Best Cars Web Site

De bem com a vida

Educação no trânsito tem relação direta com prazer de dirigir

por Luís Perez

Comentava outro dia com uma amiga que esperava ser mal interpretado quando, semanas atrás, afirmei que era provável que o dono de um automóvel de luxo fosse mais bem educado no trânsito do que o proprietário de uma "lata velha" (leia coluna). Como o BCWS já afirmou até em editorial, tenho um gosto especial pela polêmica, por temas picantes ou, digamos, venais. Nesse caso, veio a decepção: ninguém me espinafrou, pois talvez eu tenha transmitido bem o que quis dizer.

Já fui questionado sobre como nascem os temas que abordo aqui. Ora, como em qualquer veículo, a partir de idéias de pauta. Podem surgir em uma viagem, em um bate-papo, em conversas com fontes, em entrevistas formais, em análises de dados ou até (e isso tem sido comum nas últimas semanas) na análise do comportamento das pessoas no trânsito.

Nos EUA e na Europa, o pedestre, ainda que sem tanta razão (ao atravessar a rua fora da faixa, por exemplo), é sempre o senhor da situação. O motorista pára e aguarda que a pessoa complete sua travessia. Sabe que as conseqüências de machucar alguém não serão pequenas. Além do quê, fazê-lo seria, acima de tudo, uma covardia.

Foi ao atravessar uma rua no bairro da Pompéia, em São Paulo, que nasceu a idéia para este texto, meio um novo capítulo dessa relação formação/comportamento no trânsito. Numa dessas manhãs em que saio para tomar café (ou seja, não acordei ainda...), vou atravessar a rua quando a motorista de um Fiat Mille me dá a preferência antes de dobrar a esquina.

Pois o que chama a atenção não é o fato de parar o carro e acenar, dando passagem ao semiletárgico pedestre. É o sorriso aberto, alegre, com que fez isso. Como o carro não tinha película escura (!), pude notar, no banco de trás, um menino de seus dois ou três anos, acomodado em uma cadeirinha apropriada. Será seu filho? Sobrinho? Neto? Não importa.

Corto a cena para dias antes, no bairro de Pinheiros, onde vi, em um Gol devidamente “protegido” (com filme e engate na traseira), uma criança de menos de dez anos sendo transportada sem cinto de segurança no banco dianteiro, no colo de um adulto. Não seria preciso ocorrer um acidente. Bastaria uma desaceleração brusca (uma freada de emergência) para que a criança do Mille sentisse um tranco que nem a machucaria; algo da mesma intensidade no tal Gol poderia se transformar em uma tragédia – traumatismo craniano, escoriações ou algo do gênero. Deus quis? Estava escrito? Era o destino? Talvez esteja na hora de valorizar a vida em vez de acreditar em bobagens assim.

Só que já martelei muito nessa tecla da educação. Voltando à sorridente mulher do Mille, outro sentimento que ela transmitiu, além da completa consciência de o que significa educação de trânsito, foi uma imensa alegria de estar ao volante daquele carro. Pois é, algo que muita gente sabe o que significa (e eu em particular): prazer de dirigir. Acredito piamente que as duas coisas têm relação direta.

Claro que para muitos conduzir um automóvel é uma tortura. Devo dizer que prefiro andar de táxi e de metrô nos dias em que o trânsito está carregado (em particular, às sextas-feiras), quando o anda-e-pára só me deixa usar primeira e segunda marchas. Cansa só de pensar. Mas em uma bela auto-estrada ou mesmo na cidade, em um domingo ensolarado, é mais fácil entender a que me refiro. Liberdade, sentir o motor, as marchas, caprichar nas curvas sem, no entanto, colocar em risco a vida de ninguém.

Veículos modernos estão cheios de recursos. Mas o prazer de dirigir não é apenas manejar um carro confortável. Como definiu o ex-piloto Gerhard Berger ao dirigir o Lotus de Ayrton Senna em Imola, neste ano, ao relembrar os dez anos da morte do piloto brasileiro, conduzir um bólido sem tantas traquitanas eletrônicas tem seu valor – e dá um imenso prazer. Que o digam os donos de automóveis com mais de 30 anos, os antigomobilistas. Dirigir essas máquinas é como voltar no tempo. Fascinante.

Mas prazer de dirigir é algo indecifrável. É ficar fascinado com o rugido de um Ferrari, com o assobio do Alfa Romeo ou até lembrar a infância ao ouvir o ronco barulhento de um Fusca. Isso, no entanto, é só o começo. O outro extremo é a condução. No meio disso tudo, o toque, o fascínio com soluções que, afinal, saíram da engenhosidade humana. E elas estão em todos os tipos de carro, de todos os tempos. No fundo, traduzem muito de felicidade (como o sorriso daquela mulher), de superação. Enfim, da alegria de viver.

 



Na entrevista da semana, Francisco Longo, importador oficial da Ferrari e da Maserati no Brasil. Continua

Roda e avisa
Espetáculo do crescimento – A Land Rover está rindo sozinha. A marca registrou crescimento de 75% no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado. Foram comercializados 792 utilitários da marca britânica nos seis primeiros meses deste ano: 421 Defender, 111 Discovery, 220 Freelander e 40 Range Rover.

Até tu, bikes – Em Uberaba, MG, são tantos os acidentes envolvendo ciclistas que a fiscalização “resolveu” seguir o código de trânsito. Está parando os ciclistas que andem na contramão ou não estejam com a bicicleta em dia. A medida busca sanar um problema já enfocado em Editorial do BCWS em 2002.

Odeio segunda-feira – Esta é para quem gosta de notar os carros dos filmes. Jon Arbucle, dono do gato Garfield (do filme homônimo), tem um Volvo S60. Já a veterinária Liz anda com um picape Nissan Frontier.

Ligeiramente novos – A Renault promove até 2 de agosto a 6ª. Ação Seminovos, com taxas de juros de 1,7% a 1,99% ao mês para toda a linha de modelos a partir de 98/99.

Parece que foi ontem – Não é que o velho projeto Tupi, ou melhor, o Volkswagen Fox, já está completando 50 mil unidades produzidas? Versão fora-de-estrada do modelo, similar ao conceito CrossFox, será novidade da marca no Salão de São Paulo.
 
Shopping
Nostalgia – Está chegando às bancas a revista especial Flashback, para quem gosta de lembrar o passado. Além de uma nota deste colunista sobre o Chevette Jeans, vem junto um CD com 30 jingles. Entre eles, dois da Chevrolet, o do picape Silverado e o saudoso Meu coração/Bate mais alto dentro de um Chevrolet. Revista, encarte e CD saem por R$ 14,95.

Sem trânsito – A Caloi Easy Rider é uma bicicleta sob medida para andar na cidade e escapar dos congestionamentos. Com quadro e guidão de alumínio e raios de aço inox, custa R$ 1.200. Tel. 0800-7018022.

Colunas - Página principal - Escreva-nos - Envie por e-mail

Data de publicação: 20/7/04

© Copyright - Best Cars Web Site - Todos os direitos reservados