Uma bem-vinda dissolução

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Antes parecidos e pouco inspirados, os Hondas Fit e City assumiram
desenhos diversos — e bem mais atraentes — nas atuais gerações

Texto: Edilson Luiz Vicente - Fotos: divulgação

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1) O Fit tem uma grade bem trabalhada, discreta, levemente embutida e com a parte central formando um alinhamento com o ressalto do capô. Proporções e dimensões muito bem acertadas.

2) A tomada de ar do para-choque na cor preta faz um efeito de bom acabamento, melhor do que se fosse tudo na cor da carroceria. Levemente embutida, o contorno forma um detalhe muito bem esculpido. A região da moldura dos faróis de neblina, ainda mais embutida em sua extremidade, forma um efeito tridimensional interessante e dá um toque a mais.

3) Contorno muito simples e bem feito: todo o estilo do carro pede exatamente isso. O tamanho está um pouco acima do que deveria, mas sem no entanto incomodar aos olhos. Refletores únicos por lado (negativo quanto à eficiência dos faróis), mas o bom trabalho da moldura faz a diferença em termos visuais.

4) O acabamento de plástico é desnecessário esteticamente, mas deve estar aí por causa da fixação do para-lama.

5) Bonito espelho retrovisor, mas a fixação na porta, como era na versão anterior do Fit, era mais interessante que essa.

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1) A princípio, a caída do teto pode parecer um pouco estranha, mas é um detalhe que não fez mal algum à estética do carro. Parece ter sido a opção de compromisso para obter bom espaço para cabeça no banco traseiro, sem resultar em uma extremidade traseira muito alta.

2) O vidro, o formato e a posição do rebaixo da placa, além da inclinação do corte da tampa, lembram muito a geração anterior, mas agora com a aparência mais bem resolvida e muito mais moderna.

3) Esse vinco é desnecessário. Só não incomoda tanto por estar mais discreto que o vinco superior da linha de cintura e o detalhe que costumamos chamar de pegador de luz, na região inferior das portas. Assim, não atrai tanto a atenção.

4) A lanterna traseira é de tecnologia simples como tantas outras, mas os detalhes salientes das luzes de ré e de direção fazem uma enorme diferença no visual. Muito bom.

5) Esse detalhe mais saliente é que faz realmente a função de para-choque, pois acima dele vem a tampa, que deve ser protegida em pequenos impactos. Ao mesmo tempo é um detalhe estético e uma solução bem interessante.

Desde que iniciou suas atividades no Brasil — em 1997 no caso da produção de automóveis —, a Honda vem se consolidando com uma imagem relacionada à qualidade. E ser a sexta colocada entre os fabricantes locais com apenas três modelos nacionais e dois importados em sua gama de produtos, e sem atuar nos segmentos ditos populares — que é onde estão os maiores volumes de vendas —, é um grande feito e uma boa prova da aceitação de seus modelos e de sua marca. Esse é o resultado, entre outras coisas, de um bom planejamento e da escolha dos modelos certos e com o desenho adequado.

O Fit foi o segundo carro escolhido para ser produzido pela Honda no Brasil, com lançamento em 2003, e é um sucesso de vendas não só por aqui, mas também em outros países, graças a muitas qualidades. Quanto a seu estilo, a primeira geração tinha um desenho tão sóbrio que se poderia considerar sem graça nenhuma — mas tal sobriedade tem suas vantagens, pois raramente alguém reclamava de seu estilo. Ou seja, a reação mais comum era a indiferença, passando-se então a uma análise fria do que o produto oferece em termos práticos. Se no Brasil esse é um comportamento raro, em outros mercados é mais frequente e o Japão está certamente entre eles.

Para a segunda geração, apresentada em 2008, a Honda optou por não radicalizar nas mudanças do estilo e sim atualizar de forma evolutiva, mas com ênfase em conferir mais robustez e esportividade às linhas do Fit. Assim, manteve parecidas as boas proporções da primeira geração e tanto a frente quanto a traseira, assim como o desenho da lateral, lembram muito os do modelo anterior, mas com resultado bem superior.

Perfil mais estreito das janelas e linha de cintura mais alta, vincos bem esculpidos e não usar detalhes tão arredondados quanto os do anterior — caso dos faróis — foram medidas que proporcionaram uma aparência mais jovial e aquela agradável sensação de que é um produto novo, que acabou de sair do forno, e não um velho projeto requentado.

Se tomarmos por base o que chamamos, no mundo do estilo, de linha zero do carro — uma linha imaginária bem no centro que o divide em duas partes iguais, lado esquerdo e direito —, podemos notar que a partir dessa linha a parte inferior da grade, dos faróis e o vinco do para-choque sobem em direção às extremidades do carro e estão em harmonia com as linhas das laterais, que sobem em direção à traseira. Isso é claramente percebido quando o olhamos de três quartos de frente ou de lado, e dá um aspecto muito mais dinâmico ao visual do Fit — aquela impressão de que mesmo parado quer andar, muito positiva no visual de um carro.

As quinas do para-choque dianteiro bem chanfradas na região dos faróis contribuem bastante para esse visual dinâmico, além de dar um toque de esportividade. Outra coisa que evoluiu muito foi a relação do tamanho da carroceria em relação ao das rodas, bem melhor nessa segunda geração, que trocou o aro padrão de 14 pol pelos de 15 e 16 pol, conforme a versão. Nesse aspecto existe a tradicional discussão entre os projetistas de estilo e os engenheiros, em que os últimos preferem rodas menores para melhorar desempenho e consumo, mas não resta dúvida de que as maiores fizeram bem ao equilíbrio estético.

O Fit é um caso interessante para observarmos, pois não é comum acontecer na indústria mudanças de uma geração para outra que conservem o tema do desenho tão parecido. Em geral o departamento de estilo opta por mudar tudo, para evidenciar que é um produto realmente novo. É interessante como um "mesmo" desenho pode produzir resultados e impressões visuais tão diferentes com as mudanças, até na chamada atitude do modelo. Continua

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1) No City o tamanho da grade está um pouco exagerado, ainda acentuado por ser a peça de uma cor um tanto clara e não ser embutida — mas não a ponto de incomodar.

2) Esse rebaixo em forma de "U" do para-choque não deixa de ser interessante, mas, de tão usado por tantos outros modelos e fabricantes, já cansou.

3) Apesar do uso de refletor único, o farol foi muito bem trabalhado, valorizando uma aparência de ser mais caro e de mais alta tecnologia do que é na realidade.

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1) Visto por esse ângulo, parece mesmo que enxertaram a frente do Civic.

2) O contorno das janelas na lateral ficou muito bem proporcionado e valoriza a estética do carro.

3) Receita tirada do Civic: os vincos do para-choque formam um contorno fechado com as lanternas e a parte superior da tampa, que sugere um discreto aerofólio. É muito bonito, mas destoa levemente do estilo do City, por ser mais retilíneo e com várias quebras bruscas.

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Data de publicação: 7/12/10

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