A falta que Pininfarina fez

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Apesar de desenhado por italianos, o JAC J3 e sua versão Turin
têm linhas pouco inspiradas e que poderiam agradar mais

Texto: Edilson Luiz Vicente - Fotos: divulgação

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1) Visto por determinados ângulos, como esse, o visual é bem simples e não compromete. A frente pronunciada no centro é um detalhe bem atual.

2) A luz de direção lateral tem um formato que combina com o carro, mas está um pouco exagerada.

3) O vinco abaixo forma uma superfície “pegadora de luz”. Somado com o vinco da linha de cintura, “quebra” visualmente a lateral, efeitos obtidos da maneira mais simples.

4) Vista por esse ângulo, a coluna traseira está bem alinhada com o gráfico das janelas laterais e com uma inclinação maior, não tão comum nos modelos hatcback atuais.

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1) Uma superfície que está plana demais, além de não combinar com as superfícies com curvaturas no restante do modelo. O rebaixo da placa de licença abusou da simplicidade, deixando o para-choque como um todo sem graça.

2) Esse vinco é necessário para não deixar a tampa traseira lisa demais. Mesmo assim, está “pedindo” algo a mais, pois ainda sobrou uma grande área lisa. A superfície também muito plana está prejudicando o visual.

3) O corte do vidro acentua mais ainda o visual de uma traseira muito lisa, sem detalhes. O corte, que poderia formar uma bela curva e dar um contorno bonito ao vidro traseiro, ficou praticamente reto.

4) Lanternas mais verticais já não são o tema atual. Estão grandes demais e esse corte seco e vertical da tampa traseira acabou de tirar toda a graça que poderia ter.

Como produtor de automóveis, a história da JAC Motors é extremamente recente. Ainda não seria possível fazermos, como de hábito, uma análise de estilo abrangendo aspectos históricos, da cultura da empresa ou da identidade da marca em seus produtos. Por isso, nossos comentários centram-se nos primeiros modelos a chegar ao Brasil: o hatchback J3 e o sedã de três volumes J3 Turin.

Foi bastante divulgado na imprensa que o estilo desses carros foi desenvolvido pelo renomado estúdio Pininfarina, autor de marcantes Ferraris de ontem e de hoje, mas não é verdade. Como o site da empresa informa, o J3 foi elaborado no centro de estilo da própria JAC Motors na Itália, uma forma de absorver preferências ocidentais de desenho para que o automóvel tenha mais facilidade de agradar a diferentes mercados.

Como se pode perceber ao analisar o modelo, o estúdio estar localizado na Itália não significa que o estilo dado ao carro seja típico dos automóveis italianos, tão reconhecidos pela harmonia de linhas. Essa é uma razão pela qual o estilo do J3 não expressa a mesma força que a JAC Motors quer transmitir com toda sua propaganda, que chama a atenção mais para o extenso prazo de garantia e pela quantidade de equipamentos de série.

Sempre comentamos que um dos pontos importantes de um carro é o estilo, que deve estar de acordo com a proposta do veículo. A JAC foi tão comedida e conservadora na proposta do J3 que seu desenho não causa grandes emoções: o desenho do carro está sendo um coadjuvante quando deveria atrair olhares e desejo de compra, o que seria fundamental para quem está começando e precisa conquistar mercado.

É verdade que o desenho do J3 tem seus méritos: tem boas dimensões para uma proposta de carro compacto, suas proporções são adequadas — em especial no Turin, por conta do porta-malas saliente, que ajuda a balancear melhor o visual — e as janelas laterais formam um contorno simples e agradável, com boa altura da linha de cintura. Mas detalhes como contornos de faróis e lanternas, os gráficos dos para-choques e o contorno do vidro e da tampa traseira da versão hatch são os elementos que deixam o visual morno, sem provocar maiores emoções.

Ainda é cedo para comentar sobre uma identidade da marca, mas de qualquer forma é interessante observar que os desenhos do J3 e dos modelos que estão para chegar ao Brasil — o sedã médio J5 e a minivan J6 — têm muito em comum. Se a identidade ainda não está sacramentada, pelo menos já se pode dizer, sem olhar logotipos, que são da mesma empresa. Para efeito de comparação, o J5 tem o estilo muito parecido com o do J3 Turin, mas os mesmos detalhes, citados como mornos no modelo menor, formam um visual um pouco mais atual e mais agradável no carro maior por conta de sutis diferenças. Continua

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1) Até as rodas têm o visual comportado, e rodas fazem uma diferença enorme no aspecto do carro. O diâmetro de 15 pol está bom para o tamanho do J3, ficando a aparência um pouco penalizada pela altura da suspensão.

2) Olhando o JAC assim de lado, pode-se ver que sua arquitetura é atual e bem proporcionada, incluindo uma boa “linha zero” — aquela linha imaginária que corta o veículo bem ao meio e forma a silhueta do modelo.

3) Como tudo nesse modelo, simplicidade. Mas o gráfico formado pelas janelas é o que mais chama a atenção por estar bem-executado.

4) O defletor e a lanterna traseira muito grandes e o vinco do para-choque um tanto baixo desequilibram levemente o visual dessa região do hatch.

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1) Esse gráfico no para-choque formando um "U" é interessante, mas o recurso estético já foi tão usado por tantos modelos que cansou.

2) Vários detalhes que compõem o para-choque dianteiro fizeram com que as tomadas de ar ficassem pequenas, dando um visual ultrapassado.

3) Atualmente os capôs são trabalhados com vários detalhes, ou com poucos, mas bem marcados. Esse foge do trivial: é bem liso, mas combina com a simplicidade do restante do modelo.

4) Um detalhe curioso: se esse vinco não existisse, faria falta, pois ficaria uma área muito grande e lisa. Mas ele poderia terminar um pouco antes de chegar ao detalhe que margeia a grade do para-choque.

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Data de publicação: 26/7/11

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