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Liturgia flexível

Brasileiro vai dos mirabolantes rituais à pura mandinga na hora de abastecer o motor que roda com dois combustíveis

por Luís Perez

“Os caras ainda não deram conta do que fizemos”, desabafou, meses atrás, o diretor de um grande fabricante de automóveis, sobre os motores flexíveis, referindo-se a americanos e europeus, que ficam incrédulos quando se diz que no Brasil há modelos de carros exclusivamente com esse tipo de propulsor.

Mas o mesmo país que oficializou o "rabo-de-galo" (ou seja, passou a produzir em massa motores que funcionam a álcool, gasolina ou a mistura dos dois, em qualquer proporção), também é a pátria das mandingas, das rezas, das crenças, das benzeduras, das superstições e até da fofoca. Esta última, porém, fica para uma próxima coluna.

Este colunista já experimentou toda sorte de motores flexíveis – no Gol Total Flex, no Corsa, no Montana (estes Flexpower). Na última semana, saiu às ruas com uma minivan Meriva para sentir o clima nos postos e questionar os frentistas sobre os rituais dos motoristas ao abastecer o carro. Encontrou respostas das mais esdrúxulas.

Antes de relatá-las, registro que não é preciso ir muito longe. Em novembro, quando foi lançada a Meriva Flexpower, na conferência de imprensa realizada no campo de provas da Cruz Alta, em Indaiatuba, SP, um jornalista levantou a mão e questionou, como alguém que espera ouvir de volta a revelação de um grande segredo: “Quando o carro sai da linha de montagem, vocês o abastecem com o quê, gasolina ou álcool?”

Pedro Manuchakian, diretor da Engenharia da GMB, onde ganhou o carinhoso apelido de professor Pardal (aquele inventor maluco das histórias de Walt Disney), não titubeou, disparando: “A gente abastece com álcool, que é bem mais barato. Afinal, não somos bobos nem nada”. A resposta provocou risos esparsos pela platéia. Será que outros, como eu, questionaram o significado daquela pergunta? O que passa pelo imaginário de cada um de nós quando nos deparamos com novidade tamanha?

E não é que os brasileiros começaram a “ensinar” uns aos outros a melhor forma de abastecer seu automóvel flexível? Lembra até uma velha propaganda do Neston (“Há mais de mil maneiras de prepará-lo; invente uma!”).

Paro em um posto e peço ao frentista que abasteça com R$ 50 de álcool. Bem, essa é a minha maneira, pois embora o álcool seja consumido mais rapidamente (roda-se cerca de 25% menos quilômetros com o álcool, em relação à mesma quantidade de gasolina), o carro fica mais esperto. O que conta, no meu caso, entretanto, é o efeito psicológico de o tanque ficar mais cheio com a mesma quantidade de dinheiro. Carro abastecido, vem o funcionário do posto, que não encheu o tanque, mas me enche de perguntas: “Como funciona esse automóvel? Tem botão para escolher o combustível? Tem dois tanques? Não faz mal misturar os dois?”  Continua


 

Roda e avisa
Com distinção - Em um evento na noite de segunda-feira, o presidente da Citroën, Sergio Habib, afirmou que a idéia da fábrica não é vender a minivan Picasso para governo e taxistas...

Sem distinção - Logo em seguida, o diretor de vendas e marketing da Volkswagen, Paulo Sérgio Kakinoff, declarou: "Nós, da VW, queremos vender carros. Por isso é que vendemos para polícia, para todo mundo. Vendemos pra bandidos também".

Lá na AEA - A Associação Brasileira de Engenharia Automotiva tem novo presidente. É Geraldo Negri Rangel, que substitui Marcos Madureira. Rangel é engenheiro mecânico formado pelo ITA (Instituto de Tecnologia da Aeronáutica). Atuou por 32 anos nas áreas de Desenvolvimento de Produto e Planejamento Estratégico do Produto na Volkswagen do Brasil.

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Fotos: Luís Perez - Data de publicação: 3/2/04

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