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Quero ser grande!

Novo Fiesta Sedan confirma tendência de fazer modelos que
dão impressão de ser maiores; parecer já é o bastante

por Luís Perez

“O meu é menor que o seu.” A frase estampada em um comercial de telefone celular poderia ser emprestada a muitos outros itens modernos de consumo – câmeras digitais, gravadores, computadores e, mais recentemente, cartões de crédito. Tudo está diminuindo. Na contramão dessa tendência, os automóveis procuram parecer cada vez maiores.

Não chega a ser uma má idéia. Ouvi pela primeira vez no mercado brasileiro a expressão size impression no lançamento dos novos Fiats Siena e Palio Weekend, em março. Suas lanternas foram desenhadas com o objetivo de que os carros pareçam maiores do que realmente são. O novo Fiesta Sedan, que será lançado no início do próximo mês pela Ford, confirma essa tendência.

Sua lanterna traseira com elementos do tipo canhão é triangular, lembrando em muito o sedã topo-de-linha da marca, o Mondeo. Aliás, internamente a Ford já o batizou de “Mondeozinho”. É fato que, para o consumidor médio brasileiro, o desenho substitui o tamanho real do veículo. Ninguém (a não ser que tenha uma vaga de garagem limitadíssima) se dá ao trabalho de medir comprimento, largura – que dirá entreeixos. Nem quem tem a obrigação de medir as dimensões o faz. Basta olhar os tetos raspados nas pontes de São Paulo.

Conversava ontem com uma amiga que mora nos EUA. Seu enorme picape Dodge Ram por lá é praticamente um automóvel. Não foi à toa que a Ford reformulou o Ranger à imagem e semelhança de modelos maiores consagrados, como F-150 e F-250. É como se as apertadas ruas das grandes cidades (e deprimentemente intransitáveis, como a São Paulo pré-eleitoral) precisassem de modelos que parecem, mas não são grandes.

Quer saber? Não têm de ser grandes mesmo. A vocação do mercado brasileiro é européia, não americana. Embora falar em “vocação” possa parecer vago, ela se reflete não apenas no perfil do consumidor, mas no das dimensões de faixas de rolamento. Basta caminhar pelo centro velho de São Paulo para perceber isso. Veículos de tamanho avantajado simplesmente não caberiam nas ruas – também concebidas como a Europa do século 19.

Há exceções, como Brasília. Suas avenidas largas (é uma cidade que requer carro para tudo) lembram Los Angeles ou Las Vegas, nos EUA. Mas o coração econômico do país simplesmente teria suas artérias entupidas caso recebesse automóveis de seus cinco ou seis metros de comprimento. Ainda mais porque o brasileiro, em geral sem o mínimo senso de coletividade (alimentado meio pelo consumismo, meio pela péssima qualidade do transporte coletivo), costuma andar sozinho em modelos de cinco lugares.

Tem candidato a prefeito que se arrepia só de ouvir falar (afinal, poucas iniciativas seriam tão impopulares para a classe média), mas pode ser que a próxima gestão nos grandes centros urbanos já tenha de lançar mão de um pedágio urbano, assim como o que foi implantado em Londres há dois anos, sob muitos protestos. Hoje os londrinhos já se acostumaram. Como seria aqui?

 



O entrevistado da semana é Cledorvino Belini, superintendente da Fiat Auto na América Latina, para quem “em condições normais” a marca continuará a ser líder no país. “Não compramos mercado”, afirma. Continua

Roda e avisa
Mais fácil 1 – O Consórcio Nacional Honda está lançando planos de 60 meses para adquirir carros da marca. É possível comprar um Fit desembolsando parcelas de R$ 561,29.

Mais fácil 2 – Se optar pelo plano de consórcio com 100% do crédito de um Fit LX com câmbio manual, que custa R$ 38.850, em 60 parcelas o consorciado paga R$ 748,38 por mês.

Aniversário – A Peugeot está comemorando três anos no Brasil. Para lembrar a data, vai sortear três 206 e 100 palms a clientes que fizerem teste nas concessionárias.

GM passa a VW – Pesquisa da Cinau (Central de Inteligência Automotiva) sobre preferência de mecânicos na reparação revela que a General Motors passou a Volkswagen na predileção. Ficou com 33,2% de recomendação, contra 31,7% da rival.

Oportunistas nada trapalhões – O humorista Renato Aragão caminhou 150 quilômetros a pé até Aparecida, anos atrás, para agradecer a uma graça alcançada. Um avião passou jogando panfletos. Quando foi ler, estava escrito: “Se o Didi soubesse o preço dos carros da Chevrolet, não iria para Aparecida a pé”.
 
Shopping
Deficientes – A Cavenaghi está lançando o Multi Lift, base fixa instalada no automóvel de uso das pessoas portadoras de deficiência, que transfere a pessoa que está em uma cadeira de rodas, por exemplo, para dentro do veículo ou vice-versa com um elevador elétrico. Preço: R$ 3.200.

Crianças – A dica já é para o Dia das Crianças: Moto Elétrica Barbie Bandeirante. Para crianças de dois a oito anos, funciona com bateria selada de 6 volts e vem com carregador. Preço: R$ 700.

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Data de publicação: 17/8/04

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