O "carro-design" passado a limpo

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Ao apostar na combinação de formas que podem causar estranheza,
a Kia obteve com o Soul uma interessante alternativa aos padrões

Texto: Edilson Luiz Vicente - Fotos: divulgação

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Nota-se que não foi esse carro-conceito que originou o Kia Soul: o que está nas fotos é apenas um carro destinado a salões, feito quando o estilo do modelo de produção já estava a caminho, com seu desenho já definido, com o intuito de antecipar e criar uma boa expectativa do que viria a ser o novo produto Kia. Todos os elementos de estilo definitivos estão presentes, mas com aquele ar um pouco mais futurista, caso das portas traseiras com abertura invertida.

Até agora, nas análises de estilo, temos comentado um pouco sobre a história do fabricante em questão, de forma que o leitor possa compreender algumas razões para o estilo do carro ter sido elaborado de uma forma ou outra, de acordo com a marca ou a situação. Já analisamos fabricantes centenários e outros quase lá, mas dessa vez será diferente, pois a história da Kia não é tão longa assim.

O que vale ressaltar é que, após sua quase falência ao fim da década de 1990 e sua incorporação pela Hyundai, aí sim começou a verdadeira história da Kia. Foram grandes os objetivos traçados e ela chegou lá, conseguindo atingir padrões de tecnologia e qualidade equivalentes às de fábricas muito tradicionais.

Parte muito importante desse caminho foi o investimento feito no estilo dos modelos da Kia. De nada adiantaria atingir todos esses objetivos se os carros não tivessem — e não transmitissem através de seus desenhos — a mesma imagem de qualidade e tecnologia. E em 2006 a Kia deu um novo e decisivo passo nesse quesito, mostrando ao mundo que está aí para pegar pesado, quando contratou o projetista alemão Peter Schreyer, famoso por seus projetos na Audi, para dirigir o departamento de estilo.

Pode-se notar claramente a diferença no estilo dos modelos Kia antes e depois de sua chegada. Antes víamos automóveis com estilos bem diferentes uns dos outros e que, em sua maioria, dificilmente poderiam ser chamados de bonitos. Depois, sob sua tutela, começou a se formar uma identidade para toda a linha de produtos Kia, bastante consistente e claramente focando em maior qualidade visual e estética.

Isso não significa que a fase anterior não tenha obtido bons resultados. Como exemplos, o Sportage de primeira geração nos anos 90 e o objeto de nossa análise — o Kia Soul, último projeto da fase anterior a Schreyer, lançado no Salão de Paris de 2008. Foi no começo de 2006, portanto antes da chegada de Peter, que o conceito Soul (fotos ao lado) apareceu no Salão de Detroit, já com todos os elementos de estilo da versão de produção.

Arriscaríamos a dizer que, por não ter o departamento de estilo da Kia até então diretrizes tão claras a respeito de uma identidade da marca, foi possível nascer um projeto com um estilo tão diferenciado dos demais. Deve ter dado algum trabalho à empresa dar uma definição ao público brasileiro de que tipo de carro se tratava o Soul, até alguém bolar o mote de "carro-design" usado desde seu lançamento.

Motes à parte, é um projeto muito interessante do ponto de vista estético — e bastante controverso quando visto como um todo, pois causa as mais diferentes reações nas pessoas. Assim entendemos o porque de, muitas vezes, as empresas preferirem não abusar das linhas e formas.  Continua

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1) A grade dianteira, mesmo sendo um tanto pequena, não causa a sensação de estar desproporcional ao conjunto frontal. Os contornos da moldura cromada são um dos itens mais marcantes da identidade visual adotada pela Kia.

2) Esse aplique no para-choque ficou com o desenho bem interessante e bem trabalhado, mais com cara de carro de passeio do que de fora-de-estrada.

3) A maioria dos detalhes do Soul é forte e bem marcada. Os chanfros que emolduram os faróis de neblina estão tão discretos que ficam pequenos quando olhamos a frente como um todo.

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1) Esse vinco que marca o “pegador de luz” da linha de cintura e emoldura os vidros laterais é interessante. Se o vinco ficasse alinhado com o farol, a superfície “pegadora de luz” ficaria pequena demais; já se o farol fosse “buscar” o vinco onde ele está, ficaria grande demais. A solução encontrada é muito boa.

2) A coluna dianteira foi desenhada de forma a ficar integrada, como se a área envidraçada fosse uma só.

3) Não é muito usual desde o fim dos anos 80 usar linhas tão retas: às vezes parecem formar uma curva negativa (concavidade), o que não causa boa impressão.

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Data de publicação: 1/11/10

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