Best Cars Web Site

Contumazes saindo pelo ladrão

Sobram teorias sobre os infratores
freqüentes. E o trânsito vai fazendo vítimas

por Luís Perez

Quem nunca tomou determinada atitude para, momentos depois, se perguntar por que está fazendo isso? Pelo que entendi, é mais ou menos assim que funciona a cabeça dos infratores contumazes – o 1,05% da frota que responde por 19,59% das infrações.

Os dados são de um levantamento da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e foram revelados domingo, na Folha de S.Paulo, por meus ex-colegas Alencar Izidoro e Simone Iwasso.

Eu já tinha uma vaga idéia desse fato, por observar determinados comportamentos no trânsito. Pessoas ansiosas ou distraídas e até aquelas que sofrem de um mal crônico do brasileiro, a falta de noção de coletividade (leia-se aqueles para quem a parada na fila dupla ou em local proibido "é só um minutinho"), são os potenciais infratores.

Graças à internet, levantar dados sobre um veículo ou um motorista deixou de ser um bicho-de-sete-cabeças. Nesta quarta-feira publico reportagem sobre o tema, também na Folha. De posse de placa, Renavam (uma espécie de número de identidade do carro) ou número da carteira de habilitação, é possível levantar muitos dados.

Por exemplo: descobri que o Clio em que eu andava até o início do ano levou uma multa por atravessar o sinal vermelho em um dos cruzamentos mais movimentados de São Paulo, o da avenida Brasil com a Nove de Julho. Foi às 9h. O que o ócio na internet não faz.

Daí resolvi me divertir verificando se um conhecido meu que recentemente pagou cerca de R$ 1.500 para regularizar a situação de seu automóvel, cheio de multas e impostos vencidos, já havia voltado a praticar infrações. Resultado: foram mais três nos últimos dois meses...

Enquanto sobram teorias – o volante de um carro para compensar frustrações, a certeza da impunidade, o automóvel como uma forma de impor respeito, entre outras –, o trânsito vai fazendo vítimas. Despejar números aqui é um tanto inútil, pois não há estatísticas confiáveis. Sabe-se que muitos dos que morrem em decorrência de acidentes de trânsito não são assim classificados, pois a morte só ocorreu depois, no hospital.

Mas, desculpe, é preciso olhar o outro lado da questão: quem nunca parou avançado demais em um cruzamento em razão da falta ou falha na pintura das faixas? Ou quase não bateu em alguém em uma rotatória, simplesmente porque o outro motorista ignora a regra segundo a qual a preferência é de quem entra nela primeiro? Ah, preferenciais em cruzamento, nem se fala: ninguém nem imagina como a coisa funciona!

Essas pequenas dúvidas que deveriam ser dirimidas na auto-escola (ops, "Centro de Formação de Condutores"!) resultam em grandes discussões. A ponto de eu resolver pedir que os leitores enviem situações duvidosas do dia-a-dia do trânsito. Prometo encaminhar as dúvidas a especialistas e responder aqui.

E como resolver a questão dos contumazes? Bem, parece que a origem de tudo é a educação da época em que cinto de segurança não era obrigatório, e a luz de posição ("lanterna"), suficiente para trafegar por aí. Lembra uma coluna anterior, em que escrevi sobre obsolescência. Ou imaturidade.

Torna-se então impossível não me referir à carta publicada no Espaço do Leitor de minha ex-repórter Thais Abrahão, em que ela comentava a possibilidade de desativação da bolsa inflável em situações específicas. Pois é, a mim parece mais um resquício da ditadura: como as pessoas não foram educadas para lidar com determinados dispositivos, melhor proibi-los. Fica mais fácil, não é mesmo?

 



Por falar em proibir, venho protestar contra a suspensão do comercial do novo Palio. Simplesmente genial, com acabamento de cinema, mostra um presidiário saindo de um cárcere de anos, recolhendo seus pertences e, ao passar pelo veículo, estacionado na rua, não resiste. Entra o letreiro e, atrás, ouve-se um estampido de vidro sendo quebrado e um alarme. O locutor diz, em off: "novo Palio, impossível ficar indiferente".

O Conar (Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária) resolveu tirá-lo do ar, pois estimularia a violência. Sendo assim, gostaria de anunciar a venda do meu aparelho de TV. Afinal, toda a programação deveria ser proibida.

 



A entrevista da semana é com Antonio Cássio dos Santos, presidente do Cesvi Brasil (Centro de Experimentação e Segurança Viária). Continua


 

Roda e avisa
Prenúncio 1 - Walter Wieland, presidente da General Motors do Brasil, permaneceu o tempo todo com os jornalistas no lançamento da Meriva Flexpower, em Indaiatuba, SP. Mas poucas testemunhas puderam captar um momento em que ele deixou transparecer que estava prestes a se aposentar.

Prenúncio 2 - O vice-presidente da empresa, José Carlos Pinheiro Neto, dava entrevista a alguns jornalistas, já no final do evento. Wieland foi se despedir de Pinheiro Neto, que retrucou: "Temos uma reunião daqui a pouco". O presidente disparou: "Vocês têm, eu não".

A Fiesta da exportação - Agora foi a Ford que anunciou, a partir de fevereiro, a exportação de 600 unidades do novo Fiesta para América Central e Caribe, atingindo países como Aruba, El Salvador, Guatemala e Costa Rica, entre outros.

Alugam-se... - Acontece de quarta a sexta (19 a 21) o 6º. Fórum e Salão da Indústria de Aluguel de Automóveis. Participam empresários do setor, usuários de carros alugados e os principais dirigentes das fabricantes. Será no Frei Caneca Shopping & Convention Center, em São Paulo (rua Frei Caneca, 596).

Desafinados - Agora foi o cantor Leonardo que se acidentou. Pelo jeito, artistas populares brasileiros e veículos potentes definitivamente não combinam.

O histórico - Primeiro, foi a trágica morte do cantor João Paulo, em 1997. Depois vieram outros acidentes, então com moto, envolvendo cantores como Renner (da dupla com Rick) e Alexandre Pires. Até Luciano (da dupla com o irmão Zezé) já bateu seu Grand Cherokee em Alphaville (condomínio de classe média-alta da Grande São Paulo).

Arretado - A Troller confirma para junho ou julho do próximo ano: vai fabricar um picape em Horizonte, CE, onde já são feitos o jipe T4 e o T4-M, sua versão militar.

Colunas - Página principal - e-mail

Data de publicação: 18/11/03