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Coisa de pobre

Perua não substitui minivan e vice-versa. E
"questão cultural" é desculpa esfarrapada

por Luís Perez

Em um distante setembro de 1998, no Salão de Paris, a Renault celebrava sua chegada ao Brasil com direito a escola de samba e show de mulatas em pleno Expo-Porte de Versailles. Começava uma epopéia: a das minivans. A fábrica seria inaugurada apenas quase três meses depois. Mas Guilherme Athia, então diretor de comunicação da empresa, dizia, entusiasmado: “É, meu caro, já estão saindo carros de lá”, referindo-se ao complexo industrial Ayrton Senna, de São José dos Pinhais, PR.

Depois da Scénic (ao lado), outras novidades viriam: Chevrolet Zafira, Citroën Xsara Picasso e as derivadas dos compactos – por enquanto, mas é uma questão de tempo, representadas apenas pela Meriva. Começava uma discussão um tanto inglória: se as minivans substituiriam ou não as peruas no país. É com satisfação que vemos, ainda que com intervalos de tempo um tanto expandidos entre um lançamento e outro (o da Peugeot 307 SW foi em abril de 2003 e o da Toyota Corolla Fielder, na última semana), sua manifestação de força no mercado nacional.

A bem da verdade, essa mania de achar que determinado segmento, meio ou estilo elimina o outro é coisa de pobre – de mercado e, por que não dizer, de espírito. Aliás, boa parte do empresariado brasileiro tem na “falta da cultura de” um álibi perfeito para justificar a covardia em se manter com margens de lucro menores. Certa vez ouvi um empresário artístico afirmar que o brasileiro “não tem a cultura de comprar CDs single [aqueles com apenas uma ou duas músicas]”. Bobagem. Brasileiro não tem é dinheiro para pagar pelo menos R$ 30 por um CD de 12 músicas (que dirá de duas!). Daí a pirataria, a distribuição de música pela internet e as cópias caseiras.

E que brasileiro “não tem o hábito da leitura”, então? O amigo leitor já ouviu? Pois veja o sucesso das bibliotecas públicas nos bairros de periferia. Alguém espera que o trabalhador que leva quatro horas por dia para ir e voltar do trabalho e enfrenta uma jornada de no mínimo 12 horas por dia, para levar para casa um salário muitas vezes miserável – se não quiser assim, há quem queira –, ainda encontre tempo para Machado de Assis, Balzac ou Dostoievsky?

Se jornalista não lê, que dirá o torneiro mecânico? Por falar nisso, a imprensa adora se adiantar aos fatos. Foi assim há 50 anos, quando alguns disseram que a TV iria acabar com o rádio. E está sendo assim com a internet – “concorrente” dos jornais, que, ou reformulam seu conteúdo ou podem não acabar, mas ficar inviáveis, dados os altíssimos custos de produção.

Voltando a nosso tema, perua não substitui minivan, nem minivan substitui perua.

Primeiro, porque são configurações bem diferentes, o que implica diferenças básicas no comportamento dinâmico, no aproveitamento do espaço, na forma de dirigir. Minivans são mais altas, uma dádiva para baixinhos como este colunista de 1,69 metro. Mas não permitem uma condução esportiva como as peruas. Alguém imagina a Alfa Romeo 156 SportWagon (foto) em versão minivan? Mesmo a Peugeot 206 SW, que será brasileira no final deste ano, propagandeia sua esportividade nos mercados europeus, onde já é vendida. E a “esquecida” Marea Weekend, que tem uma versão turbo de 182 cv?

Minivan vende uma versatilidade que existe, mas dificilmente é praticada. “O modelo Tal permite X combinações, tem bancos removíveis, escamoteáveis, "desaparecíveis" etc. etc. etc.” é o que afirmam os prospectos. Mas nunca vi, a não ser nas fotos de divulgação, alguém tirar os bancos para carregar uma bicicleta ou abarrotar o carro de compras (por favor, o leitor que já usou minivan para isso, me escreva). Nunca vi a criatividade do brasileiro – esta sim, rica de espírito – sendo usada para bolar novas configurações de bancos de minivans.

Roda e avisa
Fala, meu chip - A utilização de um chip que carrega referências sobre o processo de produção de um veículo (e que poderá ser usado nas concessionárias durante as manutenções) é tema de palestra no 11º. Congresso e Exposição Internacional de Automação, quinta-feira (13), às 11h, no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo (rodovia dos Imigrantes, km 1,5, Água Funda).

Ah, tá 1 - O Contran (Conselho Nacional de Trânsito), aquele órgão que proibiu o GPS (leia coluna a respeito), agora aprovou uma resolução proibindo o uso de pneus reformados em motos. Esta coluna pergunta: quem vai fiscalizar?

Ah, tá 2 - "Os estudos técnicos promovidos pela Câmara Temática comprovou (sic) que, devido às peculiaridades desses veículos, como a menor estabilidade, o uso de pneus reformados ou de rodas com aqueles defeitos implica risco iminente de acidente grave", diz o comunicado do Denatran. O próximo passo talvez seja proibir os patrões dos motoboys de pagar um salário de fome.

Meu ídolo 1 - Este colunista conhece a maioria desse pessoal que cobre Fórmula 1. Já faz algum tempo que não encontro o repórter da TV Globo Pedro Bassan, mas na transmissão do GP da Espanha ele virou meu ídolo.

Meu ídolo 2 - Eu já andava irritado com a mania que Galvão Bueno tem de não deixar o repórter falar quando chamado da pista. Havia sido assim nas quatro corridas anteriores. O locutor ora diz "um instante" e esquece o chamado, ora o ignora. Pois Bassan simplesmente deu a informação sobre o pit-stop de Cristiano da Matta sobre a voz de Galvão. Foi o momento mais emocionante da transmissão.
 
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Arranhou? - Pequenos riscos, que antigamente exigiam nova pintura, podem ser encobertos por ceras como a ColorShine da AutoShine. Deve ser comprada na cor mais próxima do veículo e custa em média R$ 10.

Bem à mão - Para quem gosta de personalizar o interior do carro, a Shutt oferece o pomo de câmbio Orbitt Knob MBT3S, com acabamento em aço escovado. Aplica-se a modelos Ford, VW, Chevrolet e à linha Palio e tem preço médio de R$ 60.

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Fotos: divulgação - Data de publicação: 11/5/04

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