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Assim roda a civilidade

Ser dono de carro de luxo é sinal de boa educação?

por Luís Perez

Vida de jornalista mambembe é meio assim, como um assessor de imprensa “às avessas”: o responsável por determinada marca quer o produto que representa marcando presença em jornais e revistas. O que para eles é um fim, algo acabado, para mim é um meio, matéria-prima. Procuro ler muito para entender minimamente a respeito do assunto sobre o qual preciso escrever.

Numas dessas buscas por pautas em pilhas de publicações que vão até o teto do escritório, encontrei uma revista de automóveis francesa em que havia uma charge dizendo mais ou menos o seguinte: o francês médio é muito educado, mas experimente colocá-lo ao volante de um automóvel.

Lembrei até um antigo desenho do Pateta, em que ele era um amor. Mas bastava sentar no carro para ficar endiabradamente perverso. Não é algo tão distante dos motoristas da “vida real”. Com a diferença de eles colocarem a vida dos outros em perigo – de verdade. Sob o risco de parecer preconceituoso, eu, que já defendi aqui aulas de pilotagem conjugada com as das auto-escolas (leia coluna), agora proponho testes de conhecimentos gerais, aulas de cidadania e civilidade para os motoristas. “Lá vem esse chato de novo”, dirão alguns leitores.

Pois repare quem pára sobre a faixa de pedestres, quem vem na contramão ultrapassando os outros na faixa contínua, quem faz a tentadora conversão proibida, quem não mantém seu automóvel em ordem. Há uma relação diretamente proporcional entre nível cultural, renda e civilidade, no trânsito incluído. Carros velhos e malcuidados em geral são conduzidos por motoristas relapsos, omissos e com pouco preparo, inclusive emocional, para dirigir. A começar por quem o faz sob efeito de álcool ou qualquer outra droga.

Todo mundo comete erros, por mais defensivamente que dirija. Este colunista, que certa vez já levou um puxão-de-orelha por escrever neste espaço ter andado de moto com o retrovisor quebrado (já o consertei), concorda que tenha de dar o exemplo. É inevitável, às vezes, ser protagonista de uma fechada (leve, que seja) no trânsito. Nessa hora deve-se ter a humildade de pedir desculpas. Já o fiz.

Ora, pra quê? O fechado me perseguia a cada semáforo para reclamar; eu repetia o pedido de desculpas, e o cidadão vinha atrás – “Você me fechou, isso não se faz, não olha por onde anda (...)?”, continuava, insistente. Tive ímpetos de passar a ser eu indelicado com o sujeito, dizendo algo do tipo: “Já pedi desculpas, caramba. O que mais você quer que eu faça?”

Há pessoas mais pobres extremamente educadas, que não perdem o prazo de manutenção do seu carrinho. Assim como existem seguranças que, para proteger seu patrão ricaço, ignoram as leis de trânsito, subindo em canteiros, trafegando na contramão e estacionando em locais proibidos, como se estivessem acima da lei. Em resumo, é o famoso “você sabe com quem está lidando?”.

Outro dia vi na TV um vereador paulistano que usa as proibidas placas de aço para fugir de multas e rodízio. Ao repórter, declarou: “Eu não tenho de me submeter à lei”. Detalhe: ele ajuda a elaborar as leis que depois se nega a cumprir. Trata-se do ditado da casa de ferreiro, só que sem a mínima graça.

Pergunto: ter um modelo de luxo é sinal de boa educação? Outro dia conheci uma garota que andava até há pouco com um dos automóveis mais cobiçados do mercado. Eis que ela, comendo bombons, abre a janela do carro e diz, jogando o papel-alumínio na rua, “ah, eu odeio fazer isso...”. Pois eu também odeio. E a fiz recolher o lixo para guardar dentro do carro, deixando para jogá-lo fora mais tarde. “Não acredito que você vai exigir que eu faça isso”, disse, incrédula, antes de recolher o papel. É, pode acreditar.

Dia desses estava com um Audi A3 de teste. Esqueci alguma coisa em casa e tive de voltar. Estacionando meio displicente na garagem, com pressa, não notei que havia “invadido” o pedaço da vaga de outro morador do prédio. Na volta (não demorei mais do que cinco minutos), havia um bilhete, que me surpreendeu menos pelo sabão que levei e mais por um trecho que dizia: “De que adianta ter um Audi se não tem educação?”

Pois é. E aquele Audi nem era meu.

 



Neste dia 1º, Autogiro faz um ano. Gostaria de agradecer aos leitores que me acompanharam durante estas 50 colunas de toda terça-feira (interrompidas apenas no Ano Novo e no Carnaval). Costumo dizer que, apesar de alguns textos darem um pouco mais de trabalho para sair, é uma diversão escrever neste espaço. Espero que o leitor se divirta e aprenda tanto quanto eu.

Por falar em aprender, recomendo a leitura do Editorial desta edição, sobre o quanto aprendemos com as diferenças. Tive a oportunidade de conviver com uma pessoa que costumava dizer que “sem atrito não há fogo”. O problema é que era piromaníaco.

 



Para comemorar este aniversário, procurei caprichar e trazer um entrevistado muito especial: o publicitário Alex Periscinoto, o responsável pelos primeiros anúncios do Fusca brasileiro, há 45 anos. Não preciso dizer que vale por uma aula. Continua

Roda e avisa
Política de descontos - A Citroën está lançando a Campanha de Inverno Chrono Service, que oferece aos donos de Xsara, Xsara Picasso, Berlingo, C3 e C5 quatro pacotes de serviços rápidos com descontos que vão de 15% a 20%. Até o final de setembro, a estratégia é fidelizar os clientes da marca e motivá-los a utilizar serviços e peças nas concessionárias.

Motor nacional - Falando em Citroën, o início deste segundo semestre marca a nacionalização do propulsor 1,4-litro do C3, também usado pelo Peugeot 206. Mas quem espera que o preço caia pode esquecer. Na verdade, as vendas devem aumentar porque a empresa tem "segurado" essa versão, que atualmente dá prejuízo.

Coisa de criança - De 3 a 11 de julho, acontece em São Paulo a Semana Criança Segura, em que a Johnson & Johnson e a ONG Criança Segura vão checar as cadeirinhas das crianças em três supermercados Extra (Morumbi, JK e Taboão). As equipes vão orientar sobre como instalá-las e posicioná-las corretamente.

Coisa de mulher - Para este colunista, já está na hora de parar de alardear determinadas iniciativas como sendo realizadas apesar de ser "de homem" ou "de mulher". Mas aí vai: a autorizada Vocal, da Volvo, está divulgando que seu atendimento é feito por uma relações-públicas com curso de mecânica. Para a empresa, a iniciativa proporciona um "charme" à relação com o cliente.

Manutenção - Dia 4 acontece um seminário promovido pelo GPE (Grupo de Planejamento Estratégico) e pela Editora Photon em que está prometida a presença do publicitário Washington Olivetto (leia entrevista) para estimular o consumidor a se habituar a fazer a manutenção preventiva. O evento pretende reunir fabricantes, distribuidores, varejistas e reparadores do setor independente de autopeças.

Flex total - Até o final do ano, os cinco maiores fabricantes de automóveis do país (além de Fiat, GM e Volkswagen, também Ford e Renault) deverão ter suas versões com motor flexível. Na Ford, o "flex" chega nas versões sedã e hatch do novo Fiesta; a Renault diz apenas que a produção em São José dos Pinhais, PR começa no final do ano.
 
Shopping
Com DVD - Um lançamento da Sony para registrar os melhores momentos da viagem em DVD é a câmera DCR DVD 101. Depois é só chegar em casa e assistir às peripécias do fim de semana. Custa R$ 5.389.

Ora, veja só - Os toca-fitas ainda existem. E custam barato. Um exemplo é o modelo Cougar Car-217R, que sai pela bagatela de R$ 99. O "popular" traz como item mais importante a frente destacável.

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Data de publicação: 29/6/04

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