Um tema reinterpretado

Clique para ampliar a imagem

Com a quarta geração do CR-V, a Honda mostra como um desenho
pode ser atualizado sem romper com as tradições dos anteriores

Texto: Edilson Luiz Vicente - Fotos: divulgação

Clique para ampliar a imagem
 
Isoladamente os faróis e a grade formam um conjunto de contorno interessante, mas quando observados em relação a outros itens do carro, como janelas, rodas e até o comprimento do capô, percebemos que é um conjunto grande demais.
 
Essas molduras pretas aumentam visualmente o tamanho das caixas de rodas, em especial nos carros de cores claras. O amplo vão das caixas até os pneus e a altura em relação ao solo sugerem um apelo mais fora-de-estrada que o de seus concorrentes, que são em geral mais baixos.
 
O vinco saliente é o suficiente para dar continuidade visual ao “protetor” do para-choque dianteiro, acontecendo o mesmo em relação à traseira. O fato de esses detalhes terminarem de forma suave na saia lateral confere um visual limpo e leve.
 
Todos os vincos da carroceria têm as mesmas características visuais e produzem os efeitos necessários sem chamar demais a atenção.

 
Clique para ampliar a imagem
 
O trecho da área em preto um pouco mais alto combina visualmente com o que acontece na dianteira — e proporciona aparência de mais robustez.
 
A curvatura do teto é muito adequada à proposta do carro. O fato de não cair tanto em direção à traseira, como já fizeram muito por aí, evita aquela aparência de um grande calombo a partir do alto do para-brisa.
 
A linha de cintura é alta, mas as relações de tamanho entre chapa e vidros estão muito bem equilibradas.
 
Chama a atenção que esse é um utilitário esporte com a cabine bem avançada e o capô bem curto, como que lembrando uma minivan, mas está no limite para não causar danos às proporções.

Em um dos assuntos já abordados em nossas Análises de Estilo,  explanamos sobre a diversidade que existe nesse campo, ocasionada seja por influências do país de origem da empresa, seja por influência de seu fundador ou de alguma figura de muita importância dentro da corporação ou, até mesmo, por conta de um período na história que possa ter ditado rumos. O resultado disso se vê nas ruas: mesmo quando modelos são concorrentes diretos em um segmento — o que em teoria poderia levar a desenhos muito parecidos —, um olhar mais atento nos faz perceber o quanto são diferentes, graças a esses contrastes entre as culturas e os ideais das empresas.

O ciclo de vida normal do estilo de um automóvel, considerando algumas variações (e sem levar em conta o mercado brasileiro, que foge completamente aos padrões), funciona assim: após o lançamento de um modelo, em dois ou três anos há uma leve ou média atualização, que pode se limitar a mudanças de para-choques, faróis e lanternas, além de rodas e alguns ornamentos; após quatro a seis anos de produção acontece o lançamento de uma nova geração, isto é, um substituto redesenhado por inteiro.

Vários podem ser os fatores que determinam esse período de tempo e, entre eles, exigências de mercado e desgaste do ferramental de produção se destacam. É aí que observamos onde a Honda tem uma peculiaridade que a diferencia de todas as demais fábricas de automóveis, dando ao trabalho de estilo um papel fundamental: após duas gerações é que a Honda realmente inova, mudando toda a arquitetura e o conceito de estilo do modelo.

Após o lançamento dessa geração mais inovadora, há uma geração que, apesar de toda nova dos pontos de vista de estilo, fabricação e ferramental, é na verdade um aperfeiçoamento de muitos itens da anterior, a ponto de às vezes parecer mais uma atualização parcial do que um modelo novo, devido às semelhanças estéticas. Apesar disso, visto por outra perspectiva, é um processo muito interessante e inteligente: a Honda economiza por um lado e, por outro, investe em aspectos que tornem o produto mais evoluído, eficiente e desejável.

Clique para ampliar a imagem
 
Interessante esse acabamento em preto combinando com a grade. No entanto, como há também a área abaixo (e mais larga) do centro do para-choque toda escura, ficou desnecessária essa moldura do farol de neblina com tal acabamento e grande demais.
 
A ideia de visualmente sobrepor a grade aos faróis não é ruim, e até tem alinhamento interessante das aberturas com onde terminam os faróis. Já esse detalhe barroco embaixo não faz sentido algum e é o que compromete o visual.
 
As três barras cromadas são creditadas à nova identidade visual da Honda: um item da identidade que já teve dias melhores.
 
Todos os elementos horizontais e esses vincos, que vistos de frente são mais verticais e posicionados bem nas extremidades, visualmente alargam bastante o carro.
Clique para ampliar a imagem
 
O vinco do para-choque combina com o da dianteira, com a diferença de formar um efeito de volume mais chamativo. Solução trivial, mas interessante.
 
A lente da terceira luz de freio transparente é uma solução válida, sobretudo para os carros de cores bem claras: quando estiver apagada não chama a atenção, já que ela não é um ornamento.
 
Detalhes de nervuras ou que sugerem protetores de metal para os para-choques estão caindo em desuso nesse tipo de utilitário esporte. As empresas têm focado cada vez menos em aparência fora-de-estrada para dar um ar mais familiar e luxuoso, mas ainda com visual que transmita robustez.
 
É possível contar quatro linhas horizontais, nessa região da cor da carroceria, e mais quatro se incluirmos a área em preto logo abaixo. É muita coisa, que não combina com o visual limpo do restante do modelo.

Atualidades - Página principal - Escreva-nos - Envie por e-mail

Data de publicação: 29/5/12

© Copyright - Best Cars Web Site - Todos os direitos reservados - Política de privacidade