Cupê, não, mas muito criativo

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Quando uma marca em bom momento faz algo especial, o resultado
pode ser um desenho elaborado como o do Hyundai Veloster

Texto: Edilson Luiz Vicente - Fotos: divulgação

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1) De acordo com a tendência atual, as laterais não têm muita curvatura. Em consequência, a região inferior fica bem vertical e, se por um lado deixa o carro mais volumoso e ajuda na impressão de estar bem assentado no chão, por outro deixa o visual bem pesado.

2) Esse rebaixo simula uma tomada de ar, o que dá um toque bem esportivo. Ao mesmo tempo, nasce de um corte na região inferior do farol e forma um contorno para a grade dianteira, circundando por baixo de um lado a outro. Todos os elementos comuns estão aí: faróis principais, faróis de neblina, tomadas de ar inferior e superior, vincos para "quebrar visualmente" as superfícies. A diferença está no trabalho estético para deixar a frente diferenciada.

3) Em geral, os vincos do capô descem até os faróis ou a grade. Essa solução é bem diferente do usual e contribui com a estética diferenciada do modelo.

4) O corte na região inferior central pode ter sido feito apenas por estética, como também por necessidade de aliviar o para-choque para não raspar no chão em valetas ou entradas de garagens. Qualquer que tenha sido o motivo, é bem-vindo.

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1) Observe como o vinco do para-choque tem continuidade com o vinco da linha de cintura, sinal de preocupação com o acabamento de todos os detalhes.

2) Em meio a vários detalhes estéticos diferenciados, esse chama bastante a atenção na traseira, de uma forma positiva e interessante.

3) A bola vermelha acima aponta o quanto o teto é baixo na traseira; a debaixo aponta o quanto o para-choque é alto. Somado às lanternas altas, a traseira fica equilibrada, para não parecer que o porta-malas está carregado com um enorme peso e a suspensão traseira ficou "arriada".

4) Mais um detalhe diferenciado. Enquanto a ideia desse tipo de aplique é imitar as saídas de efeito-solo dos carros de competição, com o propósito de obter um visual esportivo, ao mesmo tempo o que dá o toque esportivo é o rebaixo da placa de licença. E ainda conta com uma bela ponteira de escapamento ao centro: o visual ficou muito bom.

De tempos em tempos, algumas fábricas lançam um produto com algumas características estéticas que fogem do trivial e já vão chamando-o de cupê. É provável que isso venha acontecendo por causa do apelo e do charme que o termo oferece, o que o torna uma maneira que os departamentos de vendas e marketing arrumam de valorizar mais o produto.

Apesar de soar um tanto conservador, o ideal seria manter as definições em ordem. Cupê, na definição mais aceita em Estilo, é um tipo de carroceria que com três volumes e apenas duas portas, bem representado pelo Audi A5 — a meu ver, um dos mais bonitos cupês do momento. O Chevrolet Camaro é um cupê, assim como os modelos de duas portas do BMW Série 3, que têm carroceria diferente das versões de quatro portas. A própria BMW, contudo, chamou seu modelo X6 — um utilitário esporte de cinco portas — de cupê, o que não fez o menor sentido.

Essa introdução visa a definir claramente o que é o Hyundai Veloster. Apesar de o site da Hyundai citar o termo cupê para ele, podemos manter que esse é um modelo hatch. Por mais que ele tenha detalhes inusitados de estilo, ou por mais que possamos deixar o departamento de vendas e marketing da empresa contrariados, ainda é um hatch.

Um fato interessante que pode ser observado em grandes mercados é o espaço que existe para carros com propostas diferentes do comum, seja no apelo à diversão ou no aspecto estético. Muitas vezes, quando fabricantes atravessam um momento de crescimento e euforia, com dinheiro para queimar, apostam fichas em algo que lhes pareça interessante. Assim, historicamente nasceram carros que caíram nas graças do público por serem divertidos, diferentes ou especiais. Assim é — ao menos do ponto que nos cabe analisar aqui, o estilo — o Veloster, um exemplo da boa fase global da Hyundai.

Mesmo sendo um hatch com motor de 1,6 litro, todo o apelo estético proporcionado pelo desenho diferenciado não o coloca como concorrente de modelos como Golf, Bravo ou Focus. O alvo é competir em vários mercados com o Mini, o Fiat Cinquecento e o Honda CR-Z, entre outros — modelos diferenciados pelo estilo e o apelo divertido, que acabam atuando em um nicho mais específico.

Os modelos da Hyundai têm sido caracterizados fortemente pela grade frontal e sua "escultura de linhas fluidas", como é divulgada a identidade da marca pela própria empresa. Isso os torna diferentes de tudo que circula pelas ruas, em especial no Brasil, em meio a tantos modelos comuns e outros de concepção mais antiga. Com o Veloster, os sul-coreanos foram ainda mais além e, se a ideia era chamar bastante a atenção, o objetivo foi alcançado com grande êxito.

Tudo no carro foi desenhado e esculpido visando a obter um algo a mais, tanto no estilo quanto em sua inédita configuração de três portas laterais. O detalhe tem sido bastante alardeado, mas visualmente é discreta a diferença entre os dois lados — o que, do ponto de vista de estilo, foi uma decisão acertada.

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1) Os contornos dos faróis são relativamente simples, bem-feitos e característicos da Hyundai. E ainda formam aquele visual de "cara de mau", sempre bem-vindo em um modelo de apelo esportivo.

2) Saídas de ar no capô dão um excelente toque de esportividade. Estar sentado ao volante e olhando para eles sempre dá uma agradável sensação.

3) Essa área pintada na cor da carroceria ameniza visualmente para que o carro não fique com uma boca enorme, ao mesmo tempo em que ameniza a "cara de mau" já proporcionada pelos faróis.

4) Como o modelo é cheio de detalhes estéticos diferenciados, aí está mais um para produzir um contorno nada monótono na tomada de ar inferior do para-choque. Muito bom.

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1) Outro detalhe inusitado e que foge do trivial. Tanto os contornos dos refletores como a localização ficaram muito interessantes.

2) Olhando somente a traseira, não parece um hatch com motor 1,6-litro, e sim um modelo muito mais apimentado. A traseira é muito interessante e diferenciada.

3) Não há muitas linhas horizontais: o desenho é até bem limpo. Por conta disso, a superfície que emoldura o aplique do para-choque com a pequena superfície "pegadora de luz" faz uma boa diferença para obter um visual bem-acabado.

4) As lanternas nas extremidades da carroceria, até um pouco salientes, e as caixas de rodas pronunciadas fazem o modelo parecer bem largo, quando na verdade tem quase
a mesma largura do i30.

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Data de publicação: 8/11/11

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