Com o charme do passado

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Em um segmento onde o estilo é tudo, a Fiat fez um bom trabalho
ao recuperar muitos elementos do 500 original no novo modelo

Texto: Edilson Luiz Vicente - Fotos: divulgação

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1) Diferente da versão original, que tinha o motor na traseira, o 500 com motor dianteiro exige essa abertura para ventilação. A grade ficou com proporção muito boa em relação à dianteira e ainda tem continuidade com o detalhe em relevo. Foi uma boa solução.

2) Os arcos de para-lamas remetem ao do antigo 500, mas abaixo deles estão rodas bem maiores e pneus muito mais largos, de acordo com as tendências de hoje. No Brasil há escolha entre rodas de 15 e 16 pol.

3) A base do retrovisor, fixada à porta, tem as dimensões um pouco exageradas para um carro pequeno, mas no geral a peça é bonita, em especial com a capa cromada.


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1) É o único modelo que oferece de fábrica um aplique que lembra os para-choques de metal cromados de outrora, o que ficou muito bem feito e integrado ao desenho do carro.

2) Por questões óbvias de projeto, a tampa do tanque de combustível teve que ficar posicionada nesse lugar. Não chama muito a atenção, mas prejudica um pouco o visual.

3) Todas as superfícies têm bons graus de arredondamento, proporcionando esse visual “gordinho” e dando aparência de robustez.


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1) Visto assim de frente é como o 500 mais lembra a versão original. Tem personalidade para se destacar rapidamente de todos os demais quando está vindo ou quando o vemos pelo retrovisor.

2) Capricho na execução do desenho: a linha que separa a luz de direção do farol principal está bem alinhada com o corte do capô.

3) As rodas posicionadas bem para fora contribuem para uma atitude esportiva, alargam o modelo visualmente e causam a impressão de que ele está muito bem assentado ao chão.

Na análise de estilo do Fiat Bravo citamos alguns fatores que caracterizam a Fiat como o maior fabricante nacional e abordamos um pouco de sua filosofia de estilo. A Fiat é uma das gigantes mundiais — está em oitava posição no globo — e, como possui uma longa e vitoriosa história, achou que não deveria ficar de fora desse segmento promissor dos carros com visual nostálgico. Para um segmento que é motivado pela paixão e pela memória emocional, a escolha mais sensata e óbvia foi tomar como base um de seus maiores sucessos e, com certeza, o mais adorado e icônico: o Fiat "Nuova" 500, fabricado entre 1957 e 1975.

Até agora vimos que as marcas exploraram os estilos retrô de maneiras diferentes. Podem, por exemplo, usar características que lembram o estilo de uma época e não de um modelo específico, como a Chrysler fez com o PT Cruiser; ou usar características do estilo de mais de um modelo, como a Ford fez com o Mustang; ou uma proposta mais ousada, com poucas características do modelo original, tal como a General Motors fez com o Camaro; ou ainda um modelo totalmente novo, mas com ligação com o passado, como o Alfa Romeo 8C.

No outro lado temos, por exemplo, o Dodge Challenger, o Volkswagen New Beetle, o Mini e o assunto de nossa análise, o Fiat 500. São automóveis que apresentam diretamente a releitura de seus modelos de origem. Por uma coincidência, nesses quatro casos houve uma única versão original, produzida por poucos anos, como foi o caso do Challenger, ou por décadas, como no Mini, no 500 e no Fusca.

Entre todos os modelos retrô, o Fiat 500 tem um detalhe que o diferencia dos demais: é o que tem, em maior quantidade, características de estilo trazidas do modelo original para os conectar visualmente. Claro que a arquitetura, os sistemas de produção e os requisitos de segurança de hoje exigem que os modelos fiquem completamente diferentes — a começar pelas dimensões —, mas a grande sacada da Fiat foi manter aquele apelo de jovialidade, diversão e versatilidade que fez do original um grande sucesso. E conseguiu obter um bom resultado estético, o que tornou a nova versão também um sucesso de público e de crítica.

O Brasil é um caso à parte: aqui todo o apelo de estilo do Fiat 500 pode ser relativo, pois a versão original não fez parte de nosso cotidiano como fez para os europeus. E ainda é um modelo pequeno que carrega consigo todas as vantagens e desvantagens que são peculiares a esse segmento, com um preço similar ao de carros médios que atendem melhor às necessidades de uma família. Contudo, se não fosse pelo obstáculo do preço elevado, acredito que por aqui ele também seria um grande sucesso de vendas — qualidades tem de sobra para isso.

Filosofias à parte, o Fiat 500 é um modelo que empolga quando olhamos para ele: é diferente de tudo que estamos acostumados a ver nos carros pequenos. Para quem não conhece toda a história do modelo, à primeira vista seu estilo pode até não agradar muito, justamente por não se entender a razão de um detalhe ou outro. Mas, à medida que vamos o conhecendo melhor, o visual vai agradando mais.

Um exemplo: a necessidade de aproveitar o espaço deixa todo hatch pequeno com a traseira parecendo uma caixa, e a traseira do 500 — como todo o restante do modelo — tem estilo e muita personalidade. Assim, perde-se um pouco de espaço, mas quem quer esse carro nem vai ligar para isso. Um ponto bastante interessante nesse segmento é a oferta de itens de personalização para o carro, e o 500 tem uma boa gama de faixas e acessórios que dão um grande charme a mais.

A onda retrô continua firme. Desejo vida longa ao Fiat 500 e a todos desse segmento, que trouxeram aos entusiastas um pouco de alegria e diversão nesse mar de carros racionais e sem graça. Por fim, uma pergunta ao leitor: podemos considerar o Porsche 911, o Land Rover Defender e o Jeep Wrangler modelos retrô, ou as atuais gerações são apenas evoluções dos originais, que não deixaram de ser produzidos e mantiveram a essência de seus temas de estilo? Continua

 

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Data de publicação: 19/4/11

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