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Carros do Passado
O sonho não acabou
O sonho de Gurgel era ser fabricante de automóveis. Mais do que isso: um fabricante nacional de automóveis. Na época em que nasceu, a General Motors estava chegando ao Brasil; a Ford, fazia pouco que estava aqui. Estava em andamento a colonização industrial.

Foi nesse ambiente que o menino João Augusto cresceu: carros vinham "de fora" ou eram montados a partir de peças e componentes importados, o que hoje se entende por CKD, sigla de completamente desmontado na língua inglesa.

Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial em setembro de 1939, logo cessariam as importações de automóveis, em nome do esforço de guerra dos aliados contra o expansionismo alemão. Gurgel era adolescente, mas com idade suficiente para perceber o absurdo que era um país quase continente como o Brasil ficar sem locomoção devido a fatores externos. Foi nesse momento que acendeu nele a chama da idéia de fabricar automóveis.

O resto da história de João Augusto Conrado do Amaral Gurgel é conhecido, que, inclusive, foi contado nas páginas anteriores. Ele quase chegou lá, tendo inclusive realizado o mais difícil numa fábrica de automóveis: produzir o motor.

O que fica são perguntas: por que o Brasil não possui indústria automobilística própria, com empresas e marcas nacionais, como ocorre em inúmeras nações, das mais ricas e opulentas às menos expressivas?

O que dizer do Japão, da Coréia do Sul e da Malásia, no outro lado do mundo, hoje com marcas próprias, muitas das quais notáveis, a pura expressão da tecnologia? Seriam seus povos seres superiores, dotados de inteligência e capacidade de trabalho várias vezes superiores ao nosso? É claro que não.

Reunimos todas as condições para termos nossa própria indústria automobilística -- verdadeira, brasileira, e não os "transplantes" que aí estão e não param de chegar. Temos tecnologia mais do que suficiente para projetar e fabricar qualquer tipo de veículo. Se assim não fosse, a Embraer não seria o que é hoje, disputando ombro a ombro o mercado de aviação regional com poderosos e tradicionais grupos industriais -- e vencendo.

Se assim não fosse, não teríamos essa vasta aplicação de tecnologia de informação que faz do Brasil um destaque entre todas as nações, como a votação eletrônica e o ajuste anual do imposto de renda pela Internet. Recentemente vimos o fiasco que foi a apuração das eleições presidenciais no país mais poderoso do planeta.

A única e plausível explicação é letargia, pura e simples. Qualquer empresa ou grupo industrial que deseje fabricar de automóveis -- partindo do zero, como se diz -- terá aqui todas as condições para fazer do empreendimento um sucesso. Em qualquer mercado. Sem medo ou vergonha. Querer é o que basta.

Não, o sonho de Gurgel não acabou. Pode ser que se tenha sublimado em asas de jatos regionais, mas continua a vagar pelas nossas mentes.
Bob Sharp 
Ficha técnica: Xavante, Tocantins e Itaipu
_ Xavante X-10 (1975) Tocantins (1990) Itaipu (protótipo, 1975)
MOTOR
Posição, cilindros e refrigeração traseiro, 4 horizontais opostos, refrigerado a ar traseiro, 4 horizontais opostos, refrigerado a ar central, longitudinal, elétrico, 3.000 watts, 120 volts, 10 baterias em série
Comando e válvulas por cilindro no bloco, 2 no bloco, 2 NA
Cilindrada 1.584 cm3 1.584 cm3 NA
Taxa de compressão 7,2:1 7,5:1 NA
Potência máxima 49 cv a 4.000 rpm 49 cv a 4.000 rpm 4,2 cv
Torque máximo 10,3 m.kgf a
2.200 rpm
10,3 m.kgf a
2.200 rpm
NA
Alimentação carburador de corpo simples carburador de corpo simples NA
CÂMBIO
Marchas e tração 4, traseira 4, traseira sem marchas
FREIOS
Dianteiros e traseiros a tambor (Tocantins: dianteiros a disco)
SUSPENSÃO
Dianteira independente, barras de torção independente, barras de torção independente, McPherson
Traseira independente, semi-eixos articulados independente, semi-eixos articulados barras de torção 
RODAS
Pneus 5,60 x 15, cidade-campo 7,35 x 14, cidade-campo, ou radiais 185/70 R 14 165 x 13
DIMENSÕES
Comprimento 3,05 m 3,48 m 2,65 m
Entreeixos 2,04 m 2,04 m 1,62 m
Peso 780 kg 765 kg 780 kg (460 kg do carro + 320 kg das baterias)
DESEMPENHO
Velocidade máxima 108 km/h 110 km/h 60 km/h
Aceleração de 0 a 100 km/h 38 s 38 s ND
Ficha técnica: Carajás e BR-800
_ Carajás a gasolina (1986) Carajás a diesel (1986) BR-800 (1988)
MOTOR
Posição, cilindros e refrigeração dianteiro, longitudinal, 4 em linha, refrigerado a água dianteiro, longitudinal, 4 em linha, refrigerado a água dianteiro, longitudinal, 2 horizontais opostos, refrigerado a água
Comando e válvulas por cilindro no cabeçote, 2 no cabeçote, 2 no bloco, 2
Cilindrada 1.781 cm3 1.588 cm3 798 cm3
Taxa de compressão 8,3:1 23,5:1 8,5:1
Potência máxima 85 cv a 5.000 rpm 50 cv a 4.500 rpm 32 cv a 4.500 rpm
Torque máximo 14,6 m.kgf a
2.600 rpm
9,7 m.kgf a
3.000 rpm
5,8 m.kgf a
2.800 rpm
Alimentação carburador de corpo duplo bomba injetora e injeção direta carburador de corpo simples
CÂMBIO
Marchas e tração 4, traseira
FREIOS
Dianteiros a disco
Traseiros a tambor
SUSPENSÃO
Dianteira independente, barras de torção independente, barras de torção independente, braços oscilantes
Traseira independente, semi-eixos articulados independente, semi-eixos articulados eixo rígido, molas semi-elíticas
RODAS
Pneus 7,35 x 14, cidade-campo, ou 185/80 R 14 7,35 x 14, cidade-campo, ou 185/80 R 14 145/80 R 13
DIMENSÕES
Comprimento 4,115 m 4,115 m 3,195 m
Entreeixos 2,55 m 2,55 m 1,9 m
Peso 1.310 kg 1.305 kg 635 kg
DESEMPENHO
Velocidade máxima ND ND 110 km/h
Aceleração de 0 a 100 km/h 26 s 42 s 32 s

NA = não aplicável; ND = não disponível

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