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O Brasil de Senna, Barrichello e Pagodinho

Que país é este em que a estátua do ídolo Ayrton, morto
há dez anos, é vendida ao ferro-velho a R$ 2 o quilo?

por Luís Perez

Em que pese o tédio com o qual começou a temporada 2004 da Fórmula 1, permita-me voltar a falar no assunto, quase sete meses depois de ter escrito o achincalhado artigo Barrichello é um vencedor. Até para facilitar e vida do leitor, resolvi construir a coluna de hoje em tópicos, a saber:

> Que país é este, em que um ídolo como Ayrton Senna tem sua estátua depredada, exatos dez anos após sua morte? A homenagem custou aos cofres públicos (ou seja, aos moradores de São Paulo) cerca de R$ 90 mil; seus pedaços, de bronze, estavam sendo vendidos a R$ 2 o quilo a um ferro-velho. A bandeira já sumiu, a grama cresceu e a pichação tomou conta de seu entorno.

A prefeitura diz que falta efetivo para cuidar do monumento. Mas o governante que a inaugurou, Paulo Maluf, manteve um carro da guarda municipal em tempo integral ao lado da estátua, enquanto foi prefeito (já pensou ela aparecer pichada em sua gestão? Mas será que na gestão da sucessora pode?). Claro que é um exagero. Como sair dessa encruzilhada? Há muita gente pobre na França. Mas como explicar a um francês se alguém estivesse vendendo o Arco do Triunfo, símbolo das vitórias de Napoleão, aos pedaços?

> A Ferrari anunciou aos quatro ventos ter liberado o duelo interno entre seus pilotos, Rubens Barrichello e Michael Schumacher. Será que a escuderia italiana teria contratado o piloto brasileiro se soubesse que um cantor popular como Zeca Pagodinho ignorou um contrato vigente porque “na ética de Xerém o que eu falo vale mais do que qualquer papel escrito”? Ou seja, que o Brasil continua o país dos espertos, dos bárbaros, onde vale tudo...

> Aliás, falar em liberar o duelo interno ainda vai. Agora, dizer que os dois vão disputar o título em “igualdade de condições”, como apregoaram alguns órgãos de imprensa, é misturar um pouco os conceitos. As duas primeiras provas mostraram que não há igualdade de condições por uma razão bem simples: ao volante de um está Schumacher e, ao de outro, está Barrichello, como disse a mim o editor de uma renomada revista. Talvez houvesse, se Schumacher largasse 20 segundos depois...

> Durante o Senna in Concert (Pacaembu, no último sábado), caiu uma ficha: Ayrton Senna está para a geração de muitos adolescentes de hoje (faixa dos 13, 14 anos) como Pelé está para a minha (tenho 32, não me lembro de ver o rei do futebol jogar).

Durante a comemoração, o telão mostrava qualidades de Senna (todas positivas, como ele tem de passar a essas gerações). Com uma delas eu não concordo: humildade. O piloto parecia bem consciente de que era bom (de fato era excepcional!) e não parecia exatamente modesto.

Outra ficou faltando: “vingativo”. Seu bicampeonato, em 1990, foi conquistado à custa de um “troco” dado ao rival Alain Prost em uma curva de Suzuka, no Japão. Os dois se chocaram de forma muito parecida com a que ocorrera um ano antes, no mesmo circuito, dando o título a Prost. Só que em 1990 a vantagem era do brasileiro.

> Todo mundo reclama que Barrichello é o segundo piloto de Schumacher. Será que ninguém pensa no público austríaco? Afinal, Gerhard Berger teve de amargar ser o segundo piloto de Senna por anos a fio...

> Sei que há muito dinheiro envolvido e que a imprensa procura, até por necessidade do público, criar novos ídolos no esporte. Problema é que o brasileiro precisa aprender a gostar de tênis independentemente dos Gugas, de ginástica mesmo sem as Daianes e de automobilismo sem, no entanto, ter pilotos brasileiros chegando na frente – o show e a superação também valem. Notei inclusive uma grande tendência na mídia de começar a endeusar Nelsinho Piquet. Afinal, será ele nossa próxima decepção na Fórmula 1?

 



O Salão de Genebra (leia cobertura) acabou há 10 dias. Na semana que passou, o presidente da exposição, Claude F. Sage, falou, em entrevista exclusiva a esta Autogiro, sobre grandes carros, sua opinião sobre o mercado brasileiro e até sobre sua proximidade com Ayrton Senna. Continua

Roda e avisa
Feira para especiais - Acontece a partir de 25 a 28 de março a Reatech 2004 - Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação e Inclusão, dirigido a portadores de deficiência física. Será no Centro de Exposições Imigrantes. No evento estarão as maiores empresas fornecedoras de serviços, produtos e equipamentos para deficientes, sem falar dos fabricantes, como Fiat, GM, Volkswagen, Toyota, Audi, Honda e Mercedes.

Seminário 1 - A SAE (associação de engenheiros automotivos) Brasil realiza no dia 10 de maio o seminário "A Consolidação das Novas Tecnologias na Indústria Automobilística". Um dos temas discutidos será o desenvolvimento de novos projetos de veículos.

Seminário 2 - Contará com a participação de Paulo Braga, gerente de Otimização de Custos da Volkswagen; Gábor Deák, presidente da Delphi, e Marli Olmos, jornalista, que discutirão como é feita a seleção de materiais, sistemas e componentes para adaptar o projeto às planilhas de custos.

Fora-de-estrada - A Land Rover está produzindo em série o novo Defender 130 Chassi Cab, um picape de cabine simples que pode ter ou não implementos e caçamba. O veículo, com tração integral permanente, possui suspensão traseira e chassi reforçados, que permitem capacidade de carga de até 1.700 kg. Até agora era comercializado sob encomenda. Custa cerca de R$ 70 mil.

Mestrado - A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP) iniciou o período de inscrições para o seu mestrado profissional em engenharia automotiva, que tem duração de dois anos. Os interessados em participar das novas turmas, cujas aulas começam em junho, podem se inscrever até o dia 8 de abril.

Duas rodas - Líder do mercado de motos, com 86%, a Honda pretende ampliar sua rede de concessionárias das atuais 597 para 650 até o final do ano. Dois anos atrás, o número de autorizadas era de 563.
 
Shopping
CDs mais em conta - A By Audium está lançando uma nova linha de toca-CDs, com novo desenho e melhor qualidade do som, além de preço mais acessível (30% a menos que outras marcas, segundo a empresa). Há modelos a partir de R$ 299. Informações pelo tel. (19) 3869-3911.

Swatch - Uma boa dica de compra para quem gosta de marcar tempo com precisão é o modelo 5 Days a Week, da marca suíça. Está à venda por R$ 250.

Falha nossa - O livro Eu Amo Fusca 2 será lançado no dia 30 de março, na Livraria Cultura, do Shopping Villa Lobos. Na última semana publicamos nota sobre o lançamento, mas não citamos o dia. Nesta quinta (25), o livro também é lançado na Volkswagen Haus da avenida Cidade Jardim, 350.

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Data de publicação: 23/3/04

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