Best Cars Web Site

Viva a indústria da multa

Quem teve a brilhante idéia de "avisar"
os motoristas sobre a existência de radares?

por Luís Perez

Toda sexta-feira o trânsito das grandes cidades é um inferno. Em semanas que antecedem feriados prolongados, como na que passou, a coisa piora. Para este colunista, é dia de deixar o carro em casa – algo já assimilado para paulistanos que têm placa de final 9 ou 0.

Largo o possante na garagem e saio com a prática Honda C100 Biz, já famosa nesta coluna. Passo pela avenida Jornalista Roberto Marinho (antiga Água Espraiada, uma das mais novas e largas da cidade) por volta das 17h e vejo profissionais que trabalham para aquelas empresas contratadas pela prefeitura para... multar.

Já li por aí que esses trabalhadores correm risco de morte. Alguns já foram agredidos fisicamente por motoristas inconformados por ter sido multados. Outros já quase levaram tiros. Também sei que as empresas terceirizadas para as quais trabalham lucram um bocado, pois ganham comissão sobre o que é arrecadado.

Eis que o círculo não é apenas vicioso, mas também viciado. Se o cidadão visse sob a forma de serviços públicos a recompensa pelos impostos que paga, talvez nem chiasse tanto caso recebesse uma multa de rodízio aqui, uma por excesso de velocidade ali. Acredite: este colunista já foi multado com razão por estar a 68 km/h em uma via na qual a velocidade máxima era de 60 km/h. Na minha cabeça, o pensamento foi algo como “ok, vocês venceram, eu estava errado”.

Tem gente que recorre, inventa mil histórias, alega que várias pessoas da família usam o carro, chega a mandar para a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) declaração do chefe dizendo que estava em horário de trabalho etc. Quer saber? É perfeitamente possível entender a revolta desses motoristas que são multados por um radar e, em seguida, arrebentam a suspensão em um buraco. Mas um erro está longe, muito longe, de consertar o outro. Envergonham-me argumentos do tipo “todo mundo faz isso”.

Não é preciso estar em época de eleição para se revoltar: moradores de ruas sem iluminação sendo obrigados a pagar taxa de luz, uma taxa “do lixo” que cheira a má administração dos impostos que a gente paga (note-se que o Imposto sobre Serviços, o tal ISS, é alto em São Paulo como em nenhuma outra cidade por aqui) e um monte de obras, todas sendo feitas ao mesmo tempo, sem que se tenha como fugir de um congestionamento quase sempre monstruoso. Não, não quero que me digam quantos quilômetros de lentidão estão sendo registrados pela CET no momento; quero saber quantas horas vou levar para percorrer três quilômetros!

Antes que algum leitor petista me acuse de fazer campanha contra a prefeita de São Paulo, vou logo dizendo: já pensei em escrever uma coluna sob o título “Eu odeio a Marta”. Mas isso aconteceu tantas vezes, em tantos congestionamentos irritantes, que a certa altura tive para mim mesmo que não seria nenhuma novidade. E como não é só São Paulo que padece desses males, convido o leitor a transpor para a realidade da cidade em que vive o hábito da cobrança e da indignação.

Por fim, gostaria de ressaltar que muito se fala sobre uma suposta indústria da multa. Mas quem tem medo dela senão os que praticam infrações? Quem inventou que é preciso “avisar” o motorista que determinada via tem radar? Pra que radar se a pessoa é avisada? Como disse a mim em entrevista o consultor de engenharia urbana Luiz Célio Bottura, entre a indústria da impunidade e a da multa, fico com esta segunda. É menos nociva.

 



A entrevista desta semana foi realizada em Brasília, onde este colunista participou do Simpósio Biodiesel PSA Peugeot Citroën Ladetel (Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas) da USP (Universidade de São Paulo). A conversa foi com o professor Miguel Dabdoub, coordenador do programa Biodiesel do laboratório. Continua

Roda e avisa
Simplesmente... – Agosto foi o melhor mês dos últimos quatro anos para a Ferrari no Brasil, com três 360 Modenas e dois Stradales vendidos. Foram comercializados ainda dez modelos seminovos.

...um luxo - O recorde de vendas, desde o início das operações da Ferrari no país, em 1993, aconteceu em outubro de 2000, com nove unidades (oito 360 Modena e um 360 Spider). “Estamos voltando aos bons tempos”, diz Francisco Longo, presidente da marca no Brasil.

De mais - Um jornal do Rio fez uma bela reportagem sobre o uso abusivo do pisca-alerta, que deveria servir para situações de emergência, mas é indiscriminadamente ligado pelos motoristas, como se livrasse da multa em caso de parar em fila dupla.

De menos - Enquanto isso, em São Paulo, os motoristas parecem querer "economizar luz" e simplesmente ignoram a necessidade de sinalizar mudança de direção. Isso acontece com freqüência em caso de mudança de faixa e mesmo quando o automóvel vira em uma esquina.

Monte e use 1 - A Fiat Automóveis e a comercializadora Todeschini, importador da marca para a Venezuela, formalizaram um acordo para a montagem de um modelo de baixo custo destinado ao mercado venezuelano, a partir de CKDs (desmontados) importados do Brasil.

Monte e use 2 - Depois de um período de retração, o mercado de automóveis na Venezuela entrou em recuperação em 2004. Em parte esta recuperação foi propiciada por incentivos fiscais dados pelo governo para carros de baixo custo, os “familiares”.

Pra chinês ver - A Volkswagen estará no GP Shangai de Fórmula 1, no dia 26 de setembro. É a primeira vez que a empresa aparece na competição, na qual haverá 18 Polos com motor FSI 2,0-litros de 150 cv.
 
Shopping
Viva-voz – Já existe um espelho retrovisor universal, com viva-voz e gravador para celulares, que pode ser acoplado em qualquer marca de aparelho. Permite falar sem tirar as mãos do volante. Custa R$ 250.

Colunas - Página principal - Escreva-nos - Envie por e-mail

Data de publicação: 7/9/04

© Copyright - Best Cars Web Site - Todos os direitos reservados