Lição aprendida

Clique para ampliar a imagem

Criticada pela falta de harmonia de linhas no antigo 307 sedã, a
Peugeot partiu para um trabalho bem executado no novo 408

Texto: Edilson Luiz Vicente - Fotos: divulgação

É muito interessante observar as mudanças no estilo dos automóveis — seja em apenas um modelo, seja na identidade de marca em toda a linha de um fabricante — e a maneira como isso tudo vai acontecendo. Pode-se observar, por exemplo, que o desenho de um carro tem uma vida útil, que é como se chama o período de duração iniciado por ocasião do lançamento e concluído na data em que seja substituído por uma nova geração.

Fazem parte da vida útil no estilo de um automóvel as reestilizações de algumas partes, com a intenção de mantê-lo dentro do possível atualizado. Essas reestilizações podem ser menores, quando é atualizado o desenho de para-choques e quando muito há alguma mudança no desenho dos faróis e lanternas, ou maiores, quando o desenho de toda a frente do veículo, incluindo capô, para-lamas, faróis, grade e para-choque é renovado, assim como tampa de porta-malas, lanternas e para-choque traseiros.

"Nova geração" é uma expressão que deveria ser usada apenas quando fosse um modelo totalmente novo, com aproveitamento mínimo de seções estruturais ou de carroceria. Mas, como a propaganda é a alma do negócio, algumas empresas costumam chamar apenas uma mudança de para-choques e faróis de "nova geração", na intenção de causar maior impacto e atrair atenção para o produto.

Outro fator que se pode notar claramente são as tendências de estilo: as ondas, ou modas — se é que podemos chamar assim —, que ditam várias das formas e detalhes no desenho dos modelos. Essas tendências podem ser criadas pela própria indústria automobilística, como foram os carros norte-americanos dos anos 70, com suas linhas absolutamente retilíneas, ou os europeus e suas formas orgânicas no início dos anos 90.

Também podem ter influências externas, como foi nos anos 50 com a corrida espacial, assunto que teve enorme influência nos seriados para TV, filmes, brinquedos, nos projetos de arquitetura e até no desenho de eletrodomésticos e dos automóveis, que adotavam temas futurísticos, espaciais e turbinas como fonte de inspiração. Tudo isso faz parte das tendências de estilo, que vêm e vão.

As mudanças de estilo são em geral bem gradativas, de maneira proposital, para que dificilmente causem um choque no consumidor. Como o investimento é sempre alto, respeita-se a vida útil de cada modelo e, à medida que as novas gerações vão chegando, trazem consigo as novas tendências de estilo ou a nova identidade da marca. Por tudo isso, é normal que a linha de produtos de uma empresa tenha oferta de modelos com linguagens estéticas diferentes, o que acontece praticamente com todas as marcas.

Entrando agora no assunto desta análise, a linguagem estética que a Peugeot adotou como a identidade de seus produtos começou em 1998, no lançamento do 206. Assim como os carros passam por atualizações, a identidade dos modelos também passou por uma e agora, 13 anos depois, começa uma nova e maior atualização com o lançamento do 508 na Europa. Continua

Clique para ampliar a imagem

1) A tomada de ar do para-choque é grande, mas está bem proporcionada em relação à frente do carro. A tomada menor logo acima está aí por necessidade e confere um visual esportivo.

2) Mesmo caso para os faróis: grandes, mas ainda proporcionais em relação a todo o conjunto dianteiro. Contorno bem característico da identidade Peugeot.

3) Faróis de neblina posicionados bem nas extremidades geralmente conferem um visual moderno e esportivo.

4) Os retrovisores são esportivos e bonitos, mas grandes demais. Bom no quesito funcionalidade, mas ruim no quesito estético.

Clique para ampliar a imagem

1) Esse vinco que caracteriza a linha de cintura está muito baixo, acentuando mais ainda a linha de cintura baixa. Posicionada mais acima, ficaria mais atual.

2) O departamento de estilo da Peugeot gosta de fazer alguns detalhes diferentes do usual. Esse vinco que emoldura a abertura da caixa de roda, sem no entanto acompanhar a abertura, forma um detalhe exclusivo. Não é sempre que pode funcionar, mas nesse caso ficou muito bom.

3) O "pegador de luz" na lateral do para-choque dianteiro funciona como uma continuidade de outro pegador de luz, que fica embaixo na lateral das portas. O do para-choque traseiro ficou meio perdido: se tivesse uma conexão visual mais clara com a lateral, como acontece na dianteira, ajudaria na estética da traseira, que está "lisa" demais.

4) Esse tipo de detalhe sempre ajuda a levantar a traseira, visualmente, e dá um toque de esportividade, sobretudo pela simulação de saídas duplas de escapamento com essas formas, que enriquece muito o bom acabamento.

Clique para ampliar a imagem

1) Uma vista que explica bem por que a Peugeot adotou essa identidade. As quinas são bastante chanfradas, o que deixa a frente bem pronunciada. Denota força, modernidade e esportividade.

2) Também por essa vista pode-se perceber o quão grande é o para-brisa, característica da marca presente desde o 206. A grande inclinação contribui para o tamanho.

3) Os vincos bem marcados são um importante ingrediente na fluência das linhas do 408, como se tivessem sido esculpidas pelo vento.

Clique para ampliar a imagem

1) Por esse ângulo vê-se como a quina que caracteriza o para-choque está muito baixa. Visualmente ela deixa a traseira um pouco caída e aparentando ser menos robusta.

2) Ponto forte da traseira: foi feita uma transição muito boa da coluna C para o porta-malas. A inclinação da coluna também ficou muito boa e fluida, o que ajuda bastante na aparência dinâmica do 408.

3) Também por essa foto percebe-se que as janelas laterais têm o perfil alto: foge um pouco das tendências atuais, mas favorece a visibilidade e a sensação de espaço.

Atualidades - Página principal - Escreva-nos - Envie por e-mail

Data de publicação: 17/5/11

© Copyright - Best Cars Web Site - Todos os direitos reservados - Política de privacidade