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Carro "popular" quase
compra outro em um ano

Em entrevista, o professor Luís Carlos Ewald revela que um
modelo de R$ 15 mil custa cerca de R$ 13 mil por ano

por Luís Perez

Este colunista teve recentemente a oportunidade de entrevistar o professor Luís Carlos Ewald, autor do livro Sobrou Dinheiro! Lições de Economia Doméstica (editora Bertrand Brasil). Conhecido por dar dicas de economia no Fantástico (TV Globo), vi Ewald outro dia no Programa do Jô, em que fazia alguns relatos um tanto esquisitos.

Um deles dava conta de que, quando seus filhos eram crianças, ele escondia no quintal de casa alguns "vales" de ovo de Páscoa. Os pimpolhos os encontravam no meio do mato, mas só recebiam a guloseima na segunda-feira, quando o preço caía — afinal, a Páscoa já havia passado. Pior: para pagar menos, ele comprava ovos quebrados. "Ninguém come o ovo inteiro. É preciso quebrar, não é?", argumenta.

Embora seu livro não vislumbre nada sobre automóveis, logo pensei que, nesses tempos bicudos, ele teria algo a dizer aos leitores de Autogiro. Junto com este colunista, Ewald fez contas que revelam o quanto gasta o dono de um automóvel zero-quilômetro "popular" (assim, com aspas, porque seu preço está longe de ser popular). O resultado foi um tanto estarrecedor. Vamos a ele.

Quem adquire um carro de R$ 15 mil paga pelo menos R$ 1.500 de seguro por ano (10% do valor do veículo; esse percentual pode ser maior ou menor, de acordo com o modelo, o perfil do motorista ou a região de circulação). Em estados como São Paulo e Rio de Janeiro, lá se vão mais R$ 600 de IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), que é de 4% sobre o valor do carro.

Após discutir com o professor quanto um ou outro roda, onde pára quando vai ao trabalho etc., chegou-se à conclusão de que o dono do automóvel desembolsa, também por ano, aproximadamente R$ 3.600 de gasolina e R$ 1.800 de estacionamento. Fomos modestos na hora de calcular manutenção, coisa de R$ 720 ao ano. A depreciação média em três anos desse veículo — não convém esquecer que ela é maior logo que o carro sai da concessionária — ficou em R$ 1.800.

Com alguma relutância do colunista, que já estava passando mal, o professor quis incluir ainda o chamado custo de oportunidade, ou seja, quanto se deixa de ganhar caso o dinheiro estivesse aplicado em caderneta de poupança ou fundo de investimentos.

O total de gastos em um ano chegou, então, a R$ 12.900, quase o preço do modelo mais em conta do mercado, um Fiat Mille. Ou R$ 1.075 por mês — 4,48 salários mínimos. Graduado em engenharia mecânica e economia, com pós em mercado de capitais, Luís Carlos Ewald se define como engenheiro financeiro. Mas no fundo é um gozador que não admite ser chamado de pão-duro. "Pão-duro, não. Administrador de economias. Não tenho nada contra dizer que sou pão-duro, mas é preciso diferenciar", exige.

Como no BCWS há uma liberdade que a própria TV Globo não tem, o professor desabafa: "Se você disser que a única forma de fazer economia é não ter carro, eles cortam. As montadoras são anunciantes da televisão". Mas não é deixar de ter carro que o professor (ou mesmo Autogiro) quer. Afinal, este ainda (até que este colunista tome conta das outras milhares de páginas) é um site automobilístico.

Daí o professor tira mais um coelho da cartola. Sugere a nosso leitor comprar um "carro prensado". Não, não é um veículo esmagado num ferro-velho. "Carro prensado é aquele comprado no início do ano e vendido até o final do ano, que custa uns 15% menos. Como não valeria a pena vender para uma concessionária, quem se desfaz de um desses prefere vendê-lo a um particular. Daí o próximo vem com IPVA pago e tudo mais."

Mas, uma vez com o carro e os R$ 1.075 indo embora todo mês, quais são os conselhos? "Ora, é economizar na maneira de dirigir, não dar arrancadas fortes, manter os pneus calibrados e lembrar que a manutenção preventiva sempre é mais barata do que o conserto", recomenda Ewald. "Esqueça o carro para pequenas distâncias e tenha cuidado com gastos de estacionamentos."

Segundo ele, no Rio de Janeiro, onde mora, há muitos supermercados que não cobram para parar o carro. Mas os produtos custam 20% mais do que nos que cobram. "Aí é aconselhável pagar R$ 3 de estacionamento e economizar nas compras." Transporte solidário também é uma grande sacada. Juntar três colegas de trabalho para usar o carro de um só é uma boa saída para não gastar tanto com o automóvel. Não é à toa que em São Paulo há, em algumas vias, uma faixa adicional que só pode ser usada por quem não está sozinho.

Depois disso tudo, todo mundo economizou. Menos este colunista. A entrevista concedida pelo professor, do Rio, foi por telefone — um belo interurbano, portanto.
 



Como na última semana entrevistamos dois personagens do mundo do carro, o especialista em segurança Roberto Scaringella e a piloto Juliana Carreira, hoje resolvemos conversar com dois "estranhos no ninho": o consultor de recursos humanos Gutemberg B. de Macedo e o filósofo José Arthur Giannotti.

A seção Zoom traz detalhes sobre o novo modelo nacional da Citroën, o bem-equipado C3. Continua


 

Roda e avisa
Recado da equipe - Nem quando Barrichello vence — e bem — uma corrida de Fórmula 1 ele consegue escapar de piadinhas. A última é que o fanático que invadiu a pista no meio do GP da Inglaterra trazia escrito em um cartaz: "Rubinho, volta para os boxes! Esse é o carro do Schumacher".

Aumento à francesa - Está em vigor desde ontem uma nova tabela de preços da Renault. Os valores dos modelos foram reajustados em 2,5%, com exceção do novo Laguna (versões sedã e perua).

Outras alterações - Também na Renault, sai da tabela o Twingo (que acaba de completar dez anos na França) e entram a gama 2003/2004 do Clio (inclui a versão Sedan), o Clio Authentique 1,6 16V de cinco portas e a linha 2003/2003 do Mégane e do Mégane Sedan.

Besouro 1 - O fim do Fusca, no México, continua despertando curiosidade. Uma dica para quem quer saber mais sobre o carro é o livro Eu Amo Fusca – A História Brasileira do Carro Mais Popular do Mundo, de Alexander Gromow (editora Ripress).

Besouro 2 - Entre as informações contidas no livro, está a de que o Fusca 1993 (que voltou a ser fabricado a pedido do então presidente, Itamar Franco) recebeu, em relação ao de 1986, um catalisador sob o pára-lama traseiro esquerdo. Assim, os dois “caninhos” de escapamento, um dos charmes do modelo, foram substituídos por um cano de diâmetro maior.

Peças do Paraguai - A falsificação de peças será um dos temas centrais do 12º. Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva, a ser realizado de 12 a 14 de agosto, no Centro de Convenções Pompéia (av. Pompéia, 888, zona oeste de São Paulo, tel. 11 5575-9043).
 
Shopping
Com todo o gás - Está chegando às lojas de autopeças a nova linha de amortecedores para veículos movidos a GNV (gás natural veicular) da Monroe. Segundo a empresa, o equipamento possui maior resistência para suportar carga. Não há preço sugerido.

Esportivado - Quem comprou um novo Corsa Sedan e quer torná-lo mais esportivo, pode adquirir, por R$ 151,14, o Aerofólio TGPoli Sport-Flex. Se não proporciona tanta diferença no desempenho, pelo menos serve para preencher cheques.

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Data de publicação: 29/7/03