Best Cars Web Site

SP2, trator, guerra de chinelos
e até uma roda "atrasada"

Cerca de 200 leitores enviaram suas histórias
com automóveis; confira algumas delas

por Luís Perez

A matéria-prima da coluna desta semana são algumas das sensacionais histórias enviadas por cerca de 200 leitores deste Autogiro na última semana. Como um deles escreveu, parece que o tema mexeu mesmo com as pessoas – e despertou lembranças que estavam lá, adormecidas. Muita gente não falou só da infância, mas da adolescência ou de algum outro momento marcante. Vamos aos depoimentos.

O primeiro é de Ghunter Carlos Maia, de Brasília (BA). Parece que seu sonho combina com o do atual presidente da Volkswagen, Paul Fleming, que é andar em um SP2:

"Em 1970 morávamos numa pequena cidade do interior da Bahia. Num belo dia, um bem-sucedido comerciante resolveu surpreender a todos desfilando em seu novo carro, um SP2. Ele chamava a atenção pelo design ultramoderno. Era muito baixo, com poltronas altas, só para o motorista mais um passageiro. Na verdade o SP2 era um protótipo dos carros de corridas da época. Eu tinha nove anos e tornou-se um sonho dar uma volta naquele carrinho lindo e fashion para a época. Finalmente chegou o tão esperado dia em que fui convidado pelo filho do dono do carro para sairmos juntos pela pequena cidade curtindo aquele SP2. Assim consegui realizar um sonho. Mas tenho outro: voltar a andar naquele carrinho. De repente eles sumiram. Há muito tempo não vejo um SP2. Tenho um sonho: quero andar num SP2!"

Maria Cristina Damianovic, de São Paulo, não fala propriamente de um carro, mas de um trator. Confira:

"Era final de tarde e eu já esperava a hora de ir para a cidade. O trator puxava uma espécie de caçamba, na qual iam alguns empregados e nós, cerca de cinco crianças. Era um grande momento. Primeiro, porque iríamos para a cidade sozinhas. Depois, porque com nossas moedas comprávamos balas Juquinha, Dadinho, Chicletes Ping Pong, maria-mole e pirulito na quitanda do seu Chiquinho, sorvete na padaria e revistinha na banca da cidade. Esperávamos no pé da escada ele chegar. O ouvíamos de longe vindo do pasto. Era um Massey Ferguson 275, vermelhinho e todo sujo da terra roxa da fazenda. Ele trabalhava o dia todo e no final da tarde ainda nos levava passear. Era proibido chegar perto do pneu. Também, era enorme e nos esmagaria facilmente. (...) Voltava e a brincadeira era pular da caçamba antes de o trator parar totalmente em frente de casa. Na verdade, o tratorista diminuía ao máximo para não ser perigoso. É que, para nós, era uma velocidade incrível. Nos sentíamos fortes, valentes e corajosas por pular. Dávamos tchau para o tratorista e subíamos a escadaria até em casa. Uma delícia de trator! O melhor dele era os sonhos que ele realizava!"

O capô do Maverick marcou a infância de Ricardo Silveira Pinto, de Uruguaiana (RS). Foi dado de presente por seu pai à sua mãe, de presente de casamento:

"Até onde posso recordar, sempre me liguei muito nos carros de meus pais. Mas um que realmente marcou minha infância foi o Maverick branco que meu pai deu de presente de aniversário de casamento para minha mãe. Era simplesmente uma maravilha. Grande (e esse carro pode ser realmente grande quando sob o olhar de alguém com seis anos de idade), confortável e sedutor, minha saudade fica nas viagens à minha cidade natal, Santana do Livramento. Lembro que nós viajávamos muito para lá e, ao longo do caminho, parávamos para beber ou comer alguma coisa sob a sombra de alguma árvore. A mesa? Ora, a mesa era digna de servir um lauto banquete: o amplo capô o qual abrigava seu poderoso motor. Sem sombra de dúvida, passei uma boa parte da minha feliz infância rodando no saudoso Maverick branco estrada afora, singrando meu querido e amado pampa fronteiriço."

Mônica Porto Travain França, de Maringá (PR), gostava mesmo de chacoalhar em um jipe:

"Parece que retornei em segundos à minha infância. Hoje tenho 30 anos. Passei toda a minha infância em Paranavaí, uma cidade do interior do Paraná, onde se destaca a agropecuária. Então quando meus pais mudaram do sítio para a cidade e, quando tiveram condições de ter um carro, eis que surge nosso jipe. Gente, tem coisa mais legal do que erguer aquelas janelinhas? Eu me lembro que era só puxar e ela enrolava sozinha! Eu achava o máximo. Devia ter uns quatro ou cinco anos na época. Íamos eu, meu irmão caçula de três anos e meu pai buscar minha mãe, que era professora. Ficávamos esperando ansiosos dar o horário para que meu pai viesse nos chamar para dar uma voltinha no jipão! Lembro que o caminho era cheio de buracos, o que tornava o passeio mais legal, pois a gente ia pulando lá atrás! Acho que deveria me inscrever no Rally dos Sertões. Bom, depois veio um fusca "café-com-leite" bege, um Fiat 147... E meu pai foi trocando de carro, conforme ia melhorando a situação. Somos em cinco irmãos, e de vez em quando a gente se pega falando nesse assunto! (...)"

Continua


 

Roda e avisa
Mama África - A informação veio da Abeiva (associação de empresas importadoras): além do México, a África do Sul também pode virar uma parceira freqüente nas importações e exportações brasileiras.

Um para mais de um - Na última semana, o euro estava com uma cotação em média 13% maior que a do dólar. Isso faz com que a cotação dos produtos na moeda da União Européia pese ainda mais na hora de trazer um veículo.

Pega mal - Tem empresário comprando menos Ferrari. É que alguns acham complicado adquirir um modelo de algumas centenas de milhares de reais e ao mesmo tempo ter de demitir. "É eticamente inoportuno", diz o executivo de uma marca importada.

Obediência - A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) de São Paulo apurou uma diminuição de 11% no estacionamento proibido e um aumento de 7% na obediência ao rodízio de veículos. Segundo o órgão, esse é um dos motivos para a melhora no trânsito.

Ou lentidão - De janeiro a agosto deste ano, a lentidão em São Paulo caiu mais de 10% em relação ao mesmo período do ano passado. Os engarrafamentos pela manhã caíram de 73 km para 60 km, em média.

Sela de luxo - Um dos "veículos" usados por Napoleão (1769-1821) em suas campanhas militares era o dromedário. A exposição que vai até 2 de novembro, na Faap (Fundação Armando Álvares Penteado), traz um tapete Mameluco de seda e algodão para cobrir o dorso do animal. Vale a pena conferir. Informações: (11) 3662-7198.
 

Colunas - Página principal - e-mail

Data de publicação: 16/9/03