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Coração de estudante

Às vésperas de completar 20 anos, o Uno consolida-se
como uma espécie de Fusca dos novos tempos

por Luís Perez

O Brasil de 1984 vivia o ocaso da ditadura militar que começara 20 anos antes. Como hoje, Minas Gerais tinha à frente um Neves. Era Tancredo, que começava a ser cogitado para suceder o general João Figueiredo na Presidência da República. A ítalo-mineira Fiat usava calças curtas — tinha só uma década de Brasil. Nas rádios despontava o sucesso de um novo grupo de rock, o Titãs. Era Sonífera Ilha. Joaquim Cruz ganhava a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Los Angeles (EUA) nos 800 metros rasos.

A fabricante surpreendia o país com o polêmico desenho de um novo modelo, o Uno, lançado nas versões S (ao lado), CS e SX. Ao som de Coração de Estudante, de Milton Nascimento, o Brasil chorava, no ano seguinte, a morte de Tancredo. O Uninho tinha só um aninho. Seu desenho pouco usual não tardou a ganhar o apelido de “botinha ortopédica”. Àquela época não se falava em abertura de importações. O país tentava apagar incêndios provocados pelo dragão da inflação.

Em 1987, o ministro da Fazenda do governo José Sarney era Dilson Funaro. Lançava medidas para baixar os juros, proteger os pequenos e médios empresários, na tentativa de salvar o Plano Cruzado. Lembro que eu tinha 15 anos, começava a cursar o segundo grau e, na escola estadual de periferia em que estudava, todos comentavam o novíssimo carro da professora de biologia. Era um esportivo, o Uno 1.5R (foto abaixo)! Mal sabia eu que, já trabalhando como jornalista, sete anos depois, teria a satisfação de acelerar a desafiadores 150 km/h um Uno Turbo nas curvas da estrada Mogi-Bertioga.

No mesmo ano em que foi promulgada a Constituição (1988), a Fiat lançava sua linha de comerciais derivada do Uno (Fiorino picape, furgão e Uno furgão), completando uma linha que incluía o três-volumes Prêmio e a perua Elba. Dois anos depois, o técnico da seleção brasileira, Sebastião Lazzaroni, propagandeava o Uno brasileiro na Itália, sede daquela Copa — em um comercial, o policial italiano parava o técnico e ficava incrédulo ao ouvir que aquele veículo era fabricado no Brasil.

Em 1989 fiz 18 anos e fui à compra do carro dos meus sonhos, usado. Pela modernidade, pelo estilo jovial, escolhi um Uno. Entre tirar a carteira de motorista e a compra do veículo, veio o golpe: o Plano Collor, de 16 de março de 1990, limitou os saques nos bancos a CR$ 50 mil. Meu sonho de ter um Uno era adiado. Em agosto daquele mesmo ano, enquanto o Brasil entrava na era dos “populares”, com o Mille, o metrô finalmente chegava à avenida Paulista. Continua

Roda e avisa
São Paulo, 450 1 - Por volta da 1h do último dia 25, dia do aniversário de São Paulo (para quem chegou de Marte agora, a cidade fez 450 anos), um Jeep Grand Cherokee simplesmente derrubou o poste que sustentava um semáforo na esquina da rua da Consolação com Nestor Pestana. Ao que parece, os motoristas não estavam muito prudentes naquele início de domingo.

São Paulo, 450 2 - Não muito longe dali, na esquina da avenida São João com a Duque de Caxias, um táxi e um Monza se envolveram em outro acidente. Apesar de todos os bloqueios e da presença ostensiva da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) na região central da cidade.

São Paulo, 450 3 - Pela primeira vez, desde 1967, o número de pessoas que se locomovem em automóveis (52,96%) superou a quantidade de usuários do transporte coletivo (47,04%). O dado é da pesquisa OD (Origem/ Destino) do Metrô, realizada em 2002 e divulgada na última semana.

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Data de publicação: 27/1/04

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