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Sobre carrões e civilidade

O que está por trás de nossa mania elementar de comparar
os automóveis que rodam no Brasil com os da Europa

por Luís Perez

Cinco anos atrás, estava eu nestes mesmos corredores do Palexpo, em Genebra (Suíça), onde acontece o salão do automóvel. De repente, cansado da burocrática cobertura das coletivas de lançamento, resolvi descer ao estacionamento – e produzir o que em jornalismo chamamos de “sub”, um dos textos que devem servir de apoio ao principal, sobre os carrões no subsolo do centro de exposições que “mereceriam” estar também sob os holofotes.

Audi A3Publicado o texto no jornal onde eu trabalhava, um leitor tratou de escrever. Meio sem entender a ironia contida naquele argumento do que seria "merecer" estar exposto (era um olhar brasileiro sobre o mercado europeu), tachou-me de “caipira” no sentido mais pejorativo possível do termo. Algo na linha: "Ora, é claro que na Europa você vai se cansar de ver nas ruas modelos como Ferrari, Porsche, Jaguar e Lamborghini, desfilando o tempo todo e até parados no estacionamento".

Mais ou menos. A despeito de a cultura automobilística brasileira se aproximar mais do modelo europeu e de o euro estar caríssimo (próximo a R$ 4), esses superesportivos que citei são “carrões” ainda que aqui na Europa.

E o consumidor tem muito mais possibilidades de escolha, além de estarem à sua disposição os mais recentes lançamentos. Vamos a alguns exemplos. Já se vêem muitos novos Audi A3 pelas ruas da França. Enquanto isso, a Audi do Brasil faz as contas sobre se vale a pena ou não permanecer a produção do modelo antigo em São José dos Pinhais, PR. E quem quiser pode comprar aqui um modelo menor, o A2, com carroceria toda em alumínio, que esteve exposto no Salão de São Paulo em 2000.

Opel VectraE quem prefere Citroën? Pode escolher do pequeníssimo C2 à van C8, a ler lançada no Brasil, para poucos, em meados de março. Na França seu preço de entrada é 27 mil euros. Sem falar dos Smarts, dos Minis, de toda a nova linha da Renault (Mégane, Scénic, Espace...). Da Ford C-Max, minivan derivada do Focus (mas com nova plataforma), pela qual já cruzei inúmeras vezes. Ou do Peugeot 307 CC, o cupê-conversível médio da marca francesa, que chega ao Brasil no segundo semestre.

Roda por aqui já há dois anos um novo Opel Vectra, que antes soava um modelo incomensurável, mas agora dá a sensação de não ser aquilo tudo. O mesmo se pode sentir pela quinta geração do Golf, que é linda pelas fotos, mas ao vivo mais parece a quarta geração requentada.

206 SWA 206 SW, perua derivada do compacto da Peugeot que será vendida no Brasil a partir de novembro, é tema de um belo anúncio pelas ruas de Paris: no varal de um laboratório, uma das fotos recém-reveladas em papel, secando, mostra a dianteira do modelo; a seu lado, a outra completa o carro, retratando a ousada traseira. O texto diz: “Mais do que um 206 em um 206” (lembra a propaganda de um cursinho do Brasil, aliás). Aqui modelos como a nova Scénic, a Xsara Picasso e várias séries de Mercedes-Benz são táxi. Dá vontade de dizer: “Moço, no meu país o sonho de muita gente é comprar um carrão desses”. Continua


 

Roda e avisa
Maratona - Há algum tempo um jornalista do setor automobilístico brasileiro criticou as seguidas entrevistas coletivas do Salão de São Paulo, que acontece neste ano em outubro. Pois veja a agenda desta terça, dia 2, no Salão de Genebra: 36 conferências de imprensa, das 8h às 16h45, uma a cada 15 minutos, sem pausa. A primeira é a da Citroën, e a última, do projetista Giorgetto Giugiaro.

Novo 207 1 - Informações recém-publicadas na imprensa especializada da Europa dão conta de que o sucessor do Peugeot 206 (que deve ser mostrado no final de 2005, com início das vendas em 2006) deverá ter, nas portas traseiras, o mesmo sistema de maçaneta oculta que equipa a versão perua SW, a ser lançada no Brasil em novembro.

Novo 207 2 - O novo Peugeot deverá ser menos compacto do que o atual, atingindo 4,03 metros de comprimento. Sua frente terá grade ampla, inspirada no 407.

Espetada - O subtítulo de uma revista especializada que avaliou o novo Ferrari 612 Scaglietti diz que versões de quatro lugares de esportivos da marca italiana "são tão raras quanto as vitórias de Rubens Barrichello".

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Data de publicação: 2/3/04

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