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ITV, Renainf e Papai Noel

Será que desta vez vale a pena acreditar que a inspeção
veicular e a integração dos Detrans vão sair do papel?

por Luís Perez - Foto: Fabrício Samahá

Ora, ora, ora... Não é que já entramos em novembro? Lojas e shoppings enfeitados para o Natal. Esperanças se renovam. Será que foi por causa disso que resolveram, nas últimas semanas, voltar a falar em ITV (Inspeção Técnica Veicular) e Renainf (Registro Nacional de Infrações)?

O primeiro tiraria das ruas potenciais causadores de acidentes, latas-velhas em péssimas condições de circulação que, no mínimo, matam de tétano. O segundo acabaria com a farra da impunidade de emplacar veículos em outro Estado e burlar limite de velocidade, sinal vermelho, estacionamento proibido e rodízio (caso de São Paulo), por exemplo. Afinal, essas multas nunca chegam, pois não têm como ser processadas.

Engana-se quem pensa que o CTB (Código de Trânsito Brasileiro), promulgado há seis anos, marcou o início das discussões a respeito das condições da frota. Lembro-me de ouvir histórias da carochinha a respeito da tal inspeção há pelo menos dez anos.

Faltam estatísticas, até porque a estrutura fiscal vigente estimula a falta de notificação – regularizar a situação de muito carro por aí sai mais caro do que seu valor de revenda. Mas o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) dá conta de que automóveis com mais de dez anos de uso são responsáveis por quase 70% dos acidentes fatais.

No último dia 21, o Cefet (Centro Federal de Educação Tecnológica) simulou a inspeção de dois veículos durante evento organizado pela Anfavea (associação dos fabricantes) no Anhembi. Com problemas nos freios (item que está para a inspeção assim como a matemática está para muitos escolares) e na suspensão, o primeiro veículo a ser inspecionado, um Seat Cordoba 1995, foi reprovado. Já uma Volkswagen Quantum do mesmo ano, movida a gás natural, também levou bomba – só que no item emissão de poluentes. E eram carros de apenas oito anos atrás.

Mais do que um problema de baixo poder aquisitivo, as velharias que se arrastam pelas ruas são uma questão cultural a resolver: convencer os donos de veículos de que prevenir um problema é muito mais barato do que resolvê-lo depois que aparece. O raciocínio vale inclusive quando o assunto é cuidar da própria saúde (isso faz lembrar uma frase que li em um livro ainda no primeiro grau: "Compre vitaminas na feira, não na farmácia"). Ou seja, a manutenção preventiva – como se faz na aviação – é muito melhor, em custo-benefício, do que a corretiva.

Por falar em avião, seguem algumas estatísticas interessantes, publicadas na revista Avião Revue do último mês: 1) A chance de alguém bater o carro e morrer a caminho do aeroporto é 500 vezes maior que a de o avião que ele vai tomar cair; 2) De acordo com a Administração Federal de Aviação dos EUA, a cada 1.000 mortes, 228 acontecem em acidentes rodoviários e apenas 0,45, em aeroviários. Agora imagine se as companhias aéreas seguissem o exemplo da maioria dos motoristas na manutenção das aeronaves.

Não há dinheiro? Ora, se o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) estima em US$ 9 bilhões (cerca de R$ 25 bilhões) o prejuízo causado pela falta de uma fiscalização decente, que outro argumento teria tal força? O quê? Você não vê tantos automóveis velhos pelas ruas? Talvez em uma cidade como São Paulo seus trajetos regulares estejam entre as zonas oeste e sul (esta até um certo ponto). Que tal uma visitinha ao extremo sul (Grajaú, Parelheiros, Marsilac) ou leste (Cidade Tiradentes, Guaianazes, Vila Jacuí)? Ou ao interior do Estado? Continua


 

Roda e avisa
Sem parar - Desde que foi anunciado como atração para o próximo Salão de Genebra (Suíça), em março, o esportivo Covini C6W, que desenvolve 353 cv com seu motor 4,2 V8 e pesa só 1.150 kg, uma coisa não saiu da cabeça deste colunista: imagine quanto custaria, em pedágios, uma viagem nesse possante, uma vez que o modelo tem três eixos?

Na ponta da língua - Louco por modelos de duuuuuas portas, desde que sejam equipados com bolsas infláveis e ABS, o professor Pasquale (leia entrevista) mandou este colunista ao site da Volkswagen, para conferir que o compacto Fox não traz as tais bolsas. Calma, professor, a fábrica responde prontamente que o item estará na lista de opcionais a partir do início de 2004.

Outro dele - Depois o professor ainda questionou se não haveria uma versão esportiva do Clio – mas com duuuuuas portas (estou imitando o jeito de ele falar). Apuramos que haverá, sim, um Clio de duas portas com motor 1,6-litro. Nada mau para quem gosta de um compacto veloz.

De novo não!!! - Não é que um leitor já escreveu para esta coluna pedindo um novo artigo sobre novela – agora abordando os automóveis de Celebridade? Urge explicar ao leitor que este colunista prometeu para si mesmo não perder mais tempo com novelas. Mas o Volvo XC90 da Maria Clara Diniz (Malu Mader) não é o máximo? E o Mitsubishi Pajero Full do Fernando Amorim (Marcos Palmeira)?

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Data de publicação: 4/11/03