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Veículos de guerra (civil)

Quebra-mato, engate, película, pára-choques elevados
transmitem, mas será que garantem segurança?

por Luís Perez - Foto: divulgação

O ato -- provavelmente irônico -- ocorreu na última parte (a de perguntas e respostas) da convenção de lançamento do Doblò Adventure, na última segunda-feira, em Belo Horizonte, MG. Um dos jornalistas presentes, ao se referir às outras versões que não a aventureira do furgão da Fiat, soltou uma frase que perguntava algo na linha "como ficam as versões, digamos, civis do Doblò?".

Na hora veio à minha cabeça a imagem dos dois outros modelos Adventure da Fiat, a perua Palio Weekend e o picape Strada, munidos de quebra-mato na dianteira. No caso do Doblò, o item "evoluiu" para um pára-choque estilizado, que só faz lembrar o acessório feito para abrir caminho na floresta.

Quebra-mato na frente e engate atrás. "Preciso instalar um engate no meu carro", ouvi dia desses uma mocinha falar. Os dois extremos do veículo ficam protegidos dos intrusos (ou dos incautos). Não deixa de ser um "chega pra lá". Lembrou até a época em que minha irmã tirou carteira de motorista brincando que iria instalar um borrachão em volta de todo o carro, à época um Fusca 78. Seria uma forma de se prevenir em relação às batidas que uma novata no tráfego poderia provocar.

Hoje os tempos são outros. Os motoristas ficam camuflados pelas películas escuras. Cinco anos atrás já era possível entrevistar mulheres que adotavam os picapes (há dez anos, eram os jipinhos, do tipo Daihatsu Terios e Suzuki Vitara) para ter sensação de segurança. Será, porém, essa segurança real? Talvez.

Duas vezes bateram em minha traseira em ruas relativamente calmas de São Paulo, tarde da noite. Não creio que fosse a "gangue da batida". Da primeira vez, um Mille esmagou os próprios faróis na traseira de um Toyota Hilux que eu dirigia. Da segunda, a vítima foi a grade dianteira (e o radiador por tabela) de um Gol "bolinha". Estava eu parado no semáforo em um Ford Ranger. Os picapes, de pára-choques altos e avantajados, não sofreram nem um arranhão sequer. Está certo que na hora não saí para conferir. Esperei chegar a um lugar claro, teoricamente mais seguro.

Depois dos picapes e dos jipinhos, vieram as minivans, e a posição elevada de dirigir (como nos tanques) ganhou de vez as ruas. Dizem que foi com as mulheres. Bobagem. Modelos com apelo "aventureiro" são exibidos em propagandas com jovens viajando para as montanhas, enfrentando trilhas em estradas de terra, rios e outras desventuras. Mas a grande aventura é parar no sinal sem ser assaltado após uma rápida exibição de malabarismo.

O EcoSport, da Ford, que chegou com preço a partir de R$ 31 mil, veio facilitar o acesso ao carro de posição elevada. Mas não basta ser alto. Como todo veículo militar, tem de ser pesado e transmitir agressividade. É uma tendência de design. Tem de ter "cara de mau". Quem não se lembra daquele desenho do Pateta, em que ele é um pacato cidadão, mas, ao volante de seu automóvel se transforma, vira fera, fica agressivo?

Aí veio o tuning, ou preparação, que de certa forma trata de personalizar as coisas -- cada um pode ter sua própria "cara feia". Quem não tem bolso para elevar a suspensão trata de rebaixar o automóvel todo e encher de adesivos provocativos. Cortam-se as molas, trocam-se as rodas por outras de perfil mais... esportivo? Morri de rir certa vez, quando, na avenida Brigadeiro Faria Lima, uma Brasília foi parada em uma blitz por ostentar no pára-brisa o pouco amistoso adesivo com a inscrição: "carro de fuga".

Em maio último, por oferta de uma blindadora, tive a oportunidade de andar em um Humvee, jipe que vez por outra aparece na TV por ser usado em Bagdá pelo Exército americano (a denominação exata é HMMWV, para high mobility multipurpose wheeled vehicle, mas o nome Humvee se tornou popular como forma pronunciável da sigla).

Apesar de "subir paredes", o veículo é extremamente simples por dentro. O dia estava quente em Barueri, os vidros, todos fechados, e o calor era escaldante. Não havia um equipamento que, nas grandes cidades, deixou de ser item de conforto para virar de segurança: o ar-condicionado. Sim, ar-condicionado não equipa veículo militar. Também pra quê? Nossa guerra aqui é civil, mesmo.

 



Acho que vou ouvir falar da coluna Mulheres Motorizadas até o final da novela (que termina dia 10, com reprise dia 11). Mas na última semana foi demais: chegou às minhas mãos o exemplar de um jornal do interior de São Paulo que reproduziu na íntegra meu artigo, publicado originariamente no BCWS.

Liguei para o jornal e ouvi do editor de Veículos a desculpa mais esfarrapada dos últimos tempos para alguém que pisa sem o mínimo escrúpulo na propriedade intelectual alheia: "Ah, esse texto chegou pelo Outlook".

Não bastasse a falta de respeito para comigo, o autor do texto (nem eu nem o site foi citado), é digno de pena saber que existe um jornal de uma grande cidade paulista que publica sem checar a procedência ou dar a satisfação aos autores um texto que "chega pelo Outlook". Pobres leitores de Marília. O caso já está sendo analisado por advogados.

 



Uma das entrevistas desta semana é com o cantor e compositor Zezé Di Camargo, que está lançando seu CD anual nesta semana. Conversamos rapidamente (daí a entrevista ser muito curta) durante uma sessão de fotos que Zezé fez, generosamente, para a revista Carro Express, editada por mim, que acaba de chegar às bancas de São Paulo e Rio (leia notas na seção Shopping).

A outra conversa é com o diretor comercial da Fiat, Lélio Ramos, que falou sobre a ameaça de a Volkswagen retomar a liderança do mercado brasileiro com o Fox. O executivo conversa ainda sobre a continuidade do Mille em produção.

Não posso resistir ao trocadilho. A dupla entrevistada da semana é Zezé Di Camargo & Lélio Ramos... Continua


 

Roda e Avisa
Absurdo 1 - O repórter da TV Globo no Pará fazia uma passagem para o Jornal Nacional, sexta-feira passada, quando um motoqueiro passou atrás dele. Detalhe: sem capacete. Para milhões de espectadores.

Absurdo 2 - O amigo leitor acha condenável que alguém leia ao volante, no meio de um congestionamento? Pois na última semana, o motorista de um Mille, em plena via expressa da Marginal Pinheiros, em São Paulo, não desgrudava os olhos de seu jornal. Detalhe: a 90 km/h.

Antes tarde... - Na última semana, começou em São Paulo uma campanha que ressalta a importância de usar cinto de segurança no banco traseiro. Segundo o folheto distribuído nos semáforos, em uma colisão a 40 km/h, o peso de uma pessoa de 50 quilos vira duas toneladas.

...do que nunca - Deixar de usar o cinto, mesmo no banco de trás, é considerado
infração grave. Além da multa, conta cinco pontos na carteira de motorista. Se estivesse usando o cinto no acidente que sofreu há quatro anos, possivelmente o dramaturgo Dias Gomes ainda estaria vivo.

Anticorpos - Na festa da Ferrari, que apresentou o F360 Challenge Stradale, na última sexta-feira, o presidente da Via Europa (importadora oficial da marca), Francisco Longo, anunciou duas vezes ao microfone que o carro não estaria "fisicamente" no local por "problemas logísticos".

Vacinados - Quando as cortinas foram abertas, o piloto Felipe Massa tratou de
acelerar o Ferrari. Salvo engano, é a terceira vez que Longo faz esse "suspense" (a primeira foi em outubro de 2002, no Salão de São Paulo). Ninguém acredita mais.
 
Shopping
Nova revista 1 - Está chegando às bancas de São Paulo e Rio a revista Carro Express, com a proposta de ser uma publicação de
melhor relação custo-benefício. Traz testes, comparativos, serviços, tabelas de preços e custa apenas R$ 2,90.

Nova revista 2 - Na capa da nova publicação há pelo menos três reportagens especiais: o lançamento do picape Chevrolet Montana, a nova Série 4 da BMW e a história do Fusca, para ler e guardar. Quem não encontrar Carro Express pode ligar para (11) 5641-3454, ramal 229, e falar com Sidney ou Débora.

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Data de publicação: 24/9/03