Tradição reinterpretada

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Por trás de toda a ousadia do Evoque, o novo Range Rover, está um
amplo legado de elementos de desenho dos utilitários ingleses

Texto: Edilson Luiz Vicente - Fotos: divulgação

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1) Muitos modelos não têm essa tela de proteção na tomada de ar do para-choque. Nesse caso, além de bonito, é muito útil para proteger o radiador.

2) Truque visual: a abertura é enorme, mas com essa borda larga a área em preto que simula a abertura — que é o que se destaca — fica reduzida, solução que deixa o detalhe equilibrado visualmente.

3) A área em preto não incomoda aos olhos, mas também não faz muito sentido estar aí. As duas curvas apontadas passam a impressão de erro de execução e não de detalhe estético.

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1) O vidro traseiro tão baixo e as lanternas tão pequenas fazem com que a traseira fique enorme, resultando aí em erros de proporção. Mas isso é proposital: com boa distribuição dos detalhes, é interessante como essa sensação de volume só chama a atenção na cor branca, acentuada pelo para-choque com a maior parte na cor da carroceria. Em outras cores o Evoque parece harmonioso e proporcional.

2) A falsa saída de ar, que deixa os refletores discretos e integrados, forma um desenho muito interessante com esses "dentes" da moldura de proteção do para-choque. Esportivo e elegante ao mesmo tempo.

3) Assim como no farol, a área em preto não incomoda: é uma solução diferente do usual e que valoriza o formato da parte interna. Não é possível ver nas fotos, mas olhando de perto se percebe bom trabalho estético em seu interior.

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1) Mesmo não sendo funcionais, detalhes nos para-lamas que simulam saídas de ar são sempre interessantes para dar aparência de esportividade.

2) Para quem gosta de carros é agradável conseguir enxergar o capô enquanto dirige. Se houver saídas de ar para admirar, melhor ainda.

3) O formato das pequenas aberturas e a superfície da grade, que forma duas ou três barras horizontais, fazem parte da identidade da marca: cuidado com os detalhes.

Quando se trata de automóveis, a Inglaterra pode ser considerada um mundo à parte. Embora não possua empresas que produzam grandes volumes, o país marca sua presença com marcas de muito prestígio, como Rolls-Royce, Bentley, Aston Martin, Jaguar, Lotus e — o assunto de hoje — Land Rover. Exceto o Mini, por sua importância, outras marcas ou modelos acessíveis só são lembrados pelos mais aficionados por história automotiva ou por fãs de carros ingleses, por conta desse cenário tão peculiar dentro da indústria.

Em 1948 a Rover lançou, digamos assim, uma versão inglesa do famoso Jeep, sendo batizado de Land Rover — modelo que mais tarde ganhou independência e se tornou uma marca. A partir dali passaram a ser chamados de Series 1, 2 e 3, até serem substituídos em 1983 pelo Defender. Em 1970 foi lançado o mais luxuoso Range Rover, em 1989 a família ganhou novo membro — o Discovery, intermediário entre esses modelos — e em 1997 mais um, o compacto Freelander. E mantém até hoje a mesma filosofia de estilo, apesar das várias mudanças de proprietários no decorrer de sua história.

Quando a Land Rover lançou o Range Rover, inaugurou na Europa um segmento de utilitários esporte de luxo. Tal qual acontece com outros modelos da marca, ele não sofreu mudanças drásticas de estilo desde seu lançamento, e a geração atual (lançada em 2001) modificou-se bem pouco nessa década de presença no mercado. As alterações mais visíveis são por conta das atualizações de processos de manufatura e tecnologia, mas procuram sempre manter a essência do desenho, que se caracteriza como identidade da marca.

O aspecto mais curioso da história da Land Rover é justamente o estilo, porque joga por terra muito do que se aprende em desenho automotivo: suas formas pouco mudam, portanto não acompanham tendências; mesmo assim o visual não destoa, não importa qual seja a tendência do momento, e não perde o prestígio junto a seu público.

Outro ponto interessante é, que apesar de ser esse um fabricante apenas de modelos utilitários e mesmo mantendo a identidade visual, cada modelo possui uma personalidade diferente. É uma característica importante que demonstra critério ao criar seus produtos, e não apenas fabricar modelos parecidos em tamanhos P, M e G, como tem acontecido na Alemanha com marcas como Audi e Volkswagen.

Com uma tradição dessas, o recém-lançado Range Rover Evoque pode ser considerado uma quebra de paradigmas de estilo dentro da Land Rover. Vale lembrar que acontecer essa quebra dentro de uma empresa — qualquer empresa — é muito difícil, às vezes quase impossível. O Evoque é compacto, bem esportivo e tem até versão de três portas, novidade no segmento de luxo da marca. E, em se tratando de personalidade, foi muito além em relação aos outros modelos.

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1) Ao lado: esses "dentes" nas molduras das caixas de rodas não incomodam em nada visualmente, mas também não faz sentido existirem.

2) Duas opções de acabamentos diferentes para a lateral. Essa na cor da carroceria inspira um visual mais limpo e esportivo, mas deixa a lateral visualmente maior.

3) De lado também se poderia dizer que há um erro de proporção na relação entre chapa e vidros. Mas a impressão está acentuada por causa da cor branca e porque o modelo de três portas tem o teto mais baixo.

4) O que é mais característico e marcante na lateral é o perfil ultrabaixo das janelas, subindo em direção à traseira, enquanto o teto tem uma boa queda no mesmo sentido.

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Data de publicação: 15/2/12

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