Um grande e necessário salto

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Com um novo Ranger depois de 18 anos, a Ford segue os conceitos atuais
de desenho para rivalizar com os mais modernos picapes concorrentes

Texto: Edilson Luiz Vicente - Fotos: divulgação

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A ideia foi deixar a moldura do farol de neblina com mais estilo, mas essa aba ficou um tanto arbitrária e sem sentido.
 
A faixa de superfície larga no capô é sempre um bom recurso quando o assunto é picape, para ajudar a dar robustez ao visual.
 
O aplique na cor prata, por sua forma, parece não pertencer a esse modelo: falta harmonia com o restante do estilo.
 
Em uma época na qual cada vez menos se usam esses “dentes”, aí estão eles, destoando do conjunto.

 
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Como quebrar visualmente uma superfície grande e ainda adicionar um detalhe de estilo? Aí está uma boa solução, bem interessante por contornar também a traseira.
 
O que ajuda a lanterna a ficar bastante exagerada no tamanho é o quanto ela invade a lateral. Quanto mais avança pela lateral, menor deveria ser sua altura, para não parecer que veio de um picape grande.
 
A superfície da tampa traseira é bem simples e limpa. Isso faz os logotipos se destacarem como poluição visual, mas se forem retirados vai parecer que está faltando algo.
 
Apesar do conceito tradicional do para-choque traseiro, em desacordo com o dianteiro, ele ficou com o visual bem moderno e tem harmonia com o estilo do picape.

Em seu conceito original, picapes eram veículos concebidos com destino ao trabalho, para transporte de carga, tanto no asfalto quanto em terrenos difíceis, resultando em modelos robustos, duráveis, de baixa manutenção e versáteis — qualidades que os tornaram atrativos também para uso familiar. O tipo de construção desses veículos, em geral com carroceria sobre chassi, é muito versátil e, atentos às possibilidades, os fabricantes fizeram bom uso produzindo diferentes versões, das mais espartanas com cabine simples até as luxuosas com cabines estendidas e duplas.

Surgiram também versões esportivas — por mais estranhas que ficassem —, fora de estrada com tração 4x4 e até peruas, variações que atenderam a uma vasta gama de clientes com as mais diversas exigências. No Brasil viu-se o mesmo caso, mas com um número bastante reduzido de opções até a década de 1980, quando o mercado de modelos grandes era dividido entre General Motors e Ford. Naquele período foi iniciada a primeira mudança nesse segmento, com uma onda de transformações de picapes em cabines duplas e peruas focadas no uso familiar, repletas de luxo e sofisticação.

Várias dessas transformações adotavam detalhes de estilo inspirados em (ou oriundos de) carros de passeio da época. Havia até as que imitavam o porta-malas de um sedã com vidro traseiro inclinado. Apesar dos resultados estéticos terem sido em sua maioria catastróficos, proporcionavam um grande status a seus proprietários. A reabertura das importações de veículos, em 1990, fez o favor de acabar com tais aberrações e deu ao segmento sua segunda mudança com a chegada dos picapes médios — como Toyota Hilux, Mitsubishi L200 e Ford Ranger. De início importados, em alguns anos passaram a ser produzidos por aqui ou na Argentina.

Nesse período, tanto os picapes médios quanto os grandes ainda tinham foco no trabalho, mas a escalada de preços e a chegada ao mercado de mais opções de furgões, que apresentaram vantagens financeiras para o transporte de carga, tornaram os picapes praticamente inviáveis para o trabalho. Ocasionou-se então a terceira mudança do segmento no Brasil, com a extinção dos picapes grandes e a aplicação aos médios de padrões equivalentes aos de carros de passeio, só que agora com resultados técnicos e estéticos bem de acordo com a proposta de sofisticação.

Como não poderia ser diferente, a versão de cabine dupla se tornou o carro-chefe para a maioria dos fabricantes pelo foco no uso familiar. O apelo visual fora de estrada é justificado pelas regiões onde mais se vendem picapes ficarem longe dos maiores centros urbanos. Percebe-se então que desde a chegada do Ranger ao Brasil (1994) o segmento mudou, e com ele os requisitos estéticos. Depois de 18 longos anos, a chegada da nova geração do modelo da Ford deixa bem claro o abismo de estilo que surgiu em relação à anterior
e o quanto era necessário um produto adequado para a marca se manter competitiva.

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Um adorno que imita uma saída de ar não é exatamente apropriado a um picape, mas vai bem mesmo assim, exceto pelas exageradas dimensões.
 
Estribos são coisas que os picapeiros adoram, mas em geral são muito feios. Esse até que, por não ser tão grande, não agride tanto o visual. Mesmo assim, não combina com o estilo dessa versão.
 
As proporções, o estilo da cabine e o contorno das janelas são muito parecidos com os de Hilux e S10. Seria uma evidência da preocupação em se manter alinhado com a concorrência?
 
O resultado estético e o acabamento dessa estrutura de caçamba ("santantônio" no jargão popular) de plástico está impecável: poucas vezes se vê essa peça tão bonita e harmoniosa. Contudo, está restrita à versão Limited.
   

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Data de publicação: 24/7/12

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