Uma discutível identidade

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Trazer os elementos da BMW a um hatch médio deixou o Série 1 com
desenho diferenciado, mas isso não significa que seja agradável

Texto: Edilson Luiz Vicente - Fotos: divulgação

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A frente já é baixa. O vinco nessa altura joga a frente visualmente mais para baixo, o que não é ideal.
 
A justificativa da BMW para esse abaulamento do capô são as normas de proteção aos pedestres vigentes na Europa, mas está óbvio que foi decisão estética — e não das melhores.
 
O que mais chama a atenção em toda a frente é essa sombra formada na superfície que acompanha a linha debaixo do farol. É uma solução muito discutível.
 
Esse vinco está um tanto sem propósito, por não ficar claro se está aí para quebrar a superfície do capô, emoldurar o farol ou ser apenas um detalhe estético.
 
 
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Apesar de ser um detalhe um tanto exagerado, é o único item estético que chama a atenção na lateral do carro, fazendo com que a linha de cintura fique bem caracterizada.
 
Uma boa solução: a saia lateral é lisa para não poluir o visual, já que existe logo acima um vinco e uma superfície "pegadora de luz". Como no fim (perto da caixa de roda traseira) ela mostra uma subida, o vinco faz uma quebra para não deixar uma área muito lisa, tendo continuidade no para-choque traseiro.
 
Interessante a continuidade que foi dada às linhas de corte de portas, para-choque e tampa do porta-malas.
 
A superfície côncava, ou negativa, tem visual um tanto antiquado e em geral não causa boa impressão.

Nos últimos anos, assim como outras marcas, a BMW passou a explorar segmentos nos quais antes não atuava como forma de ampliar os negócios. Com decisões como essa, os mercados se transformaram: passamos a ter marcas de modelos esportivos fabricando utilitários esporte, marcas de luxo oferecendo esportivos, marcas de modelos acessíveis produzindo picapes e assim por diante — uma enorme salada, onde está cada vez mais difícil dizer qual é a especialidade de quem.

O lado bom disso tudo é que, quando um fabricante resolve atuar em determinado segmento que não explorava antes, em geral o modelo surge um tanto diferenciado dos concorrentes. Isso pode acontecer porque a marca decide aplicar suas características técnicas e filosofias de estilo, que passam a dar um apelo diferenciado para o modelo na categoria — sendo um bom exemplo o Porsche Cayenne.

O outro lado da moeda é encontrar um sentido para o que é feito, como é o caso do BMW série 1. Em regra a configuração hatchback é usada para modelos mais acessíveis. Como a BMW é um fabricante de prestígio, quando planejou entrar nesse segmento quis manter suas características e isso resultou em um modelo diferenciado, categorizado como premium entre os hatches do mercado europeu — uma classe onde o prestígio da marca pode justificar a opção de compra, mesmo que o carro custe o mesmo que modelos maiores, mais potentes e mais equipados de marcas de menor prestígio.

A lógica por trás dos segmentos, do popular ao mais luxuoso, é o que se pode comprar em termos de equipamentos, segurança, qualidade, estilo, espaço, status, etc. Não faz muito sentido gastar certo valor sem alcançar esses itens de maneira compatível.

Tome-se como exemplo um desses itens — o estilo, nosso assunto aqui. É um ingrediente importante em qualquer receita, pois é o primeiro item a ser visto ou tocado, e tem de estar de acordo com a proposta oferecida. Algo que acontecia no passado, antes da explosão da era de Chris Bangle no Estilo da marca, e que desde então não mais acontece, era aquela sensação de admiração e a vontade de dizer "uau, que carro" ao vermos um BMW passar.

O que mudou? BMWs para nós são modelos importados e caros, que no passado provocavam o desejo não só pelo status que proporcionavam, mas também porque parecia que tudo, incluindo o estilo, estava bastante acima da média — cada centavo gasto seria justificado. Certa vez um pintor italiano chamado Carlotti definiu a beleza como a soma das partes que trabalham em conjunto, para que não haja necessidade de acrescentar ou alterar qualquer coisa.

Após essas considerações, quais são as sensações que o desenho do novo BMW Série 1 nos traz?

   
   
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Ao lado: uma das melhores coisas no estilo BMW é o capô baixo, perto da caixa de rodas. Prova que um hatch não precisa ser alto ou ter vocação de minivan.
 
Outra parte interessante comum na marca: uma distância maior do que o usual entre a porta e a caixa de rodas. De lado, percebemos como esse item e o apontado acima conferem esportividade.
 
A "superfície pegadora de luz" e seu vinco abaixo são discretos, exercem sua função sem chamar atenção.
 
Esse tipo de curvatura já é um tanto antiquado. E piorou na nova versão, acentuada pela janela traseira bem maior que a dianteira.

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Data de publicação: 5/5/12

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