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Piloto de rua

Que tal deixar de acreditar na improvisação e no
brilhantismo e notar que dirigir bem é um método?

por Luís Perez

Este colunista apóia a idéia de que os motoristas freqüentem aulas de pilotagem. Calma, antes que eu seja apedrejado, é preciso esclarecer alguns pontos.

Primeiro: tudo bem, é temerário falar em ensinar condutores comuns a ser pilotos, ainda mais em um país onde não se aprende o básico, como sinalizar as manobras com a luz de direção. Aliás, a deficiência das auto-escolas já foi abordada neste espaço (leia texto).

Segundo: é preciso encarar a cultura do “nasci sabendo”, do “aprendi sozinho” e do “sou bom motorista por vocação”, tão comuns por aí, o que despeja nos trânsito viciado na direção no pior sentido. Por fim, esclareço que aulas de pilotagem ensinam muito mais do que acelerar. Mostram como ter postura, disciplina e responsabilidade.

Já fiz um sem-número desses cursos, no Brasil e no exterior. Quase sempre são ministrados por especialistas contratados por marcas como Volvo (que ainda tem na segurança sua maior bandeira), Audi e Mercedes-Benz. Um dos mais tradicionais é ministrado pelo piloto Ingo Hoffmann, da Stock Car, para a BMW.

É o Driver Training, no qual, após algumas orientações teóricas, dá algumas dicas práticas. Entre elas, a necessidade de se sentar corretamente: braços e pernas ligeiramente flexionados, cabeça a quatro dedos do teto e volante sempre na posição “dez para as duas”. Sim, acredite, 70% das manobras do dia-a-dia são feitas nessa posição.

Qual não foi minha surpresa outro dia, quando peguei o automóvel que anteriormente havia sido dirigido por um colega mais ou menos da minha estatura. Se mantivesse os comandos naquela posição, seria obrigado a ficar, por assim dizer, meio deitado no habitáculo. Dificilmente reagiria bem a uma situação de emergência naquela posição.

Aliás, em uma longa estrada reta, com alguma facilidade eu pegaria no sono. Ser piloto de rua não é fácil. Requer concentração e disciplina até que tudo vire uma espécie de ato reflexo. Você se condiciona a dirigir bem, evita dores de cabeça e não coloca em perigo a sua vida e a dos outros.

Por acaso escrevo esta coluna na semana em que foi disputado o GP de Mônaco de Fórmula 1. Graças às câmeras a bordo, os telespectadores do mundo todo podem acompanhar a habilidade dos pilotos. Como a corrida do principado é disputada em um circuito de rua, os carros passam a poucos centímetros dos guard-rails. E não deixam dúvidas de que são um desafio à pilotagem, à disciplina e à concentração.

Um dos erros capitais do motorista brasileiro é acreditar piamente que o improviso e o pretenso brilhantismo pessoal podem se sobrepor a algo que, a princípio, não passa de método. Que aliás ajuda a chegar bem disposto ao seu destino mesmo depois de uma longa viagem de carro.

A arte de dirigir é, por assim dizer, como a de escrever ou tocar um instrumento. Não faltam aventureiros que acreditam estar desempenhando brilhantemente seu papel. Mas são facilmente desmascarados pelos conhecedores do assunto, tão tosca é sua maneira de agir. Os candidatos a pilotos de rua tiram racha nas avenidas em vez de fazê-lo nos autódromos, jogam o automóvel deles sobre o seu sem mais nem menos (como fez comigo outro dia um grupo de boyzinhos dentro de um Logus) só para demonstrar sua coragem, avançam sobre a faixa de pedestre para bancar os espertos e “queimar a largada” quando o sinal abre...

Para um grupo de amigos, botam banca. Assim como fazem pseudo-escritores que copiam e colam poemas da internet para impressionar as menininhas. Ou como aquele pretenso músico que só sabe três acordes no violão para entreter um grupo de amigos na rodinha do colégio.

Até aí, tudo bem. Não fazem mal a ninguém a não ser para a já aniquilada cultura nacional. O problema é que os motoristas que usam um veículo para manifestar sua macheza não são pilotos. São potenciais assassinos.

 



A entrevista da semana é com um experiente mecânico paulistano, Walter da Costa Moreira. Ele conta o que mudou nas oficinas em seus quase 30 anos de profissão. Continua

Roda e avisa
De Índia – A Audi inaugura em julho duas concessionárias na Índia. As vendas vão começar com o cupê TT e a perua Allroad Quattro. Naquele país, o mercado de carros de luxo triplicou nos últimos cinco anos.

De índio – Uma piada já circula no meio automotivo: a Fiat teve de conseguir autorização da Funai para conseguir lançar o novo Strada em Carajás (PA), de 3 a 5 de junho. "Será um grande programa de índio", brincam alguns jornalistas.

Alô, Heródoto – Com um adiamento de dois anos, o Microbus vai deixar o mundo dos carros-conceito. Apresentado em Detroit, em 2001, como uma versão futurista da Kombi (carro usado pelo jornalista, que Autogiro entrevistou), o modelo da Volkswagen será fabricado em 2007 em Hannover, na Alemanha.

Marketing - No bairro de Perus (extremo norte de São Paulo), alguém batizou o lava-rápido com um nome bem criativo (foto): Salão dos Automóveis. Não é facilmente associado à imagem de um carro sendo bem tratado?

Carona no leão – A concessionária VW Sabrico inova ao antecipar a restituição do imposto de renda aos consumidores que comprarem um zero-quilômetro ou um seminovo.

Enquanto isso... – Este colunista continua há três meses aguardando a mesma Sabrico a convocá-lo para o teste do utilitário esporte Touareg. O modelo continua na vitrine, para ser experimentado apenas por VIPs.

 
Shopping
Livro – Desde que foi inventado, no final do século 19, até virar protagonista do dia-a-dia. "A Vida Cultural do Automóvel" (Civilização Brasileira, 368 págs.), de Guillermo Giucci, ajuda a contar um pouco dessa história. R$ 38,90.

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Data de publicação: 25/5/04

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