Uma questão de proporções

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Embora partindo de uma carroceria com méritos de desenho, a GM
chegou a um conjunto muito discutível com o novo sedã Cobalt

Texto: Edilson Luiz Vicente - Fotos: divulgação

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1) A grade principal, que marca a identidade visual, é a que deveria chamar a atenção a nosso olhar. Como essa abertura é um tanto grande, concorre com ela. Pode-se notar que no Cruze e no Captiva ela é pequena.

2) Solução estética interessante, contornando os faróis de neblina e ao mesmo tempo sendo o detalhe da lateral sua continuidade. Está esculpida de forma bem marcada, ficando com aparência um tanto tradicional.

3) A moldura da caixa de roda bem marcada dá, em geral, um toque de bom acabamento e é atual. Poderia até ser levemente maior.

4) A famosa superfície "pegadora de luz", presente em quase tudo quanto é modelo, é complementada pela fina superfície acima, que forma uma sombra para ser a continuidade descrita no item 2. Adicionar uma moldura de proteção às portas vai poluir o visual.

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1) Um tanto antiquada essa solução de fazer a curva para cima. E ainda parece estar amassado, em vez de parecer um detalhe estético.

2) Esse vinco é diferente do usual, sem chamar a atenção para isso. Dá certa personalidade à lateral do carro sem exagerar na dose.

3) Esteticamente, o ziguezague dessa linha de corte não é conveniente: chama a atenção de forma negativa quando não deveria sequer ser percebido.

4) O detalhe começar na dianteira e ter continuidade na lateral é normal; já continuar também na traseira, nem tanto. Até que deu um efeito interessante.

Chegou a vez de colocar o recém-lançado Chevrolet Cobalt em nossa Análise de Estilo. Antes dela, porém, julgamos oportuno fazer duas considerações a respeito de estilo, na tentativa de entendermos por que algumas coisas causam tanta controvérsia.
 
O estilo de um produto trafega em um mundo de subjetividade, que é o que se passa em nosso íntimo: como vemos, sentimos e pensamos sobre algo, sempre influenciados pela cultura, educação, religião e as experiências adquiridas. Tal subjetividade faz o desenho de um produto ser efêmero, pois os fatores de influência estão em constante mudança. Assim, de tempos em tempos surgem novas tendências e exigências de estilo.
 
O segundo ponto a se considerar é, na opinião do autor, um aspecto-chave na aceitação ou rejeição do estilo de qualquer produto: são as proporções, sempre comentadas em nossas análises. Para entender o que significa proporção, um pouco de história.
 
Assim como muitas invenções do homem foram inspiradas na natureza, desde a antiguidade se observou que na indiscutível beleza das criações divinas quase tudo seguia um padrão geométrico. Os gregos até chegaram a um cálculo matemático para determiná-la e assim fazer seu uso, o que ficou conhecido como proporção áurea — esse é o nome para quem quiser pesquisar e se aprofundar no assunto.
 
A proporção áurea é a mais harmônica à percepção visual humana, tão presente na natureza que se fez uso na arquitetura, na arte e no estilo — de uma concha ao corpo humano, das pirâmides do Egito à catedral de Notre Dame, das esculturas de Michelangelo às pinturas de Leonardo Da Vinci, do espremedor de laranjas de Philippe Starck ao Ipod.
 
Dessas considerações concluímos que o estilo de qualquer produto — incluindo, claro, um automóvel — pode ser concebido seguindo esse padrão geométrico. Graças à subjetividade que envolve esse ramo da indústria, muitos profissionais podem desconhecer o assunto, mas buscá-lo de maneira intuitiva. A proporção áurea não é obrigatória. Contudo, é comum que, sendo ela ignorada, por intenção ou não, surjam polêmicas a respeito do produto. No caso de um automóvel, o estilo não é o único fator na decisão de compra de um modelo, mas é um item sobre o qual as pessoas se dispõem a acaloradas discussões.
 
Esclarecido um pouco sobre estilo e proporções, vamos à análise do Cobalt. O novo modelo da General Motors tem qualidades, mas algumas soluções de estilo, de forma negativa, estão se destacando mais do que tais atributos. De modo geral, seu desenho tem sofrido fortes críticas, a ponto de parecer que o carro todo tem problemas de estilo.

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Data de publicação: 1/2/12

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