Alheio às tendências

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Em vez de se adaptar aos modismos, o Porsche 911 mantém a
essência de seu desenho preservada há quase meio século

Texto: Edilson Luiz Vicente - Fotos: René Staud (série) e divulgação

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1) Esse é o modelo 356, criado no fim dos anos 40 pelo designer austríaco Erwin Komenda. Notem que as características de estilo estão todas presentes, mas dentro do método de construção de carrocerias típico da época.

2) Perfil baixo das janelas e linha de cintura bem alta. Muito familiar nos dias de hoje, não?

3) Para-choques de aço salientes: é o jeito que se fazia na época.

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1) Observando a silhueta, os contornos das janelas e faróis do primeiro 911, comprovamos as mesmas características de estilo do 356. Com novos métodos de construção e o retrabalho das proporções, o modelo ficou muito bonito, diferente e moderno para a época.

2) Como parte do retrabalho, obteve-se um visual bem mais leve graças ao maior comprimento e à linha de cintura mais baixa, além das janelas mais inclinadas.

3) Para-choque integrado à carroceria, inovação que só foi difundida pela indústria anos mais tarde.

Nas análises feitas até agora, tentamos traduzir aspectos do estilo dos carros e de como seu desenho funciona dentro de um contexto. O estilo de um automóvel é muito complexo e, como tal, exige muito do profissional: é necessário, além da criatividade e do olho no futuro, que ele domine várias habilidades e tenha conhecimentos de história, materiais, tecnologia e processos, tanto de estilo quanto de produção.

O bom designer, o profissional que cria e desenvolve o estilo de um produto, é aquele que consegue reunir uma boa dose dessas habilidades e conhecimentos, associada a uma sensibilidade apurada para criar ideias e soluções que vão ao encontro da satisfação das necessidades das pessoas — o primeiro fator que torna essa profissão tão interessante.

O segundo fator é que todo o processo de criação e desenvolvimento do estilo de um produto é bastante objetivo, mas o resultado de todo esse trabalho é bastante subjetivo
isto é, não importa o que se faça, sempre poderá levar a diferentes interpretações pessoais. O terceiro elemento que torna a profissão tão interessante é justamente essa subjetividade, que faz com que tudo se renove de tempos em tempos em uma dinâmica que acaba por renovar a nós mesmos.

Em meio a esse fascinante mundo, profissionais e empresas ainda têm de estar atentos às tendências de estilo, que estão em constante mudança, para poder manter os produtos atualizados como forte apelo de venda.

Todo esse quadro faz parte da rotina do mundo do estilo, mas em um caso como o do Porsche 911 tais habilidades, conhecimento e filosofias são postos em xeque. Analisamos o 911 não só pelo mito que ele é ou pelo que sua marca representa para a história da indústria, mas sobretudo pelo aspecto da longevidade de seu estilo. O 911 não é o modelo mais antigo ainda em produção, mas é um dos poucos que mantiveram as características originais do desenho quase intactas por tanto tempo.

Mesmo alheio a várias e importantes tendências de estilo que ditaram as regras sobre a estética dos automóveis em geral nesses seus 48 anos de produção, o modelo mais famoso da Porsche — talvez o carro esporte mais famoso do mundo em se tratando de modelo, não de marca — ainda possui um estilo agradável e jovial, com alma esportiva, e proporciona ao proprietário um status como poucos carros conseguiram. Continua

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1) No 911 lançado em 1974, a mesma carroceria já recebia alguns retoques estéticos, como espelhos retrovisores maiores e ausência de cromados. Notem a borda da caixa de roda traseira com acabamento mais reto, diferente da dianteira.

2) Moldura lateral com maiores dimensões integrada a uma saia, cobrindo parte da tampa de acesso a um ponto da suspensão traseira, detalhe que faz parecer que a carroceria foi alterada.

3) Requisitos de segurança do mercado norte-americano, o maior cliente da Porsche, fizeram com que os para-choques ficassem maiores e bem salientes. A sanfona na lateral era um acabamento do sistema de absorção de impactos. Nos anos 80 foi febre no Brasil trocar os acabamentos plásticos laterais dos para-choques, em qualquer carro, por outros que imitavam o desenho da sanfona do Porsche.

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1) Na série identificada pelo número de projeto 964, lançada em 1988, os para-choques ficaram lisos e ainda maiores. As luzes de direção dianteiras estavam um pouco exageradas, mas nada grave. Pela primeira vez eram usadas aberturas de ventilação no para-choque dianteiro.

2) A carroceria ainda era a mesma, mas as mudanças descritas no item acima fizeram com que o visual ficasse mais pesado. Saias laterais maiores, ao mesmo tempo em que cobriam o acesso à suspensão traseira (não mais necessário), formavam um alinhamento com o para-choque traseiro e protegiam contra batidas de pedras.

3) O para-choque traseiro, tão liso e saliente, fazia parecer que a traseira fosse ainda mais baixa que na versão anterior. A harmonia do carro como um todo ficou um pouco prejudicada.

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Data de publicação: 9/8/11

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