A ousadia como diretriz

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A Hyundai decidiu apostar em desenhos avançados, mesmo que
possam envelhecer rápido, e o novo IX35 é um bom exemplo

Texto: Edilson Luiz Vicente - Fotos: divulgação

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1) As molduras dos faróis de neblina e da grade dianteira e as maçanetas das portas podem ter acabamento cromado, em geral usado para dar sofisticação. Tal objetivo não foi alcançado, pois tão poucos detalhes e tão isolados uns dos outros ficaram algo perdidos.

2) Os vincos estão bem marcados, bonitos e bem-feitos; como o próprio nome diz, são mesmo linhas de caráter do modelo.

3) O curioso do IX35 é que, se o cobrirmos da metade para baixo e só visualizarmos da metade para cima, ficamos com a impressão que é um hatch bonito e esportivo, não um utilitário esporte.

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1) Por essa vista pode-se perceber como as rodas parecem pequenas por causa dos para-lamas bem altos, apesar de terem aro de 18 pol. Apesar disso, são bonitas e combinam muito bem com o modelo.

2) Uma das várias boas soluções do modelo — incorporar as molduras das portas a todo esse detalhe em preto — ficou ótima, além de ajudar a diminuir visualmente a impressão de o carro ser tão alto.

3) A inclinação do vidro traseiro faz bastante diferença no visual, criando a associação com uma perua (quando está mais para vertical) ou com um hatch esportivo (quando mais inclinado). Nesse caso ficou muito boa e deu um toque de esportividade.

Na edição anterior, na Análise de Estilo sobre o Kia Cerato, foi comentado a respeito de Hyundai e Kia serem a mesma empresa e dividirem plataformas, componentes, desenvolvimentos, mas com filosofias de estilo bem distintas, ficando a Kia com os desenhos mais conservadores e a Hyundai com os mais ousados. Ousadia esta que tem sido bastante comentada, e de maneira positiva, nos últimos lançamentos da Hyundai.

Um dos pontos interessantes no mundo do estilo automotivo é como as empresas determinam as características de desenho que compõe o que chamamos de identidade da marca. Essas características não nascem ao acaso: são resultado de um processo que pode até demorar anos, incluindo pesquisas, carros-conceito (que incorporam as novas características de estilo e permitem analisar sua aceitação por parte do público) e muito trabalho restrito internamente ao departamento de estilo da empresa, de que o público nem toma conhecimento.

Na maioria das vezes, essa identidade é diretamente influenciada pelo que o designer responsável e sua equipe acreditam ser o caminho correto para o estilo dos produtos da empresa. Essa incumbência pode trazer resultados positivos ou sérios problemas, com o consequente custo de retrabalho de todo o processo e às vezes até custos para recuperação da imagem da marca. Isso mostra o quão sério e responsável o departamento de estilo tem de ser.

Determinar o que forma a identidade de um produto vai além de padronizar formato de grade e faróis. O ponto comum, que independe de qualquer outro elemento, é o bom trabalho das proporções. Quando gostamos ou não de determinado modelo, mesmo quando não sabemos exatamente o motivo, a resposta costuma estar na harmonia das proporções: se cada componente do estilo tem ou não as dimensões adequadas em relação ao conjunto.

A seguir vem a difícil decisão de usar um desenho minimalista, onde o que fica evidente e faz a grande diferença são as proporções — como exemplo, essa tem sido a filosofia da Audi já há algum tempo —, ou um estilo cheio de recursos, vincos e detalhes com formas ousadas, como tem feito a Hyundai. Quem está certo? A resposta para alguns será a filosofia dos alemães; para outros pode ser a da marca sul-coreana. Na verdade, as duas estão certas, pois atendem a diferentes tipos de consumidores.

O única fator que pode pesar contra a opção da Hyundai, a de dar estilos mais ousados a seus modelos, é que, com a mesma rapidez que podem causar impacto positivo e agradar, eles tendem a envelhecer e cansar o consumidor. Muitas vezes, torna-se difícil fazer boas atualizações dentro do ciclo de vida esperado para o produto, devido a detalhes muito marcantes que não podem ser alterados por questões financeiras. Continua

1) Na foto ao lado: a parte inferior preta, formando dois pequenos defletores, deu um toque de esportividade e beleza sem, no entanto, chamar demais a atenção para ele.

2) Todas as linhas do IX35 são bem fluidas, e essa é uma delas: denota bem uma sensação de movimento, do jeito certo e no lugar certo.

3) A vista de frente é uma das mais bonitas do carro. Notem-se como as linhas dos faróis, capô e grade têm harmonia entre si e com todo o conjunto dianteiro, tudo muito bem-feito.

4) As molduras dos faróis de neblina estão levemente maiores do que deveriam. As molduras cromadas e a superfície “pegadora de luz” logo acima aumentam a sensação, chamando atenção demais onde é desnecessário.
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Data de publicação: 22/2/11

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