelerar, ignorando sua presença sobre a faixa.

Se nem sobre a faixa os pedestres são respeitados, o que fazer, se as calçadas em geral simplesmente "empurram" as pessoas para as ruas? Seja pelos buracos, pelo desrespeito ao pedestre (ele que dê a volta) ou pelo tamanho diminuto dos calçamentos...

Dia desses ouvi um jornalista dizer que o grau de desenvolvimento de uma cidade pode ser medido por tamanho e conservação das calçadas. Não, não é exagero. Nem é por acaso que os anúncios de prédios novos trazem desenhos absolutamente irreais, com calçadas amplas e árvores (em geral coqueiros) plantados sobre elas.

Os idosos assassinados todos os dias por selvagens que não merecem a insígnia de motoristas não podem esperar. Atropelar um velhinho que atravessa uma rua deveria, tal como seqüestro, ser considerado crime hediondo.

 



Depois de quase dois meses fazendo o possível para não faltar com a entrevista semanal (nem sempre com êxito), tudo promete voltar à regularidade a partir da próxima semana. Cabe revelar o porquê ao leitor que me acompanha há mais de um ano neste espaço: acabo de assumir os desafios da função de editor-executivo da revista Avião Revue, da Motorpress Brasil Editora. Isso não muda meu contato com o meio automobilístico nem nosso encontro semanal nesta Autogiro.

Roda e avisa
Promoção – A Ford Motor Company anunciou que Antonio Maciel Neto foi promovido a vice-presidente corporativo, mantendo suas atribuições de presidente da Ford América do Sul e Brasil. É o primeiro brasileiro a ocupar esse nível de destaque na companhia.

Ampliação – A Honda planeja ampliar em 35% seus pontos-de-venda neste ano. Atualmente com 67 concessionárias da marca, tem a expectativa de encerrar 2004 com 78.

Cabeça a cabeça 1 – Disputa das que mais chamam a atenção no mercado de janeiro a agosto é a das minivans Picasso, Scénic e Zafira, 22ª, 23ª e 24ª colocadas, na ordem.

Cabeça a cabeça 2 – Enquanto o modelo da Citroën teve 7.211 unidades emplacadas neste ano, a da Renault registrou 7.071, e a da Chevrolet, 6.834.

Batizada – Na linha 2005, o picape Chevrolet Montana na versão básica deixou de ser um sem-sobrenome. Agora se chama Conquest – e se junta às versões Off Road e Sport.

Conhecimento blindado – A Abrablin (Associação Brasileira de Blindagem) vai lançar, durante o Salão de São Paulo, no próximo mês, uma publicação sobre o bê-á-bá da blindagem, prática infelizmente cada vez mais popular entre os donos de automóveis.
 
Shopping
Audi, 10 – Está chegando às livrarias A Chave do Sucesso - Como a Audi se Tornou Cult, em comemoração aos dez anos da marca alemã no Brasil. Da editora CB News, do jornalista Chico Barbosa, tem 150 páginas. Custa R$ 150.

Mais uma – Nesta semana chega às bancas a edição especial Motor Clássico, editada pelo jornalista Gabriel Marazzi. Na capa, o Citroën 11 Légère. A revista traz ainda reportagens sobre "mercado de pulgas", miniaturas, encontros, clubes e motos. Preço: R$ 10.

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Data de publicação: 14/9/04

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